A região central da cidade de São Paulo é repleta de hotéis de todos os níveis e estrelas. Nesta região, é possível ao turista escolher um hotel de acordo com suas posses, do mais simples até aos mais sofisticados.

Apesar disso, a realidade do mercado hoteleiro paulistano na região central já foi muito melhor do que nos dias atuais. Inúmeros hotéis que antes disputavam a clientela foram fechando as portas, seja por dificuldade financeira, perda da clientela, degradação da região ou outros motivos.

E foi assim que hotéis famosos como o Hotel São Paulo, Hotel Danúbio, Hotel Pão de Açúcar, Urca Hotel, Cad’Oro e outros deixaram de existir. E com o antigo e charmoso Hotel Grão Pará, não foi diferente.

O Hotel Grão Pará em 1974 / Crédito: Antonio Gomes (clique para ampliar)

Localizado no antigo número 39 da Praça da Bandeira, o Hotel Grão Pará foi um dos importantes endereços hoteleiros da região central da cidade de São Paulo, sendo inclusive presença constante do saudoso Guia Levy.

O hotel concluído em fevereiro de 1944.

O hotel concluído em fevereiro de 1944.

Inaugurado no início de 1944 e localizado próximo de grandes empresas e de todo o intenso movimento da região, o Grão Pará sempre estava com uma ótima taxa de ocupação. Aliás, não era fácil manter um bom hotel naquela região, já que ao lado dele existia o famosíssimo Hotel São Paulo e cerca de 300 metros também havia o elegante Othon Hotel.

Na foto é possível notar que a disposição da Praça da Bandeira à época ainda favorecia o comércio na região. O terminal ainda não era isolado e as pessoas podiam circular livremente pela movimentada avenida sem correr o risco de um atropelamento.

No postal,a Praça da Bandeira em 1977,vista provável de um dos quartos do hotel. (clique para ampliar).

Com o tempo, as modificações viárias chegaram e a degradação daquela área do centro foram afastando clientes e modificando o cotidiano da região e o hotel foi enfrentando dias mais difíceis e acabou tornando-se um dos primeiros grandes hotéis da região central da cidade a fechar, problema que logo atingiria o seu concorrente vizinho, o Hotel São Paulo.

Desde então, o Hotel Grão Pará encontra-se fechado, permanecendo vivo na memória de seus antigos clientes e de paulistanos que não se esquecem até hoje do charmoso hotel da Praça da Bandeira. Atualmente apenas os estabelecimentos comerciais localizados no térreo continuam em atividade. Qual será o destino do Grão Pará ?

Confira outras fotos deste hotel (clique para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Tweets that mention Hotel Grão Pará — São Paulo Antiga — Topsy.com 11/02/2011 at 15:03

    […] This post was mentioned on Twitter by Douglas Nascimento, São Paulo Antiga. São Paulo Antiga said: Antigo Hotel Grão Pará (Praça da Bandeira) conheça e veja fotos comparativas de 1974, 1977 e 2010 – http://t.co/wLSCCYs […]

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  • Alexandre Giesbrecht 11/02/2011 at 15:30

    A localização dele é espetacular, com fácil acesso ao Centro, Paulista e Marginal Tietê. Isso demonstra que a região degradou-se muito além do aceitável. Mas o cartão postal e a foto de 1974 tornam este post um dos melhores do ano.

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  • André 11/02/2011 at 16:33

    Podia ser reformado e utilizado como moradia, assim como foi feito com o Hotel São Paulo.
    O edifício que fica do lado direito do antigo hotel também é usado para habitação.
    Já está na hora de a Prefeitura fazer algum projeto para aumentar o número de moradores no centro.

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    • Daniel 12/02/2011 at 03:44

      Desde que conseguissem atrair pessoas que tenham condições de manter adequadamente um imóvel numa região central pode ser interessante, mas se for feito de qualquer jeito vai virar outro São Vito.

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  • Renata 11/02/2011 at 17:36

    Infelizmente mais um hotel em São Paulo que poderia ser ocupado mas se encontra nessa situação. Acredito que para recuperá-lo seja fácil, pois aparentemente não está tão deteriorado.

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  • Antonio Gomes 12/02/2011 at 15:39

    Hospedei neste Hotel em 1974, 15 dias depois do incêndio no Edifício Joelma.
    Ele era tão chique que fiquei meio constrangido em continuar hospedado nele e por este e outros motivos, procurei uma outra hospedagem.
    Hoje me sinto honrado pela foto que fiz dele na época, servir para ilustrar tão importantew site.
    E ao mesmo tempo desolado pelo pouco caso que nossas autoridades fazem da história de nosso pais.

