Quando hoje vemos toda a discussão relacionada ao trecho norte do rodoanel, muitas vezes podemos pensar que os argumentos em torno da preservação da mata atlântica, do comprometimento do abastecimento hídrico e do terrível impacto no meio em ambiente em geral são exagerados.

Entretanto, basta visitar a região do Tremembé e da Cantareira para ver a destruição ambiental que o homem fez por ali nas últimas décadas.

O local que antes era uma mata virgem, repleto de animais selvagens e de águas cristalinas hoje está tomado de grandes construções e residências de alto padrão de pessoas que muitas vezes sequer dão atenção ao meio ambiente que estão envolvidos.

A região compreendida entre a rua Maria Amália Lopes de Azevedo e a altura do número 6200 da avenida Nova Cantareira abriga três antigas fontes de água mineral e todas elas estão esquecidas, abandonadas e poluídas.

Totem do Governo Paulista prometendo preservação. Nada foi feito por ali.

As fontes em questão são Gioconda, São Pedro e Fontalis. Reservas de água mineral que muitos de nossos familiares (e até alguns de nós) chegaram a conhecer e consumir.

Anúncio de 1937

A Fontalis, por exemplo, foi tão importante para a região que acabou por originar um bairro que homenageia a fonte, o Jardim Fontalis. As demais fontes, contudo, não chegaram a virar nome de bairro, entretanto são igualmente históricas e até hoje estão na memória de pessoas que moram ou já moraram na região, em um época que a poluição e o desmatamento sem controle não havia ainda chegado ao extremo norte da capital paulista.

Das três fontes citadas, conseguimos entrar e explorar duas delas. Em uma um conhecido supermercado da região protege a fonte como pode e na outra, depois de anos abandonada, chegou até a virar ponto de consumo de crack, estando hoje cercada.

FONTE SÃO PEDRO:

Fachada da Fonte São Pedro (clique para ampliar)

Fachada da Fonte São Pedro (clique para ampliar)

A antiga Fonte São Pedro está localizada na rua Maria Amália Lopes Azevedo e embora ainda esteja bem cuidada e razoavelmente preservada, não é percebida por quem anda ou trafega na região. Para vê-la é preciso entrar no estacionamento do Supermercado Sonda, uma vez que a velha fonte fica junto da área do estabelecimento.

A fonte, deixou de ser um local para coleta de água mineral e hoje está fechada. O local, embora tenha sua entrada pelo estacionamento do Sonda não pertence ao supermercado. Aliás, até hoje saber quem é o proprietário atual da área parece ser um problema. Segundo Renata Tomasetti, assessora de imprensa do Sonda, a rede gostaria de comprar a área e recuperá-la mas o local não dispõe de documentação.

Publicidade da Ford em 1925 mostra o transporte da água da Fonte São Pedro

Publicidade da Ford em 1925 mostra o transporte da água da Fonte São Pedro

Aliás, diga-se de passagem não fosse o supermercado o local provavelmente já teria sido totalmente destruído. Funcionários contam que no passado haviam carpas no lago interno da São Pedro e todas foram furtadas. Maus elementos chegam pelo terreno ao lado e conseguem entrar na área do supermercado pela fonte, que teve de ser gradeada para evitar roubos. A pedra de fundação da fonte (foto abaixo) foi salva e preservada pela empresa.

Foto exclusiva: Pedra fundamental (clique para ampliar).

Foto exclusiva: Pedra fundamental (clique para ampliar).

Apesar de ser uma parte importante da história de São Paulo, Não há, infelizmente, qualquer preocupação do poder público, seja ele estadual ou municipal, em divulgar a velha estrutura como ponto turístico ou pelo menos como marco da história do Tremembé e região. O lindo pórtico que dá entrada à fonte ganhou um portão que agride o visual harmônico da estrutura e a mureta ganhou grades. A natureza, que ainda está por ali bastante poluída, virou prisioneira do homem.

