Compositor de óperas do período romântico italiano Giuseppe Fortunino Francesco Verdi, ou simplesmente Giuseppe Verdi foi um dos maiores mestres da ópera e considerado um grande nacionalista italiano. Sua influência alcançou o mundo inteiro.

Aqui no Brasil, especificamente em São Paulo, foi homenageado inicialmente com uma praça no final do anos 1910 que levou seu nome no Vale do Anhangabau.

Crédito: Divulgação

Na imagem a Praça Giuseppe Verdi em fotografia de 1927 (clique na foto para ampliar)

Pouco tempo depois da construção da praça, a comunidade italiana em São Paulo decidiu erigir ali um monumento que homenageasse o célebre compositor que dava nome ao logradouro. Para que isso se transformasse em realidade, foi criado o “Comitato Esecutivo per le Onoranze a Giuseppe Verdi”. Com isso foram dados os primeiros passos para a criação do monumento. Assim, em outubro de 1921, era inaugurado o Monumento a Giuseppe Verdi.

Na foto, o monumento em 2016

Na foto, o monumento em 2016

Obra do escultor ítalo-brasileiro Amadeo Zani, o mesmo autor de Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo, o monumento de Giuseppe Verdi é uma peça de bronze de 5,23 metros de altura e pedestal de granito. Somando-se a altura do pedestal e da escultura temos quase 7 metros.

Localizado até o início de 1948 na praça que leva o mesmo nome, o Monumento a Giuseppe Verdi era bastante conhecido pela população paulistana, especialmente dos que transitavam pelo trecho inicial da Avenida São João ou por aqueles que frequentavam o prédio da Delegacia Fiscal.

Foto: Divulgação

Na foto vemos o monumento à esquerda e a direita a Delegacia Fiscal (clique para ampliar)

A remoção do monumento e a destruição da Praça Giuseppe Verdi deu-se em razão de em 1947 iniciarem as obras da construção da avenida que iria conectar a avenida Tiradentes ao Vale do Anhangabau, com a inclusão do famoso “Buraco do Adhemar”.

Com isso o monumento foi deslocado para o outro lado do Vale do Anhangabau, mais próximo do Theatro Municipal, entre os famosos palacetes Prates (já demolidos) onde ele se encontra até os dias atuais.

Abaixo uma fotografia publicada em 1915 na extinta revista A Cigarra com algumas informações sobre o monumento antes de sua instalação:

O MONUMENTO A GIUSEPPE VERDI ATUALMENTE:

O monumento em 2016 (clique na foto para ampliar)

O monumento em 2016 (clique na foto para ampliar)

Quando se comenta a respeito do Monumento a Giuseppe Verdi são poucos os paulistanos que imediatamente sabem qual é e onde ele está localizado. Isso se deve justamente pelo fato do monumento atualmente estar quase escondido da população, cercado por grades e encoberto por árvores.

A localização é péssima para a contemplação da escultura, já que priva muitos dos paulistanos de poderem admirá-la. Desde que foi repaginado no final da década de 1980, o Vale do Anhangabau virou um gigante vazio. Muito cimento, poucas árvores e quase nenhuma ocupação cultural.

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O problema de manter o monumento escondido acaba, por um outro lado, sendo benéfico a sua preservação. Ao contrário de todos os demais monumentos e esculturas presentes por toda a área do bulevar do Anhangabau, a homenagem a Verdi é a única que não se encontra vandalizada, apesar de uma pequena placa na base de granito ter sido furtada anos atrás.

Seria muito interessante ver esta obra transportada para um local de maior destaque, compatível com a história do mestre compositor que foi Giuseppe Verdi.

Curiosidades:

1 – Há alguns anos atrás cogitou-se a mudança de local do monumento mais uma vez, para outro ponto do Vale do Anhangabaú. A ideia era posicionar a obra em uma das entradas da Praça das Artes, dando mais visibilidade a escultura, que está localizada em um ponto onde não é tão vista. O croqui abaixo mostra como ficaria o monumento com a transferência:

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2 – Poucos sabem mas Giuseppe Verdi tem parentes no Brasil, especificamente na cidade paulista de São José do Rio Preto. A empresa rio-pretense Rodobens foi fundada por seus descendentes.

Veja mais fotos do monumento:

O monumento em meados da década de 40.

O monumento em meados da década de 40.

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Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Marcelo Albuquerque Magalhães 04/03/2016 at 16:31

    não sei se é verdade,uma senhora já idosa comentou comigo que as “cordas” da harpa seria de ouro

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    • Douglas Nascimento 04/03/2016 at 18:04

      Não deve ser verdade, provavelmente eram de cobre e isso dá a conotação de parecer de ouro.

      Reply
  • Marcelo Albuquerque Magalhães 04/03/2016 at 16:32

    e que óbvio foram furtadas há muito tempo atrás…

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  • Luiz Henrique 04/03/2016 at 16:58

    Caramba! Como a praça era bonita! E, com o advento da estátua, deve ter ficado uma pérola!
    Mas…não é pra ficar bonito: vamos brincar de destruir tudo? Vaaaaammooooooossss…
    É claro que estou sendo irônico, mas, não dá para não se indignar com tamanha insensatez das “autoridades”.
    E isso em qualquer época. Se o monumento abordado está hoje protegido por grades, é por causa do óbvio: o vandalismo, que impera na cidade e que, se não tivermos Lei, vai continuar vandalizando por muito tempo.
    “A certeza da impunidade alavanca a criminalidade”.

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  • Fernando 04/03/2016 at 18:21

    Douglas, parabéns pela matéria.
    Já foi feito um levantamento de quanto custaria restaurar todos esses monumentos?

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  • Norma Mazulo 04/03/2016 at 20:31

    Que maravilha esse monumento, verdadeira obra de arte.

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  • Evandro Lopes 05/03/2016 at 02:18

    Este monumento deveria estar hoje na Praça das Artes. Porém a praça propriamente dita não existe, pois o terreno que deveria receber o paisagismo está totalmente murado e a população não tem acesso. O monumento passaria a ficar do outro lado do Vale do Anhangabaú, ao lado do antigo Cine Cairo (que já está degradado de novo).
    Olhem o projeto aqui, na parte esquerda ao lado do Cine Cairo:

    http://images.adsttc.com/media/images/5122/8eca/b3fc/4b64/c200/00b0/large_jpg/PA_CROQUI_02.jpg?1414463161

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  • Emerson de Faria 08/03/2016 at 12:25

    É impressionante como a cada nova intervenção o centro velho da cidade torna-se cada vez mais decadente.

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    • danielpardo2015 06/06/2016 at 22:35

      Aliás, foi por causa dessas intervenções ao longo dos anos que o centro é decadente como está hoje.

      Reply
  • Andre Fernandes 16/11/2017 at 11:27

    Um dos descendentes no Brasil foi o Milton Verdi, que ficou famoso na época do seu desastre aéreo, destino de outros desta família ao longo dos anos.

    Reply
  • Emerson L. Santos 16/11/2017 at 12:33

    Grato por compartilhar a história desse monumento. Eu trabalho há alguns anos no Edifício Martinelli, e pelas imagens acima, dá pra perceber o quanto alterado essa região do Anhangabaú.

    Reply
  • Emerson L. Santos 16/11/2017 at 12:34

    …o quanto FOI alterada…

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