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    • Rui Amaral Jr 03/02/2013 at 11:57

      Parabéns pela foto e lembrança.

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  • Ivany Sevarolli 21/02/2011 at 18:05

    Desde o final do século XIX, a cidade de São Paulo vem crescendo sobre os antigos caminhos de tropeiros, marcos da paisagem são engolidos nesse processo dando lugar a novos marcos erigidos por novas pessoas, resista quem e que puder.

    E esse edífício nem é tão bonito assim, mas o que importa não é a beleza, é o uso que se faz dele e o reconhecimento da população sobre esse novo uso.

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  • daniel 12/03/2011 at 16:35

    Parabéns pelo excelente trabalho em prol da história de São Paulo, tenho 27 anos e busco conhecer mais da história da cidade.

    Gostaria de sugerir uma matéria sobre o Hotel Cambridge situado na 9 de Julho 210. O hotel está desativado mas atualmente no térreo do prédio acontece todos os sábados o projeto Autobahn, uma festa anos 80 tradicional em São Paulo. Como frequentador da casa fico curioso em saber mais informações.

    Obrigado!

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  • A história das etiquetas de bagagens dos hotéis de São Paulo — São Paulo Antiga 23/03/2011 at 21:15

    […] Relacionados Casarão de Marieta Teixeira de CarvalhoHotel Grão Pará2º Batalhão de GuardasCasa: rua Marquês de Itu, 663Hotel DanúbioPalacete Carlos RegaHotel Pão […]

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  • Felipe Herculano 07/11/2011 at 11:23

    Olá,

    Como foi dito na matéria sobre o Hotel Cambridge não adianta a prefeitura disponibilizar os prédios para moradores de baixa renda, que não vão ter condições financeiras de conservar os imóveis.
    Se o fizerem, em breve veremos os imóveis em condições semelhantes aos “finados ” São Vito e Mercúrio.

    Alguns órgãos da administração pública (Prefeitura, Estados e Federal) funcionam em prédios alugados, porque não desapropriar e manter esses departamentos funcionando em um desse prédios?

    Além de bem localizados (fácil acesso de ônibus, metrô) revitalizaria o centro “velho” e manteria viva a memória paulistana.

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  • guilherme salles de campos 19/01/2012 at 10:03

    E SÃO PAULO CIDADE TÃO RICA QUE SE DA AO LUXO DE DEIXAR PREDIOS ABANDONADOS,COMO PODE!BOM TA CHEGANDO AS ELEIÇÕES SERA QUE ALGUM CANDIDATO TEM PROPOSTAS P ESTE E OUTROS PROBLEMAS RELACIONADOS A PRESERVAÇÃO DO PATRIMONIO E DA CIDADE.FICAREMOS ATENTOS SENHORES CANDITATOS!

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  • Vinicius 02/03/2012 at 15:17

    Retrofit nele !!!!

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  • Rui Amaral Jr 03/02/2013 at 11:56

    Ótimo post, me parece que tempos atrás foi iniciada a reforma do prédio e depois abandonada.

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  • Luiz Eurico Ferreira Filho 30/01/2014 at 03:55

    O Hotel Grão-Pará tinha como sócio principal o advogado Amador da Cunha Bueno Jr. Seus problemas começaram com a sua morte e o seu inventário que até hoje não foi concluído. Uma de suas filhas, Cerise da Cunha Bueno, morreu há poucas semanas no Rio de Janeiro, na miséria, com 95 anos, de nada adiantou o sobrenome ilustre e tinha direito a uma fração importante do prédio mas o inventário parecia insolúvel.

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  • André Maciel Rocha 03/04/2014 at 19:20

    Há algumas semanas, passei na frente deste prédio no período noturno e haviam algumas luzes ligadas nos andares superiores. Será que tem alguém morando lá?

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  • Teresa Navarro Barbosa 30/08/2014 at 21:11

    Cresci no centro da cidade e o Hotel Grão Pará era realmente uma referência. Gerenciado por imigrantes espanhóis que vinham acolher os clientes na porta, recebia turistas, empresários e artistas. Até moradores fixos havia lá. O Hotel ainda possuía a Praça da Bandeira à sua frente com um ótimo parquinho infantil onde brinquei muito e um jardim para passear. Também não esqueço da ótima doceria ao lado do Hotel.
    Douglas, parabéns por seu trabalho e gostaria de lhe perguntar se vc sabe onde foi parar a antiga e majestosa porta do Hotel.
    Teresa

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