Com autorização do Sonda entramos na velha fonte de água. O local ainda encanta, tal qual como deveria encantar décadas atrás as pessoas que iam até lá em busca de água. Por dentro há tanto capricho na arquitetura como por fora, com lindas colunas salomônicas, uma escadaria e uma bica (fotos a seguir). A umidade está maltratando um tanto mais o seu interior que, diferente do exterior, não recebe muitos cuidados.

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Outra coisa que choca é o odor fétido das águas que correm junto a fonte. É difícil acreditar que um lugar que pouco mais de 50 anos atrás tinha água pura hoje é uma correnteza de água mal cheirosa e totalmente imprópria para o consumo. E isso vem das casas que ocuparam a parte superior, na serra. Mas como em boa parte são casas de “bacana”, elas permanecem lá até hoje. Fossem de baixa renda, os tratores não perdoariam.

O cheiro da queda d`água é insuportável (clique na foto para ampliar).

O cheiro da queda d`água é insuportável (clique na foto para ampliar).

A Fonte São Pedro foi inaugurada em 1922 por Affonso Natacci e canalizada por A.Cownley Slater.

Nossos sinceros agradecimentos ao Sonda Supermercado e a Activa Comunicação por nos receberem de maneira tão gentil na Fonte São Pedro.

Veja mais fotos da fonte São Pedro e entendam a situação (clique na foto para ampliar):

FONTE GIOCONDA:

“Tales Sunt Aquae Qualis Est Terra Per Quam Fluunt” ou “A água é tal qual a terra por onde ela corre”  é a frase do pensador romano Plínio, O Velho, que estava escrita no lindo mural de azulejos que dá entrada a fonte mais alta da região, a Fonte Gioconda.

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Digo “estava escrita” porque inicialmente vários azulejos que faziam parte do mural já não estão mais lá. Caíram pela ação do tempo ou foram arrancados por vândalos.

Já em 2014, 3 anos depois de visitarmos o local pela primeira vez, descobrimos que as pessoas que invadiram a área da fonte para morar, decidiram passar um tinta sobre os azulejos (foto abaixo), um crime contra nossa história.

Era uma vez os azulejos históricos (clique na foto para ampliar)

Era uma vez os azulejos históricos (clique na foto para ampliar)

Hoje o local mais lembra mesmo uma ruína romana, com partes de uma casa, escadarias arruínadas e tomadas pelo mato e pela vegetação. O que o homem construiu, parte já foi retomada pela natureza e hoje é quase impossível localizar o local por onde a água brota.

Só é possível notar, no meio a densa vegetação, o fluxo da correnteza e chegar perto dela como fizemos é um ato perigoso. As escadarias estão quebradas e úmidas e as pedras estão repletas de limo.

O local, que outrora foi uma das fontes de água da região da Cantareira, hoje serve como um quadro de como o homem não cuida da natureza. No lugar de água potável, água suja e contaminada. No lugar de pedras naturais da região, entulho. E este que é descartado muitas vezes pelo nobre casario da região, como podemos constatar em pouco mais de uma hora que ficamos no local.

A propriedade particular esteve abandonada alguns e segundo relatos de vizinhos, já serviu de esconderijo para ladrões e usuários de drogas. Atualmente está invadida (foto abaixo).

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Mas o lugar ainda desperta emoção. Impossível não entrar ali e não se emocionar com a imbecilidade do homem. Impossível não se lembrar que poucas décadas atrás era possível beber a água dali. Também é impossível não admirar o pouco que resta do mural e do estabelecimento que ali existia, hoje em ruínas.

No passado a fonte teria pertencido a Rigoletto Mattei, mas não conseguimos confirmar esta informação.

Estamos destruindo o próprio ambiente que vivemos. Quando este ambiente sucumbir, não teremos para onde ir.

