“Ei, é proibido fotografar!” Se você for até o que um dia foi a estação de Campo Grande, tão logo saque a sua câmera, será esta a primeira e dura frase que um segurança nada amistoso irá dizer pra você. A segunda será pedir para você se retirar dali.

clique na foto para ampliar

Talvez essa atitude seja não porque o segurança seja completamente inapto a lidar com o público (isso também é verdade), mas talvez porque os “responsáveis” pelo lugar não queiram que estas imagens vergonhosas do patrimônio público largado e destruído sejam vistas pelos olhos dos cidadãos que não costumam passar por ali.

No local, além do “gentil” segurança, estão estacionadas locomotivas e vagões pertencentes a MRS. O curioso é que ninguém cuida da mais que centenária estação (o prédio atual é de 1929), e ali só não foi abaixo ainda porque o material usado na construção da parada e das passarelas são de excelente qualidade.

Plataforma (clique na foto para ampliar)

Ao chegar no local, basta uma rápida observação para constar o quanto está abandonado. A belíssima passarela de ferro está completamente enferrujada, e quem se atrever passar por ela pode sofrer um grave acidente. Parte da estação já desabou e não vai demorar para o restante desabar.

O local ficou ainda mais destruído após um breve incêndio no ano de 2010. Lixo jogado em alguns cantos contribuem para um visual ainda mais depreciativo.

Da estação, é possível avistar a pequena capela conhecida como Monumento ao Divino Salvador. Se você subir até o morro onde fica a capela, a visão que você terá da estação será esta a seguir (clique para ampliar):

 

Embora o prédio atual seja de 1929, a estação é um pouco mais antiga do que a nossa república. Tendo sua primeira edificação inaugurada em agosto de 1889.

É simplesmente inaceitável que uma construção tão bela e importante fique assim largada, abandonada. Uma situação imoral!

Saiba mais:

Veja mais fotos do local (clique na foto para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Ralph Giesbrecht 27/04/2011 at 18:39

    É, máquina fotográfica não pode, mas fumar crack e maconha por ali pode, pois o vigilante vai “vigilar” para o outro lado…

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    • Daniel 29/04/2011 at 02:35

      Isso é mesmo uma vergonha, essa inversão de valores. Deveria descer o sarrafo nos nóias de crack para que esse local ficasse minimamente seguro e, talvez, pudesse até abrigar um museu ferroviário…

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    • Ataualpa 05/09/2012 at 12:47

      Estive no mês 05/12,fazendo trilha de bicke dessa região até a parte baixa de Paranapiacaba. Realmente é lastimavel as situações de nossas ferrovias. O brasileiro não tem memória cultural. Esse trecho de Santo Andre – Paranapiacaba, poderia ser aproveitado para passeios turisticos e também descer a serra de trem. Um paisagem deslumbrante, que a maioria não tem conhecimento porque é negado aos amantes de ferrovias.

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  • Renata 27/04/2011 at 20:25

    Um absurdo não poder fotografar. É impressionante como os políticos tentam esconder os problemas como se a população fosse boba.

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    • Thiago 18/10/2012 at 11:57

      Mas a população em geral é completamente idiotizada. Se grande parte não dá a mínima para um casarão deteriorado em avenidas conhecidas o que dirá de uma estação de trem abandonada no meio do mato?

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    • Carlos R Brandão 12/05/2014 at 13:39

      Acredito que a proibição ali nem sequer parta dos políticos, acredito que seja norma da MRS para não observarmos o descaso dela pelo patrimônio sob sua responsabilidade, que ela está deixando deteriorar.

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  • Milena 28/04/2011 at 17:41

    Muito triste ver essas fotos. Um lugar onde já teve tanta história, tantas pessoas já devem ter passado ali… tantos momentos de alegrias… simplesmente esquecidos em meio a ferrugem.

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  • Vanderlei A. Zago 30/04/2011 at 23:21

    Pois é… tu ainda teve sorte de ser só advertido ao fotografar lá, já houve até casos mais extremos, porém o curioso é que isso só acontece com quem gosta de preservar a história e os trens… o local é muito bonito e, se bem cuidado, seria um interessante local para se apreciar os trens e o turismo local, desde que respeitando a natureza local e preservando (ou reconstruindo) a velha estação ferroviária e seu entorno, além da bela passarela inglesa. Quem sabe um dia… Abç. Vanderlei A. Zago (Campinas/SP)

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  • Vanderlei 03/05/2011 at 19:51

    Engraçado fui a 2 semanas atrás e o segurança me tratou bem e deixou andar por lá numa boa :_]

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  • Leslie***** 09/05/2011 at 21:52

    esta vila pertence a santo André, sou de santo andré e aqui só mostram Paranapiacaba, a vila que foi restaurada, fazem até festival de inverno, festivais de musica, teatro, etc. já essa estação que é bem ao lado parece que ficou invisível no processo de tombamento e restauração de paranapiacaba.estranho.eu daria uma bicuda neste segurança.

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  • J.R.Pereira 25/05/2011 at 00:55

    O sistema ferroviário brasileiro, como um todo, está largado e sucateado. Centenas de milhares de quilômetros, toneladas e toneladas de equipamentos, locomotivas, estações, distribuidoras de energia, tanques e toda sorte de mobiliário ferroviário foi saqueado, arrebentado ou devorado pela mata.
    Isso se deve a um único motivo: o brasileiro não ama o patrimonio público. Não ama trens pois prefere o que é rápido, fácil e que enaltece o Ego.
    Mas essa “facilidade” toda tem um preço, que é a perda das coisas belas, a perda da poesia e a perda de nossa alma.
    Um lugar como esse, por onde passaram milhões de imigrantes, trabalhadores, sonhadores e nossos antepassados, deixar degradar desse jeito, é a simples e clara maneira como demonstramos que nosso passado não vale nada.
    E um povo sem passado não merece ter futuro.

