Como seria o Brasil  hoje se não tivessem  trazido o café para cá ? Esta talvez seja uma pergunta muito complicada de responder, mas de certo o Brasil teria tido um século 20 muito mais difícil, uma vez que o grande crescimento nacional, e especialmente de São Paulo, deve-se a riqueza produzida pelo café.

E pensar que o café chegou ao Brasil de forma clandestina e tudo isso graças a esperteza de um sargento-mor português, que é injustamente pouco lembrado pelos brasileiros: Francisco de Mello Palheta.

Foto: Divulgação

Foi ele que, enviado às Guianas a pedido do então governador do Maranhão e Grão Pará, foi em missão diplomática, mas que no fundo era uma espécie de espionagem. O objetivo era trazer ao Brasil uma muda de café arábica.

Para isso, durante sua missão em solo guianense, Palheta aproximou-se da esposa do então governador de Caiena, capital da Guiana Francesa, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente (como demonstrado na ilustração acima) e trazida escondida na bagagem do sargento-mor.

Na pintura, Palheta planta o café em solo brasileiro

Na pintura, Palheta planta o café em solo brasileiro

Uma vez chegado ao Brasil, a muda foi plantada e as condições de solo e climáticas logo favorecerem o cultivo por aqui. Inicialmente destinada ao mercado nacional, o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira. Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.

Colheita de café no Rio de Janeiro (clique para ampliar)

Colheita de café no Rio de Janeiro (clique para ampliar)

Não demorou muito para o café que já estava no gosto popular do brasileiro, transformar-se também no grande produto brasileiro de exportação, como no passado havia sido a cana-de-açúcar. A diferença é que enquanto o a cana fazia a riqueza de Portugal, na época do Brasil colônia, o café rendia dividendos e riquezas ao nosso país.

Foi a partir dai que o Brasil começou a dar um grande salto econômico e com a chegada de uma nova elite, a cafeeira, o país dava passos largos ao crescimento e ao enriquecimento.

A força imigrante na colheita paulista de café (clique na foto para ampliar)

A força imigrante na colheita paulista de café (clique na foto para ampliar)

A expansão do café, especialmente em São Paulo e no Paraná, demandava uma maior quantidade de mão de obra. Foi assim que no final do século 19, milhares de imigrantes chegaram ao Porto de Santos e também a hospedaria dos imigrantes na capital paulista, rumo as inúmeras fazendas que haviam espalhadas por todo o Estado.

Italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e muitos outros povos fizeram do Brasil e de São Paulo sua nova pátria e do café seu ganha pão.

A riqueza do café trouxe novas ferrovias a São Paulo, como a Sorocabana e a Mogiana além de um grande número de ramais secundários, em grande parte destinado a escoar o café do interior até o porto de Santos onde era avaliado e vendido para o mundo todo, com a atividade frenética tanto no próprio porto como na Bolsa do Café, que agia não somente como uma bolsa de valores atrelada ao café, mas também como um banco destinado a incentivar e garantir a produção da iguaria.

Letra hipotecária de 100 mil réis do Banco do Café (clique para ampliar)

Letra hipotecária de 100 mil réis do Banco do Café (clique para ampliar)

No final da década de 20 o café acompanhou a crise mundial ocasionada pela quebra da Bolsa de Nova York e desvalorizou-se muito, trazendo uma crise sem precedentes na economia nacional, com o dólar e os juros disparando e a economia brasileira quase indo a falência.

Isso obrigou o governo federal a tomar uma atitude drástica para manter o valor da café em alta e evitar uma crise ainda maior: a queima de milhões de sacas de café.

Queima de café em Santos

Queima de café em Santos

Segundo dados da Bolsa do Café, naquela época foi contabilizada a queima de 71.068.581 sacas de café, quantia suficiente para garantir o consumo mundial do produto durante três anos.

Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais e exportadores voltaram a produzir riquezas e gerar empregos. A busca pela região ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia.

Café do Brasil, o orgulho nacional.

Café do Brasil, o orgulho nacional.

O café continua hoje, a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de todos. Hoje o país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial do produto.

DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ:

O dia 14 de abril é a data conhecida como o “Dia Internacional do Café”. Para celebrar esta data e também fazer uma homenagem ao introdutor do café no Brasil, Francisco de Mello Palheta, colocamos a seguir uma seleção de 13 fotografias antigas que mostram o café paulista desde a plantação até a chegada ao porto de Santos.

O café, além da data mundial tem uma data brasileira: Dia 24 de maio é o dia nacional do café.

1 – Pés de Café:

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2 – A Colheita:

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3 – O Terreiro:

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4 – A lavagem do café:

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5 – O processo de secagem:

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6 – A primeira etapa do transporte:

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7 – Sacas no armazém de Santos:

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Servidos ?
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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • FLORIPES S.S.MENDES 14/04/2015 at 12:02

    PARABÉNS DOUGLAS POR ESTA E OUTRAS TANTAS INTERESSANTES E INSTRUTIVAS REPORTAGENS.

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  • Alexandre Fontana 14/04/2015 at 13:49

    Vou comemorar esta data tomando uma boa xícara de café. Para mim, não o dia não começa sem um cafezinho.

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  • nazarethlmperes 14/04/2015 at 20:21

    E pensar que os Perez/Peres vieram da Espanha no início dom século XX para trabalhar nas fazendas de café!

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  • Paulo C Spina 14/04/2015 at 23:43

    Boa noite Douglas, poucas pessoas conhecem a preciosidade histórica da Bolsa do Café em santos. Seria bem-vinda uma matéria sobre este prédio, além de sua excelente conservação o Café do museu do Café e uma delicia. Vale a pena conhecer. Caso precise de fotos posso providenciar e enviar para sua avaliacao.
    Paulo Spina

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  • guilherme salles de campos 16/04/2015 at 19:38

    linda matéria,parabéns douglas.

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  • ARNALDO MOTA 25/05/2015 at 15:50

    FALTOU CITAR ONDE CRESCEU O 1º PÉ DE CAFÉ EM SOLO BRASILEIRO: EM UM LUGAR DA AMAZÔNIA CHAMADO VIGIA DE NAZARÉ. LÁ ATÉ HOJE SE ENCONTRA PEQUENAS PLANTAÇÕES DE QUINTAL.

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  • Daniel 17/12/2015 at 01:43

    Vocês saberiam dar mais informações sobre esse Banco do Café, emissor da letra hipotecária exibida acima? Me interesso por numismática e já cheguei a ter um exemplar da cédula acima, mas não consigo encontrar informações sobre o tal banco, por mais que eu procure. Obrigado!

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