O centro de São Paulo sempre foi muito bem servido de hotéis, com uma leque que de opções para todos os bolsos e para todos os gostos. Isso vemos como um padrão desde a virada para o século 20.

Alguns hotéis dos idos de 1900 resistiram por décadas e até cruzaram a marca dos anos 1950. Já outros foram sucumbindo com o passar dos anos, seja pela forte concorrência ou pela desapropriação ou demolição de seus prédios.

Hoje abordaremos o Hotel Rebecchino:

Largo São Bento em 1908 (clique na foto para ampliar)

Largo São Bento em 1908 (clique na foto para ampliar)

Inaugurado nos primeiros anos do século 20, o Hotel Rebecchino ficava no Largo São Bento bem diante do mosteiro. Naquela época haviam inúmeros hotéis nas ruas Boa Vista, São Bento e Líbero Badaró e o Rebecchino era apenas mais um deles.

Com o passar dos anos por alguma razão que não foi possível averiguar, Domenico Mei, proprietário do hotel em questão, resolveu mudá-lo para a região da Luz em um novo edifício. Isso ocorreu três anos depois da fotografia acima, em 1911. A mudança de endereço foi amplamente divulgada em jornais da época.

O Estado de S.Paulo - Reproduçao

A rua da Estação que o anúncio se refere é a rua Mauá. Uma mudança do Largo São Bento para a Luz poderia significar muitas coisas. A primeira seria a possibilidade de um prédio mais amplo ou moderno. E, se de fato o novo endereço era uma construção mais nova, em questão de tamanho eram equivalentes.

Por outro lado estar na rua Mauá significava estar em uma posição mais privilegiada para abocanhar os viajantes que chegavam a São Paulo através do sistema ferroviário. Afinal, o prédio fica diante da Estação da Luz e não mais que 700 metros da Estação Júlio Prestes.

A região já tinha outros hotéis, como o Hotel Roma e o Aviz Hotel e com certeza a chegada do agora Rebequino (a grafia também mudou) acirrou a concorrência da região. Sem dúvida o prédio era mais moderno que o Roma,e até hoje ambos imóveis ainda existem.

Hotel Rebequino, na rua Mauá com Avenida Casper Líbero (clique para ampliar)

Hotel Rebequino, na rua Mauá com Avenida Casper Líbero (clique para ampliar)

O novo edifício do hotel é até hoje o mais suntuoso prédio deste lado da Estação da Luz. É uma vistosa construção em um estreito terreno retangular que se prolonga pela antiga rua da Conceição, atual Avenida Casper Líbero.

Parte do imóvel tem dois pisos superiores e uma parte apenas um. O térreo sempre teve destinação comercial, enquanto o hotel ocupava-se dos pisos elevados. Por anos, até meados dos anos 1960, o piso ao nível da rua foi ocupado pelos estabelecimentos Sztokbant, Russo & Cia e pela Casa Popular, respectivamente nos números 440 e 442.

Lateral do hotel, na Avenida Cásper Líbero (clique na foto para ampliar)

Lateral do hotel, na Avenida Cásper Líbero (clique na foto para ampliar)

Ao menos até 1965 o Hotel Rebequino permanecia com este nome e com o telefone de número 34-5418. Depois disso perde-se a referência ao nome “Rebequino”, porém o local até hoje funciona como um hotel. Se a razão social for a mesma, estamos falando de um dos mais antigos hotéis paulistanos em atividade. Isso se não for o mais antigo de fato.

Veja mais fotos deste prédio:

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

E você ? Já se hospedou em algum hotel antigo do centro ? Como foi sua experiência ? Deixe aqui um comentário.

Importante: Se você tiver alguma informação sobre Domenico Mei, entre em contato conosco!

Curiosidade: O prédio original do Hotel Rebequino, no Largo São Bento (veja foto que abriu este artigo) ainda sobreviveu por algumas décadas, funcionando como outro hotel, sede do jornal Correio Paulistano, e escritórios. Foi neste prédio inclusive que funcionou uma das primeiras sedes da Associação Portuguesa de Desportos (a Lusa) antes de ser construída a sede no Cambuci.

Posteriormente o edifício foi demolido e nada mais mais foi construído no lugar, sendo que até hoje é um espaço vazio e gradeado onde estacionam veículos.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Valeria Fulp 13/11/2015 at 18:25

    Como deve ter sido bom morar em Sao Paulo nessa epoca aurea

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  • Emerson de Faria 13/11/2015 at 21:02

    Se o hotel existe até hoje e na região em que se encontra, provavelmente é mais um dos inúmeros “hotéis de viração”, aqueles em que o sujeito pega a prima na rua, faz o programa e depois segue o seu rumo.