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  • Leonilda Bacci 07/06/2011 at 11:59

    Povo em sua maioria de ignorantes sem cultura, sem berço, sem bons principios, estrutura familiar falida. O que vale é a ‘lei da vantagem’, ou seja do mais esperto na visão dos trogloditas! Terão uma vida mediocre cercada de pobreza espiritual e material. Não há como baní-los, pois fazem parte da ignorância do próprio ‘cidadão de bem’ que se preocupa sómente com seu próprio bem estar. Não há nada a reclamar. Ah ! claro, estou falando do vigia, dos políticos e de todos os cidadãos que votamos.

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  • William “Guarubus” 08/06/2011 at 09:07

    Infelizmente nossa malha ferroviária e o que sobrou de ruínas de estações desativadas estão aos poucos sendo demolidas, deterioradas pelo abandono e nas mãos da iniciativa privada que sequer ligam pela história, já mandam derrubar tudo. Pessoas sem culturas !!

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  • Rubens Colonezi 13/06/2011 at 16:03

    Saben porque o patrimonio público fica nesse estado?
    Porque o povo elege só politicos interesseiros,que
    não estão nem ai:
    Também puderá,os eleitores que neles votaram não sabem que é CULTURA,pois sua maioria e analfabeta.

    POVO SEM HISTÓRIA E POVO SEM CULTURA.

    -Motivo pelo qual Hitler,nas suas invasões destuia
    Museus,Monumentos etc

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  • Fernando Ceah 25/06/2011 at 08:02

    Gravamos um video clipe muito bonito nesse local e em outros na mesma região. Vale a pena assistir.

    Reply
  • paulo henrique 16/03/2012 at 03:08

    infelizmente após o abandono do ramal paranapiacaba que foi suprimido em meados de 2000 o destino dessa estação é o fim trágico … eu vou muito a paranapiacaba … e sempre passo e paro nessa estação … sempre imaginando histórias … passagens … imaginando como era o passado … ela era semelhante a estação perus … os predios tinham o piso rebaixado em relação ao piso da estação … pois na modernização na decada de 60 (quando chegaram os budds atuais série 1100 da cptm) eles eram mais altos e todas estações da antiga são paulo railway tiveram que ser aumentadas tanto em tamelho de plataforma quanto em altura … e algumas como as originais tamanduatei … sao caetano… pirituba…piqueri … foram totalemnte destruidas

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  • Marcio 08/01/2015 at 11:48

    Deve haver questões relacionadas a patrimônio (financeiro) ou jurídicos para o uso desta estação pela própria MRS Logística, para as suas atividades, privadas. Pois, não há, pela lógica e praticidade, esta empresa ter montado uma estrutura paralela para dar apóio ao trabalho das locomotivas e trens, estrutura esta que está longe da estação antiga e dos próprios trens que operam nos trilhos. Seja como for, esta estação poderia ser uma base da polícia ou um posto de saúde, por exemplo, que poderiam “escapar” de questões legais, quanto ao uso. Bastaria haver interesse dos governantes, já que a estrutura física ( o prédio ), já existe.

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  • paula 15/01/2015 at 22:55

    fico triste pois morei ai q pena gostaria de levar as minhas filhas pra conhecer

    Reply
  • Charles 21/03/2015 at 22:31

    Bizarro o Governo abandonar linhas estações, imagine um inglês sabedor que o país dele construiu tudo aquilo vir aqui e ver como se encontra, lembro vagamente do trem da CBTU que passava nesta estação entre 1985 e 1990, a estação tinha bilheteria e catracas, meu pai prestava serviço numa fábrica que ficava ali próximo a uns 20 minutos a pé sentido R. G. Serra, e descíamos ali, o trem que a atendia era somente o Paranapiacaba – Jundiaí, que havia de 2 em 2 horas se não houvesse algum atraso, pois os demais destinos não iam até lá (Mauá – Fco Morato, R. G. Serra – Pirituba), e para ir embora para S. Paulo no fim do dia era uma loteria, pois não sabíamos se o trem passaria no horário, ele teria que sair de Paranapiacaba às 18:00 hs e passar em Campo Grande às 18:10 se estivesse no horário, só que acontecia de esse trem passar descendo para Paranapiacaba às 18:30, 18:45 totalmente atrasado, ele ainda ia fazer uma parada de meia hora lá para poder partir com destino à Jundiaí, daí podíamos ficar fazendo hora numa perua de um senhor que vendia café e lanches, e ficava estacionada junto à entrada da estação, ele morava na periferia de Santo André e ficava ali até o trem das 20:10 passar (se passasse), ele não esperava o de 23:10 (último que partia de Paranapiacaba mas com destino somente até Luz) pois o movimento era muito pequqeno e o lugar ficava muito deserto e perigoso após isso, realmente, o trem que pegávamos era bem vazio e tinha apenas os trabalhadores das fábricas das redondezas, e ienchia mesmo só em Ribeirão Pires, Mauá e Sto. André. o Trem era aquele série 101, chamado de “redondão”, comprados nos anos 50 dos EUA já estavam bem judiados, algumas portas não fechavam e chacoalhava muito e dava muitos trancos, lembro que os então novíssimos Mafersa série 700, velozes, zerinho, raramente fazia o percurso completo de Jundiaí a Paranapiacaba, botavam eles no trecho Mauá – Francisco Morato, mas algumas vezes ele aparecia em Campo Grande prestando serviços, se nosso trem passasse no horário (18:10), chegaríamos no Brás às 19:00 hs e pegávamos o trem para Calmon Viana, ver o que esse Governo de SP fez com as ferrovias e estações é lamentável.

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