Que o cemitério da Consolação é um verdadeiro museu ao ar livre isso pouca gente duvida. Inaugurado em 1858, a principal necrópole paulistana atrai todos os dias um grande número de turistas, curiosos e estudiosos que estão por ali para conhecer obras de arte de artistas renomados, como o escultor Victor Brecheret e também para visitar sepulturas de personalidades como Mário de Andrade, Tarsila do Amaral entre tantos outros.

E quando pensamos nas obras que lá estão, temos a impressão de que o que está exposto nos jazigos e mausoléus das alamedas da Consolação são estátuas que estão ali há mais de um século ou no mínimo por muitas décadas. Mas será que é isso mesmo ?

Pouco conhecida dos visitantes, a escultura abaixo está instalada faz apenas oito anos e desperta muito a curiosidade das pessoas quando é vista:

Em um túmulo que manteremos o anonimato em respeito aos ali sepultados, uma pouco usual escultura de fibra pintada em cor de bronze destaca-se em uma rua do cemitério de poucos jazigos imponentes.

Sempre limpa e bem cuidada a escultura de traços modernos apresenta uma mulher junto a um muro segurando uma flor, enquanto ao seu lado um gatoto de pés descalços segura um ovelha.

Apesar de não ser uma das esculturas “queridinhas” da Consolação, a obra é apenas uma do vasto portfólio de Maria Amélia Botelho de Souza Aranha (*1917 +2011).

Também conhecida pela alcunha de Mabsa (como costumava assinar suas obras e que representam as iniciais de seu nome completo) a artista vem de uma família cujo sobrenome é de longa tradição na história do Brasil. Filha de um agricultor, Maria Amélia Botelho de Souza Aranha desde a juventude teve contato com a arte, tendo aulas com artistas italianos e se especializou em retratos acadêmicos.

Em 1940 casou-se também com um agricultor que era apaixonado por cavalos, sendo que estes animais serviram de forte inspiração artística.

Sua carreira como escultora teve início no final dos anos 1980, quando enviuvou. A partir dai Mabsa deixa de lado os retratos acadêmicos e a pintura para dedicar-se a escultura, entre elas esta tumular que está no Cemitério da Consolação e é datada de dezembro de 2010 (veja foto abaixo). Possivelmente foi a última escultura da célebre artista, que faleceu em setembro de 2011.

Além da pintura e da escultura, Maria Amélia Botelho de Souza Aranha destacou-se também como escritora de livros de história e de ficção. Outra curiosidade é que Mabsa é neta de Carlos José de Arruda Botelho, ou Dr. Carlos Botelho como era mais conhecido, que abriu o Parque da Aclimação ao público e também foi responsável por dar nome de pedras preciosas para várias ruas próximas ao parque.

Na parte de trás da escultura a assinatura da artista

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Regina Albrectsen 25/10/2018 at 17:47

    Maravilhoso. Obrigada!

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  • Paulo Nakamura 25/10/2018 at 18:22

    Tem alguma explicação sobre o que a obra representa?

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    • Adriano Tomino 03/11/2018 at 04:10

      Segundo a simbologia normalmente usada em túmulos a mulher segurando o girassol significa que ela foi devota da Igreja Católica, o menino representa a morte de uma pessoa jovem e a ovelha representa inocência e pureza, normalmente é usada em sepulturas de crianças. Interpretei a flor como girassol por causa do tamanho e o centro
      redondo e largo.

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  • Clarice Spoladore 26/10/2018 at 07:16

    Que trabalho fantástico!

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  • PraQuesia Ferreira 26/10/2018 at 17:57

    Estive no Cemitério da Consolação e quase fui assaltada.Sai correndo mas o que pude ver me encantou.Muita beleza em meio a morte

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 26/10/2018 at 22:33

    Que tipo de obra artística ela representa?

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