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    • danielpardo2015 15/11/2015 at 22:29

      EMERSON: Tirou o pensamento do meu cérebro.

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  • Luiz Henrique 16/11/2015 at 09:16

    Matéria muito boa.
    Mas, a sede da Associação Portuguesa de Desportos não fica no Canindé?

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    • Douglas Nascimento 16/11/2015 at 11:55

      Desde os anos 60 sim, antes não…
      Primeiro não tinha sede e usava este prédio que abordei. Depois foi para o Cambuci, e algum tempo depois do Cambuci (que perdeu por dívidas) foi para o Canindé.
      Fui diretor da Portuguesa (do Museu) entre 2008 e 2010.

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  • Luiz Henrique 16/11/2015 at 13:08

    Ok.

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  • Fabio 18/11/2015 at 08:36

    Vale a pena pagar umas horinhas de hospedagem para sacar umas fotos das escadas, dos quartos, do que for possível fotografar dentro. De preferência durante o dia…

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  • Ivan Nozaki 02/12/2015 at 12:29

    Puxa! Como desejo que esta região consiga um dia passar por uma revitalização e se torne um bairro cheio de lojas restaurantes e cafes…

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  • José Antônio Alves de Brito 29/01/2016 at 21:52

    Em minha infância, entre 1.950 -1.954, minha família (meu pai, mãe e irmã) hospedava-se neste hotel. Havia cofre para as jóias, pia nos quartos. Comia-se em um amplo salão-restaurante, garçons devidamente trajados, toalhas brancas de linho. As costelas de porco eram deliciosas. Tinha-se sopa, servida em terrina, como prato de entrada. Almoço e jantar! Para mim, vindo do interior de Minas, era único o apito dos trens que constantemente soava. O trem era o transporte. Passo por ali, vejo a decadência, lembro-me de Claude Levy Strauss: as cidades brasileiras só apresentam a infância, a juventude e a decadência, não amadurecem. Não permanecem.Fica a saudade, nunca superada.

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  • Cristiane 11/08/2016 at 00:21

    Douglas, o seu artigo está com alguma divergência… Veja no artigo que você anexou, o Hotel Rebecchino fica “em frente ao Roma”. O Grande Hotel Roma foi da família Cocito que construiu este edifício que você colocou as fotos, em 1900. E depois, foi o Hotel Fraccaroli. Enquanto isso, o Hotel Rebecchino, se instalou do outro lado da Rua Cásper Líbero, em frente ao Hotel Roma, em 1911. O Roma ficou até 1915, quando o Fraccaroli inaugurou em seu lugar.

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    • Douglas Nascimento 11/08/2016 at 11:23

      O arquivo é anexado é do jornal Correio Paulistano publicado em 28 de junho de 1911 e é assinada pelo próprio dono do hotel.

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      • Cristiane 11/08/2016 at 20:42

        Oi Douglas, tem razão, eu me equivoquei com as minhas fotografias antigas. o Hotel Roma é que ficava do outro lado. A priori, ele perdeu a parte que ficava na esquina que era parecido com o Hotel Rebecchino. Eu inverti os Hotéis. Grata

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        • Cristiane 11/08/2016 at 21:07

          Desculpe meu descuido …rs..

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  • Christina Meirelles 15/07/2017 at 21:39

    Olá Douglas!!! Domenico Mei é o bisavô do meu marido. Maravilhosa reportagem!!!

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    • Belmira Pascoalinho 17/09/2018 at 17:36

      Olá Christina ! Peço desculpa pela intromissão. O meu tio António, quando chegou a São Paulo em 1926, foi trabalhar para o Hotel Rebequino. Não sei se era um simples funcionário ou socio de Domenico Mei. Gostaria de ter a certeza, simplesmente para completar as minhas pesquisas genealógicas.

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  • Christina Smetana Meirelles 16/07/2017 at 10:13

    Olá Douglas!! Somos da Família de Domenico Mei. Parabéns pela matéria! Aguardo contato!

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  • José Gregório Cavalcante Mendonça 27/08/2018 at 20:32

    Meu pai foi um dos donos de um hotel que ficava na rua washington luiz o nome era hotel guanabara depois trocaram o nome para hotel coimbra ficava proximo á rua casper libero morei lá quando pequeno isso anos 60 .

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  • Belmira Pascoalinho 17/09/2018 at 17:45

    Olá Douglas ! Gostei muito da reportagem. Como comentei na minha mensagem à Christina Meirelles, o meu tio António trabalhou no Hotel Rebequino entre 1926 e 1929. Por motivos de pesquisa genealógica, gostaria de encontrar a prova deste período de trabalho. Será que durante as suas investigações, o Douglas se deparou com algum documento que me pudesse ajudar ? Obrigada

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