Veja mais fotos da antiga Fonte Gioconda (clique na foto para ampliar):

FONTALIS

Terceira fonte de água mineral da região, a Fontalis, que fica na mesma rua que a Fonte São Pedro. No entanto, é quase impossível vê-la ou fotografá-la pois está em uma propriedade com muros muito altos. Ela esteve ativa na região até alguns anos atrás, sendo a última a ser desativada. As duas fotografias abaixo, de 1936, são raras imagens da Fontalis em pleno funcionamento e foram enviadas pelo leitor Otto Triebe.

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Divulgação

Infelizmente, há muito pouco material sobre as Fontes São Pedro, Gioconda e Fontalis disponível para pesquisa. Achar alguma informação é quase impossível. Se você conhece algo mais sobre elas ou dispõe de alguma outra informação que julga ser relevante, entre em contato conosco ou deixe um comentário. Não vamos permitir que a história desta região desapareça, e nem que a natureza continue perdendo a batalha.

Que a frase de Plínio, o velho, que está na Fonte Gioconda, um dia possa ser melhor representada.

Assista abaixo a reportagem da TV UOL com a colaboração do São Paulo sobre as fontes Gioconda, São Pedro e Fontalis:
Em 50 anos, fontes de São Paulo vão de oásis a esgoto a céu aberto

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Freddy Forner 18/11/2011 at 17:22

    Realmente um absurdo. Um lugar com tanto potencial,com uma beleza que nem o descaso conseguiu apagar…poderia ser um local de passeio para os moradores da região. E essa rede de supermercados? Que falta de apego pela história!

    Reply
    • Pedro Penn 15/06/2012 at 12:26

      Moro na região há mais de 28 anos. Essa fonte realmente se encontra em condições deploráveis de abandono. Quando era criança entrava nesse terreno como aventura para explorar o local. No entanto sou obrigado a adicionar que nos anos 80 a fonte se tornou imprópria pra consumo pois se descobriu que em suas águas havia uma porção grande de radioatividade. Isso fez com que as pessoas da época não fossem mais buscar suas águas e o dono do terreno (um alemão de nome Arthur Sievers, que dá nome a rua ao lado da fonte) fechou sua visitação para o público. Parece que o terreno está em litígio judicial e inclusive, há invasores morando na casa que dá para a Av. Nova Cantareira. Ao lado há a casa dos Sievers que poderia entrar aqui pro site por ser da década de 20 e por possuir um teatro em suas dependências

      Reply
  • MARGARETE 19/11/2011 at 02:45

    pobres humanos, arrogantes e insensatos.

    o que deixaremos da história, para nossos filhos e netos?

    A natureza vai responder e quando isso acontecer será tarde demais pra se arrepender…

    Até quando seremos seres tão egoístas somente vivendo o presente?

    O tempo se encarregará da resposta…e quando isso acontecer será o começo do fim.

    e

    Reply
  • Mariana 19/11/2011 at 17:06

    Brilhante matéria! Brilhante pesquisa! Tristes descobertas. Será que é possível entrar com pedido de tombamento dessas fontes? Se bem que ser tombado não quer dizer muita coisa, né? Tem que tombar o prefeito!

    Reply
  • Ugo Barberi Gnecco 19/11/2011 at 17:15

    Boa tarde.
    Só discordo da parte: “Fossem de baixa renda, os tratores não iriam perdoar.”
    São vários lugares no estado de São Paulo, onde existe ocupação irregular, desmatamento, descuido, apenas p/ dizer o mínimo e ningem faz nada, sob alegação de ser baixa renda.
    O descaso e destruição ocorre todos os dias, qq q seja o governo e sob várias e diferentes desculpas.
    Vejo por exemplo, ao redor do rodoanel e Régis Bittencourt, o desmatamento e ocupação, tanto por multinacionais, como por favelas…
    Obrigado.

