Recentemente publicamos um artigo contando um pouco da história do jornal paulistano O Estado de S. Paulo em 1917. O texto mostrava o cotidiano do jornal cerca de um século atrás, com fotos da época.

Pouco depois, começamos a receber inúmeras mensagens de leitores do blog São Paulo Antiga perguntando se o antigo prédio da gráfica do Estadão, na rua 25 de Março ainda existia. Como não sabíamos se ele ainda estava de pé ou não resolvemos ir a campo para tentar encontrar o prédio.

Abaixo, o prédio nos idos de 1917:

No início do Século XX, uma pacata rua 25 de Março.

Não tínhamos ideia do número prédio e não encontramos referências publicadas, então, fomos até a rua em busca do prédio do Estadão. E encontramos!

O local não é mais nada do Estadão (mas não sabemos se eles venderam o edifício ou somente alugaram), mas hoje é uma grande loja chamada Niazi Chohfi. Apesar de ter sido bastante modificado da época que era uma gráfica para os dias atuais, é possível notar claramente que trata-se do mesmo edifício, como ilustra foto a seguir:

Hoje, a Rua 25 de Marça é um endereço movimentadíssimo.

Podemos notar uma profunda modificação na fachada, onde os antigos adornos foram removidos e os detalhes mais característicos do início do século passado foram também retirados. O antigo relógio que ficava no terceiro andar também não existe mais (onde será que ele foi parar ?) e a única porta do imóvel que era no canto direito foi ampliada e transformada em três grandes entradas, para deixar a loja mais à mostra. O prédio também cresceu, ganhando três novos andares.

Uma das características do antigo térreo da gráfica do jornal era que ele tinha um pé direito bastante alto, para poder acomodar a enorme rotativa Marinoni, que tinha a altura de praticamente dois andares do edifício. Isso se reflete no prédio atual, pois para ir ao primeiro andar é preciso usar uma comprida escada rolante.

O antigo edifício ganhou três novos andares.

Apesar de bastante modificado o antigo edifício ainda está lá. Muitas vezes não é possível preservar a cidade inteira, e muitos prédios antigos, do início do século passado, precisam necessariamente passar por uma série de adaptações para se manterem competitivos e utilizáveis nos dias atuais. O Blog São Paulo Antiga está muito contente em ter encontrado a antiga gráfica do Estadão ainda de pé e em excelente estado de conservação.

Quando for fazer compras na região da 25 de março, não deixe de passar pelo edifício e contemplar. Muitas das notícias que foram destaque por boa parte do século XX sairam de dentro deste prédio.

Curiosidade: Já notaram que o jornal sempre escreve O Estado de S. Paulo abreviando o “São” ?

Saiba mais:

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Alexandre Giesbrecht 09/11/2010 at 13:49

    Sobre a curiosidade, sim, já tinha notado, e, inclusive, isso foi objeto de uma disputa animada na Wikipédia, em relação a como nomear o verbete sobre o jornal. Venceu o bom senso: “S.”

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  • MaGioZal 09/11/2010 at 13:53

    Interessante! E graças ao Cidade Limpa, a fachada está bem visível… anyway, o curios é notar que se eu olhasse este prédiop agora pela primeira vez e não soubesse de sua história, eu chutaria que ele ele seria dos anos 1930…

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  • Renata 09/11/2010 at 20:19

    Excelente trabalho o de vocês. Mais uma bela lembrança que está muito viva e tomara que continue assim.

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  • Daniel Lorzsche 09/11/2010 at 20:49

    É “O Estado de S. Paulo” para não confundir com o “Estado de São Paulo”, um é um jornal, outro um estado federativo do Brasil.

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  • Cley Scholz 10/11/2010 at 18:09

    A história contada pelos anúncios impressos:
    http://blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao/

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  • História do Estadão « Reclames do Estadão 04/01/2011 at 17:17

    […] local funciona a loja de artigos importados
    Niazi Chohfi. Veja como está o prédio hoje no site São Paulo
    Antiga. Assista o filme que mostra como o jornal era feito em 1935
    AQUI. Outros reclames sobre jornalismo […]

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  • pery 10/07/2011 at 15:32

    A fachada antiga era bem mais bonita. Lamentável…

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  • Felipe Herculano 04/12/2011 at 00:02

    Hoje estive na 25 de março…
    A multidão de gente não ajuda, mas como ainda tem casarão lindo naquela rua hein?
    A SPA chegou a catalogar todos? Só no entorno da 25 de março com a Barão de Duprat tem uns 5 ou mais!

    É certo que muitas construções estão desfiguradas ou abandonados, além de muito lixo, mendigos, cheiro de urina e o pior de tudo: falta de memória e educação…
    Essa é a revitalização do Centro Velho, prometida pelo pode público?

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  • Por dentro do Estadão – Parte 2 — São Paulo Antiga 09/01/2012 at 15:50

    […] Relacionados Por dentro do EstadãoGráfica do Estadão – 1917 & 2010A fauna brasileira escondida na Catedral da SéSobrado – Rua Pedro Taques, 84Casa – Rua […]

    Reply
  • Carla Battistella 11/01/2012 at 16:33

    Como a fachada antiga era charmosa!
    Ollhando as duas fotos eu sinto voltar no tempo.
    Sensacional.

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  • claudia 20/01/2012 at 16:12

    adoro saber histórias sobres prédios antigos.As vezes gostaria de fazer arquitetura de tanto gostar desse assunto.

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  • Lúcia Maria 02/02/2012 at 13:31

    Sou apaixonada por minha São Paulo. Com repúdio e tristeza vi prédios históricos irem pelos ares. Entretanto sabia que o Estadão jamais permitiria detonar com sua história. Sou fã número um e leitora assídua deste grande jornal.

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  • Saulo Adriano 08/01/2014 at 10:28

    Obrigado pelas informações. As fotografias indicam que o prédio ganhou mais andares: hoje tem 10. Há, inclusive, uma café no 9o. andar (rua 25 de Março, 607), com uma sacada agradável e uma boa vista para a rua. De lá se avista também parte do Mercadão e o Terminal Dom Predro. Fiquei curioso para saber quando foram feitas as modificações, digo, acrescentaram andares a este edifício que abrigou parte do jornal. O edifício Guinle, na rua Direita, de 1916, é nosso proto-arranha-céu com seus 7 andares, e foi o primeiro a ser construído com concreto armado. O Sampaio Moreira, o segundo “prédio alto” da cidade, só foi feito em 1924, e foi o nosso primeiro com elevadores. Com certeza um prédio típico de 1917 deveria ter 4 ou 5 andares, no máximo, como mostra a foto antida do “Estadão”, na rua 25 de Março, Aparentemente, foi feito com alvenaria de tijolos, e não com concreto armado. Bem, de novo, um muito obrigado pelas informações.

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