Imóveis inusitados e curiosos são encontrados por todos os cantos da capital paulista, a grande maioria deles se destacando principalmente pela sua arquitetura peculiar, detalhes intrigantes ou pelas pessoas que lá moram ou trabalham. Em nossas andanças já encontramos até um sobrado que foi engolido pelos seus vizinhos, na Avenida Rangel Pestana.

Entretanto, nada chama mais a atenção de que este curioso edifício de dois andares localizado na esquina da rua Castro Alves com a rua Vergueiro, no bairro da Liberdade.

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Poucos costumam prestar atenção neste detalhe, mas o edifício perdeu um considerável pedaço da sua área construída, provavelmente na ampliação da rua Vergueiro nos anos 70 para as obras do metrô, a foto aérea abaixo, da um panorama bem amplo avenida 23 de Maio e região.

Nos anos 70 Liberdade, Bela Vista e a Av. 23 de Maio eram bem diferentes (clique para ampliar).

O mais curioso é que mesmo já se passando algumas décadas, não foi feito um arremate mais caprichado no frontão e até hoje o imóvel exibe, no seu lado esquerdo, o detalhe da fachada pela metade.

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Observando a construção pela rua Vergueiro, é possível também notar a estrutura lateral do prédio, com a marca inclusive do lance de escadas e as paredes dos cômodos.

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Apesar deste pequeno detalhe curioso, o pequeno edifício está razoavelmente conservado e todas as suas demais características originais bastante preservadas.

Falta, talvez, um bom diálogo entre os donos dos estabelecimentos comerciais no térreo para manterem sempre seus negócios pintados na cor padrão do imóvel. Mas talvez ai seja querer demais, não é mesmo ?

Veja mais fotos deste edifício:

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Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Danilo 12/04/2012 at 19:53

    Realmente lamentável fazer isso com o prédio e deixa-lo se arremate algum.

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  • William Lima 12/04/2012 at 21:20

    olha um vw zé do caixão ali do lado,é seu, Douglas?

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    • Douglas Nascimento 12/04/2012 at 21:28

      O William achou easter egg do artigo. É meu sim… rs

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      • Eduardo Britto 12/04/2014 at 15:49

        Easter egg?

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  • Fátima 13/04/2012 at 14:33

    Eu nunca havia reparado. Na infancia, passava em frente todos os domingos para ir as aulas de catecismo. E ainda lembro de ter entrada ali com a minha mãe para visitar alguém, mas são lembranças vagas, não recordo de muita coisa, apenas de uma imensa escada de madeira logo após a entrada. Acredito que assim como eu, inúmeras pessoas nunca repararam.

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  • Ralph Giesbrecht 14/04/2012 at 16:33

    O predio continua muito bonito.

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  • Alan 19/06/2012 at 03:35

    Olá Douglas, mais uma vez parabéns pelo site.
    Moro ao lado desta residência e posso te dizer que somente a pintura a torna tão bela… Em seu interior está infestada de lixo, mato (antes do prédio em que moro, ao lado, ser construído, o local era uma espécie de praça) onde residem pessoas de caráter bastante duvidoso envolvidas em crimes e com diversas ocorrências policiais. Empreendimentos comerciais como laboratórios e mini-mercados já tentaram adquirir o imóvel mas não conseguiram não se sabe porquê… infelizmente… As vezes, mesmo com toda beleza e história do local, faz-se necessário a venda e demolição para que as pessoas que residem ao redor possam ter mais segurança e paz.

    Em tempo: Tenho uma foto do local em 1916, a casa ainda não era cortada pelo outro mini-prédio e pelo condomínio (onde moro). Na foto ainda, pode-se ver a primeira construção da Rua Vergueirinho com os arcos, que vão até o inicio da 23 de maio (naquela parte, RE-descobertos em 1988 — nessa parte, demolidos em 1970). Aliás, na Vergueirinho ainda tem algumas residências antigas e curiosas com arquitetura clássica (anos 10). Um abraço!

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    • sheila 07/02/2013 at 13:50

      Olá Alan… mande suas fotos antigas para que o Douglas possa compartilhar com agente. Obrigada. Abraço.

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  • Adriano 01/12/2012 at 02:32

    Caramba! Eu sou vizinho dessa rua, passo quase sempre, e nunca reparei nisso! OBRIGADO DOUGLAS! Detalhe curioso! Vou contar pra todo mundo aqui do bairro desse detalhe! Hehehe.

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  • Raphael 12/04/2013 at 15:46

    Desse jeito, lembra o Hospital Heimlich, do oitavo livro de “Desventuras em série”, de Lemony Snicket, um hospital que foi concluído pela metade.

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  • Irineu de Freitas Martins 11/12/2013 at 01:37

    Olá Douglas, eu morei próximo desse prédio, nos anos de 1.962 à 1.967, aliás, no prédio do Cine Teatro Paulistano na R.Vergueiro, e nesse prédio tinha uma barbearia, que meu pai me levava para cortar o cabelo, a mim e meus irmãos, aquele corte americano (da época). E logo fiz amizade com o filho do barbeiro que moravam em cima da barbearia, e estudavamos juntos no Colégio Campos Sales, na Rua São Joaquim. Nessa época passava bonde na Rua Vergueiro, e tinha a fabrica de chocolate Sonksen, que ia lá tocar a campanhia para ganhar chocolates. Nessa época ainda não exisitia a Av. 23 de Maio, exisitia um córrego chamado Itororó, e nele corria lixo do Hospital Beneficiência Portuguesa, e eu cai nesse corrego, quase me afoguei, meu irmão me salvou, eu tinha uns 6 anos de idade. Eu fui o primeiro pacientes do Hospital do Servidor, o hospital nem tinha sido inaugurado, e tinha uma rampa, e eu cai com meu patinete, e me ralei todo, e levaram para dentro do hospital e fizeram o primeiro curativo. É gostoso lembrar, pena que não tenho fotos. Sempre que passo em frente a esse prédio me lembro do meu amigo, e do meu corte de cabelo, que eu não gostava nada. Belo trabalho. Um abraço.

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  • Eduardo Britto 12/04/2014 at 15:46

    Nossa, nunca tinha reparado nesse tesouro! parabéns. ET.: Um dia, quando puderem façam uma pesquisa sobre o prédio Alice, na r. 25 de Março 171. Nasci ali há 51 anos. Naquela época habitado por famílias árabes, armênias e japonesas, creio que de gerações intermediárias de imigrantes, e hoje com moradores mais humildes… Acho que vale uma matéria.

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    • znnalinha 13/04/2014 at 15:25

      ET.\; a julgar pela simetria de portas e janelas, o prédio parecia ter esse tamanho mesmo. Ou será que ele tinha o dobro de tamanho, e metade foi ceifada?

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  • jhonatan 01/12/2016 at 21:47

    Manter os estabelecimentos pintados na cor do prédio deveria ser obrigação. Contudo, aqui no Brasil, manter o padrão da arquitetura com certeza seria chamado de ‘burocracia’. Só no EUA, ou na França que é lindo.

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