A região central de São Paulo é de longe o ponto da cidade com maior número de construções vazias e/ou abandonadas. São sobrados, prédios pequenos e grandes edifícios que estão vazios a espera de inquilinos, novos proprietários ou simplesmente fechados sem qualquer perspectiva de reabrirem num futuro próximo, deteriorando-se e muitas vez acumulando dívidas através de tributos municipais (como o IPTU) que muitas vezes deixam de ser pagos.

Também encontramos muitos casos de pequenos edifícios que são ocupados em seu térreo e os andares superiores são isolados e lacrados ficando vazios por anos e anos. É o caso deste pequeno edifício de três andares que encontramos nesta situação no número 329 da rua Conselheiro Crispiniano, na região da República.

O edifício, situado em frente ao antigo e saudoso Cine Marrocos, é ocupado no térreo por um estacionamento de veículos (fechado no dia da foto pelo fato de ser um domingo) mas seus três andares superiores permanecem vazios. A fachada, que notamos ser quase centenária, ainda está muito bem conservada mas sabe-se lá até quando.

Porque não darmos incentivos para pequenos empresários ou profissionais liberais ocuparem prédios assim com descontos em seus tributos? É bom para o locador, bom para o locatário, para o poder público e principalmente para a cidade que deixa de ter prédios fantasmas.

Confira mais fotos deste edifício (clique na miniatura para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Ralph Giesbrecht 05/08/2011 at 19:43

    Sehr gut!

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  • j.jose 05/08/2011 at 21:50

    Precisamente nesse local, no fim dos anos 60, existiu no terreo o Restaurante Central, que nos apelidamos de “sujinho” visto servirem o cafezinho nos mesmos copos em que eram servidos os aperitivos. Esse é o meu quarteirão preferido da cidade. Trabalhei alguns anos no edificio Rex (nº404) na esquina da Sao Joao. Após, fui para o nº 317 – predio que tem a placa vermelha -(tinha o Banco Nacional do Comercio no terreo hoje é um estacionamento). O ex- QG do II exercito, hoje projetado para a praça das artes; o cine marrocos, hoje desativado; o extinto restaurante Pelicano no andar terreo do nº 398; a desaparecida Real Aerovias e seu “corcundinha” no terreo do n. 379; A abolida livraria “ediçoes de Ouro” na portaria do predio de nº 403; A suprimida mansão Trocadero, na esquina com praça Ramos ao lado do Municipal. Todos estes fizeram parte desse trecho da Conselheiro, hoje uma rua de passagem, resumida a bares, lanchonetes e inumeros estacionamentos.

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    • Renor 14/03/2015 at 12:52

      José, estou fazendo uma pesquisa histórica sobre os endereços que você diz ter trabalhado. Por favor, entre em contato comigo. E-mail: renorof@yahoo.com.br

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  • Peterson Henrique Freitas 19/11/2011 at 01:01

    Um advogado que tivesse sala em edificio como esse certamente teria muito prestigio. Tudo isso se houvesse um esforço de requalificação da região.
    Monteiro Lobato, neto do Visconde de Tremenbé morava nesses arredores! Essa região tem vocação para ser chique. O que acontece agora é um acidente de percurso.

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  • Marcelo 19/11/2015 at 14:50

    Quando eu fiz o curso superior de música aí em São Paulo, quase sempre ia ao Restaurante Pelicano, tanto para complemento do café-da-manhã, quando chegava com o ônibus executivo de Campinas no Largo do Paissandu com a Capitão Salomão, depois no almoço e às vezes até mesmo o lanche da tarde. Lembro-me até hoje do excelente cozinheiro que havia lá, o Gilberto, um pernambucano de Garanhuns que parece ter estudado a arte a fundo: fazia de tudo um pouco e sempre com o devido esmero. Lamento apenas não ter provado o bacalhau dele, que tinha muita saída nas sextas-feiras assim como o filé de peixe com molho de camarão. As massas eram caseiras, com especial destaque à de lasanha, verde (de espinafre) e com queijo parmesão nela incluído. Depois ele saiu de lá e veio um primo dele, o Severino, que não possuía o mesmo talento do outro: fazia apenas uma cozinha comum, mas que de modo algum é ruim. Depois os portugueses resolveram aderir à moda do self-service, remodelando o local (infelizmente foram tirados os azulejos portugueses verdes com desenho em dourado), batizando o estabelecimento de Kilo Chic.

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