    Reply
  • clelia person lammardo 20/11/2011 at 22:45

    Há 40 anos atrás eu e eu marido iamos buscar água na Fonte Gioconda, todos os finais de semana. Era um verdadeiro passeio ir à Cantareira, região que por si só era muito bonita. E esse contato com a natureza fazia muito bem à nossa saúde. Mais alguns espaços que pertencem ao passado. Mas o lamentável é encontrá-los neste estado de destruição.

    Reply
  • Paulo Branco 21/11/2011 at 01:00

    Morei meus primeiros 26 anos na região, e ainda frequento amiude, ja conhecia as fontes mas não sabia da existencia de tanta coisa na fonte são pedro. parabens pela matéria.
    eu tenho um livro chamado São Paulo tramway tremembé que fala das fontes, vou pegar dados e passar pra voceis. Sei que na fonte São Pedro em seu inicio havia uma especie de Piscina, que servia ao lazer das pessoas nos finais de semana. Isso bem no começo do século xx.
    Da Gioconda me lembro de quando eu era bem pequeno que meu pai levava a familia a Mairiporã e eu criança adorava pedir que ele voltasse pela estrada da roseira para pararmos na gioconda por que a agua saia da boca de Leoes, e eu adorava aquilo.

    Reply
  • Paulo Branco 21/11/2011 at 01:05

    na Fontalis à pouco tempo a tras eu ia buscar agua em galao para minha mãe que fazia questao. Ali era uma empresa engarrafadora. deve ter poluido e eles perdido a licença talves.
    Agora vejam a ironia: recentemente no bairro um pouco mais afastado no “sitio dos Coqueiros” uma empresa derrubou centenas de arvores e abriu…. uma engarrafadora de agua mineral. Ali bem perto de um monte de casas da civilização etc. curioso não é?

    Reply
  • Paulo Branco 21/11/2011 at 19:46

    Eduardo Brito informa em seu livro: São Paulo Tramway Tremembé, que a Fonte São Pedro foi descoberta em 1922, e que se pagava 50 réis para frequentar a piscina natural existente no local. Informa também que a Fontalis tinha o nome original de Fonte são joão (no livro diz que toda fonte de água tem nome de santo)e iniciou atividade comercial em 1933 e depois fechou na decada de 60, sendo comprada em 1988, quando foi modernizada, sedo que foi fechada a pouco tempo.

    Reply
  • Eduardo Britto 24/11/2011 at 17:03

    O Paulo Branco acima foi na mosca: o livro São Paulo Tramway Tremembé, volumes 1 e 2, traz boas informações sobre essas fontes: GIOCONDA: linda, com afrescos e esculturas, foi desativada na década de 1970, devido à poluição gerada pelas casas que começaram a ser construídas serra acima. Está em um enorme terreno, mas de relevo tão acidentado que os incorporadores não arriscam empreender ali. SÃO PEDRO: o grande lance era a piscina natural,que está na memória de todos no Tremembé que têm mais de 70 anos. É de supor que foi fechada porque o córrego que passa na frente – conhecido como córrego Esmaga Sapo – ficou poluído e fedorento como todo córrego de bairro, e afugentou a clientela. FONTÁLIS: foi modernizada pela família Begliomini, e envazava ali, com equipamentos argentinos, água em galões que eram vendidas em caminhões e a moradores que chegavam de carro. Eu mesmo comprei muita água ali. Fechou há uns 6 anos, os Begliomini venderam o terreno para a família que é dona da FAculdade Cantareira, os Meimberg. O vereador Juscelino Gadelha tem um projeto de transformar a área em parque. Quem quiser comprar os livros São Paulo Tramway Tremembé pode contatar o email britto@znnalinha.com.br

    Reply
  • Eduardo Britto 24/11/2011 at 17:06

    ET.1: Parabéns ao São Paulo Antiga por mais um belíssimo registro. ET.2: continua a luta de moradores e ambientalistas contrários à passagem do Rodoanel Norte a apenas 11 km da Sé. Vai (?) passar sobre a Fazenda Santa Maria, gigantesca área verde ali na Vila Albertina, a 11 km do centro.

    Reply
  • amaury 24/11/2011 at 17:21

    onde exatamente fica a Fontalis?

    Reply
    • Leticia 13/09/2016 at 15:14

      Senão me engano fica ao lado da Garagem da Sambaíba, na Av Maria Amália… não sei se ainda está com uma placa que informa que é do Colégio Jardim São Paulo. Espero ter ajudado 😉

      Reply
  • Leonardo Cuevas 02/12/2011 at 14:45

    Fico pasmo ao perceber com a naturalidade esta cidade acaba com seus próprios alicerces.

    Com a minha esposa e filho tembém nos adentramos na Gioconda (http://xupakavraz.wordpress.com/2010/08/10/tales-sunt-aquae-qualis-est-terra-per-quam-fluunt/) e tambem vemos a tristeza que virou a fonte São Pedro.

    Mas o descaso é generalizado, basta perceber como a Av. Nova Cantareira está sinalização de chão há anos. Faixas de pedestre? Pedestre não tem vez.

    Reply
  • Paulo Branco 03/02/2012 at 00:23

    Fico me perguntando se a grande briga contra o rodoanel não é apenas devido ao interesse pessoal das pessoas que estão sendo atingidas e não querem ser removidas. apesar de a maioria ter invadido ou comprado terrenos de lotes ilegais na serra.
    digo isso por que ha na serra todo tipo de invasores igrejas condominios etc. tudo à destruir e devastar esse nosso patrimonio. mas agora elegeram o rodoanel como o grande inimigo da nação. Estão apenas preocupados com seus proprios umbigos. Não estão nem ai com a serra. Por isso sou a favor do rodoanel.
    espero que ajude a disperçar a poluição de São paulo.
    Sou a favor da preservação da serra. desde Que se tirem os condominios de luxo, os ivasores, os loteamentos irregulares, as igrejas e deixem so a mata. agora se estes anteriores podem, por que o rodoanel não?

    Reply
  • amaury 05/02/2012 at 23:46

    a Fontalis fica em algum lugar secreto?

    Reply
    • valdeci alves costa 14/08/2013 at 18:04

      SE NAO ME ENGANO FICA AO LADO DA EMPRESA DE ONIBUS SAMBAIBA NA AV. MARIA AMALIA LOPES DE ZEVEDO

      Reply
  • Paulo Branco 07/02/2012 at 23:21

    Amaury, a fontalis fica na Av. Maria Amalia Lopes de Azevedo do lado da garagem da Sambaiba, que ja foi deposito da telhanorte, em frente ao totem que aparece na segunda foto.
    Agora o numero eu nao sei.

    Reply
    • amaury 08/02/2012 at 12:31

      obrigado!

      Reply
  • Rolando 14/04/2012 at 11:04

    “Tales Sunt Aquae Qualis Est Terra Per Quam Fluunt” perfeito! hoje poluída tal qual a terra por onde corre!

    Reply
  • Marcelo D’Auria 29/04/2012 at 10:15

    O terreno da fontális já apresenta uma plca de uma fonstrutora, parece que a Faculdade Cantareira irá mesmo se instalar por lá!

    Reply
  • Diego Mondevaim 20/05/2012 at 15:08

    Acabei de ir lá confirmar, e os Srs. que ali trabalham, vendendo frutas, disseram que será construída uma Faculdade Cantareira. A construtora é a Inovalli.

    Reply
  • Diego Mondevaim 20/05/2012 at 15:19

    Observei comentários do Rodoanel Norte, trabalhei no Rodoanel Sul e acabo de Voltar da Construção da Usina de Belo Monte no Pará e já aviso que “a destruíção é feia”, a nossa Serra irá sofrer e iremos ver de perto. Apesar de ser, em boa parte de sua extensão, em Túnel por de baixo da Serra da Cantareira existirão Pontes e Viadutos que fazem um belo estrago e não acreditem nessa “balela” de que tudo é feito dentro dos procedimentos corretos de desmatamento e meio ambiente, porque não é !
    Estou preocupado com a Clube da Sabesp e seus maravilhosos tanques e cachoeiras, existe um ponte exatamente em cima do lago da esquerda.
    Na hora que o prazo aperta, que os políticos precisam do negócio pronto, sai da frente pois passam por cima e dão um jeito.
    É triste, mas é o país que vivemos e ninguém faz nada. Nem se quer tem coragem de vir aqui e contar essas coisas. Trabalho com construção, porém estudo engenharia (Civil) e a palavra Engenharia não é e nunca foi honrada pela maioria dos engenheiros desse país. “Nego quer se formar engenheiro pra ganhar dinheiro”.

    Reply
  • Suely Moraes Ceravolo 14/12/2012 at 11:46

    Comentário: Conheci a Fonte Fontalis. Aliás, meu avô – José Moraes, nos levava lá em um Chevrolet, 1931, que chamávamos de “Violeta”. Sentados num banquinho que ele mandou fazer para ficar no banco de trás, eu e meu irmão Gerson Mario Ceravolo, vinhamos em meio a garrafões de vidro, grandes, forrados por um trançando de palha rustica.

    Hoje tenho 66 anos. Ir à fonte era um momento gostoso. Foi assim que, saindo do Belém, aprendi a construir referencias dessa cidade – “desvaraida” a que se referiu Mario de Andrade -, e localizar, por exemplo, o bairro de Santana e o do Tremembé.

    Em Tremembé, quando eu era bem pequena, uns 4 anos – morava numa casa ‘mágica’ que tinha adega no sub-solo, uma tia de minha mãe; a tia Isabel. Uma casa com corredores, pés de pitanga, um banheiro gigante – se me lembro – de azulejos verdes. Tinha uma torre arredondada.

    Lembro também – e, principalmente – do cheiro da Fonte Fontalis. Até hoje. Gostaria de sentí-lo novamente. É, para mim, cheiro de infância. Um odor de mato, gruta, de humidade. Havia, dentro da fonte, entre as pedras dois fios de água, cobertos em parte por um vidro grosso que ficava coalhado de gotinhas d’agua que impedia de ver com nitidez aquela água cristalina.

    Meu avô – ou meu pai – Mario Ceravolo, lavavam os garrafões e ficávamos esperando enchê-los. Parecia um tempão. Meu irmão, lembra que era um terreno grande e no fundo o galpão entre pedras e a mina d’água, acumulada num reservatório com as torneiras para encher os garrafões.

    Eu e meu irmão brincávamos por ali. Subindo as pedras ou na terra. A Fonte Fontalis fez parte de nossas aventuras infantis.

    Há uma contemporênea, Heloisa Figueiredo, cujo o avô – o sr. Paulo Figueiredo – que até aonde sabemos, foi um dos proprietários dessa fonte, talvez lhe possa contar mais.

    Minha familia até hoje tem ‘mania’ de água. Até a alguns anos atrás, meu pai, hoje com 95 anos, tinha no carro um recipiente térmico para – no caso de aparecer uma fonte no caminho – enchê-lo.

    Pensei que fosse ‘mania’. Até que li um artigo acadêmico explicando como chegaram os filtros nas casas. São Paulo sofreu problemas de contaminação – especialmente nas áreas baixas, as várzeas – nas quais estavam os bairros dos imigrantes – italianos e portugueses em particular – aonde deixaram suas raízes. Assim, o que meu avô fazia – e nos ensinou – foi prover a familia com água potável e boa.

    Assim ficou.
    Uma pena a Fonte Fontalis estar destruida…

    Reply
    • Andrea 25/11/2014 at 23:21

      Sra. Suely, estou emocionada com seu relato.
      Fora a sua escrita, que perfeição .

      Reply
    • Elisabeth Pina Figueiredo 26/11/2014 at 21:11

      Suely, tenho 61 anos e conheci muito bem a Fonte Gioconda. Íamos todo domingo buscar água para a família. Morei na região do Horto Florestal, Tremembé e Palmas do Tremembé, durante 40 anos e ainda tenho família e amigos em Tremembé, sinto muitas saudades e também sofro muito com a degradação do bairro e a falta de educação ambiental das pessoas.
      Obrigada pela suamensagem, me trouxe belas lembranças. Tenho fotos da Fonte, vou mandá-las para publicação. Grande abraço a todos.

      Reply
  • joao roque 05/03/2013 at 15:22

    Me lembro com saudades da fonte gioconda, onde por muitas vezes, matei minha sede, no entanto muitos falam de presevação como os donos da mansoes na serra da cantareira, mas são tão ipócritas, pois reclamam do rodonel por exemplo, mas já poluem a muito tempo, são a fazor da preservação da natureza, desde que não mecham com o seu conforto, nem com seu patrimonio.

    Reply
  • Antonio Carlos 15/11/2013 at 12:46

    Muitos culpam políticos, como prefeito, governador, mas a grande verdade é que os maiores culpados por muitas coisas como essa que acontecem, como perda de alguns lugares importantes e históricos, rios e fontes que ficam poluídas, em sua maior parte a culpa maior é do povo.

    Reply
  • Jade Windsor 15/11/2013 at 20:38

    Parabéns pela matéria! Fico triste quando leio uma coisa dessas… ainda não me acostumei que vivo num país que não valoriza seu patrimônio histórico e natural.

    Reply
  • Daniela 01/04/2014 at 16:34

    Petição:

    http://www.peticao24.com/pela_criacao_do_parque_fonte_gioconda

    Pela Criação do Parque Fonte Gioconda

    Reply
  • Luis Carlos 03/05/2014 at 12:41

    O terreno onde fica a fonte fontalis foi vendido a algumas semanas à construtora Inovalli, passei ontem por ali e tambem tive lembrancas de subir naquele lugar para pegar agua em galões. Os muros foram revestidos e é provavel que em alguns dias comece o desmatamento para o loteamento do local. Muito triste.

    Reply
  • znnalinha 01/07/2014 at 22:04

    O terreno da Fonte Gioconda está listado no Plano Diretor para se transformar em um parque municipal. Confiram em http://www.znnalinha.com.br/portalnovo/index.php/parque-fonte-gioconda-em-gestacao

    Reply
    • Douglas Nascimento 01/07/2014 at 23:18

      Que boa notícia Britto! Abraços

      Reply
  • Douglas Nascimento 25/11/2014 at 11:59

    Artigo atualizado com novas informações, novas fotografias e com um vídeo produzido no local pelo UOL com a colaboração do São Paulo Antiga

    Reply
  • Suzi Silva 25/11/2014 at 22:34

    Incrivel a capacidade de destruição do ser humano, fontes lindas, locais maravilhosos destruidos por causa da ganância. Mas o resultado está ai com as represas secas e a população agindo com descaso pensando que com uma simples chuva as represas ficarão cheias novamente.

    Reply
  • Getulio Ferreira Silva 26/11/2014 at 11:40

    Lembro dessas fontes, lembro também de uma que ficava em uma travessa da Av Mazzei, se não me engano na Rua Guarajá.

    Reply
  • Margot Paes 27/11/2014 at 07:39

    A fonte Gioconda será um PARQUE MUNICIPAL !!!!!
    SERÁ ??????
    Torço muito para que isso aconteça!

    Reply
  • Flávia Lima 03/12/2014 at 13:06

    Imagino a decepção que os responsáveis pela construção das fontes não teriam se fossem vivos ainda hoje…Engraçado que no passado as pessoas viam o século 20 como uma era promissora em termos de progresso, modernidade.. Só , creio, ninguém imaginava que a conscientização do homem não acompanharia essa evolução. Hoje, apesar de todo o avanço científico que tivemos, somos mais ignorantes e atrasados do que esses ilustres empresários e homens de visão do passado. Infelizmente, essa esperança que a gloriosa sociedade dos séculos passados tinha para com o futuro, é impossível ter nos dias de hoje.

    Reply
  • Pardo 16/02/2015 at 21:38

    Isso só demonstra que São Paulo atualmente está nas mãos dos bandidos, dos “nóias” e dos especuladores imobiliários que estão agindo em parceria com “nossas otoridades locais” (que também não deixam de ser bandidos), logo, construir prédios e transformar a cidade num conjunto de “pombais de luxo” é bem mai$ importante do que preservar fontes de água para o povo, a propósito… qual é a cidade que está enfrentando a “crise da água” mesmo???

    Reply
  • Denis 14/06/2015 at 13:26

    É muito importante lembrar dos erros da nossa urbanização. Mas discordo em destacar culpa dos “bacanas”, se a destruição também foi causada por miseráveis. Aliás, foram os bacanas que construíram e mantiveram essas lindas fontes enquanto funcionaram.
    É um absurdo essa generalização do ser humano destruidor. Eu não sou e não visto essa carapuça. Assim como eu, conheço muitos outros que fazem de tudo para progredir em equilíbrio.

    Reply
  • Gilmar Altamirano 15/06/2015 at 09:36

    Parabéns ao Douglas Nascimento por mais esse resgate da memória da “água” e de São Paulo. Como ideia, o pessoal do Supermercado Sonda poderia adotar efetivamente a restauração da Fonte São Pedro como responsabilidade socioambiental. Seria uma excelente ação de educação ambiental e resgate histórico. Bom para água, bom para a comunidade e bom para o Sonda.

    Reply
  • PAULO RESENDE 10/12/2015 at 16:16

    Ao lado da fonte Gioconda bem perto da entrada da rua Artur Sievers, estão fazendo nova construção irregular, mas dessa vez com classe, os pedreiros só trabalham aos fins de semana e constantemente o “proprietario’ da invasão, visita a obra com SUA VIATURA POLICIAL .

    Reply
  • Maria Cristina da Silva 11/01/2016 at 18:20

    Conheci as três fontes, buscava água quando era criança, a Gioconda era belíssima, a Fontalis,na frente havia dois pequenos lagos, com cisnes, patos, eu passava enfrente e parava para olhar. A São Pedro também. Isso fora outras duas, que foi murada , mas que servia para os moradores servirem-se de suas águas,para lavar roupas, banhos, e para fazer comida e saciar sua sede. Boas lembranças de minha infância.

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  • Rodrigo Amaral 13/09/2016 at 12:02

    Faço uma correção. O trecho “(…)E isso vem das casas que ocuparam a parte superior, na serra. Mas como em boa parte são casas de “bacana”, elas permanecem lá até hoje. Fossem de baixa renda, os tratores não perdoariam.(…)” mereceria ser alterado, primeiro, para corrigir equívocos, depois, para informar melhor.
    O córrego ao lado da fonte se chama “Córrego do Esmaga-Sapo”, e ele nasce no sopé da serra, percorre a Vila Albertina, passa ao lado da Fonte S. Pedro e deságua no Córrego do Tremembé. Não há coleta de esgotos no entorno do córrego por culpa da SABESP, que não fez a rede necessária. Por conta disso, além da contaminação do lençol freático, há o despejo clandestino de esgoto in natura no córrego. A Vila Albertina está longe de ser um local de “casas de bacana”, como o autor escreveu. É, ao contrário, local de moradias humildes.

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  • Denise Alexandre 27/09/2016 at 16:38

    Parabéns pela matéria!

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