Em 24 de abril de 1915, milhares de armênios suspeitos de sentimentos nacionalistas hostis ao governo otomano foram detidos. A maioria deles foi executada ou deportada. A data é, desde então, para os armênios de todo o mundo, o dia comemorativo do genocídio armênio.

Fonte: Correio Paulistano

Armênios foram mortos das maneiras mais cruéis que se possa imaginar: enforcados, fuzilados e até crucificados, isto sem contar que muitos eram obrigados a cavar suas próprias covas.

O massacre, até então sem precedentes na história foi seguido, em maio do mesmo ano, de uma lei do Império Otomano que autorizou a deportação dos armênios por razões de segurança interna, seguida no dia 13 de setembro de uma lei que ordenou o confisco de seus bens.

A população armênia de Anatólia e Cilicia foi condenada ao exílio nos desertos da Mesopotâmia. Muitos armênios morreram no caminho ou em campos de concentração.

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Com o final de Primeira Guerra Mundial, pouco tempo depois, em fevereiro de 1919, um tribunal militar de Constantinopla declarou vários funcionários otomanos de alto escalão culpados de crimes de guerra, incluindo contra os armênios, e os condenou à morte.

O Império Otomano acabou desmantelado em 1920, dois anos depois de criado um Estado independente armênio, em maio de 1918, logo absorvido pela União Soviética. O Estado turco moderno foi fundado 1923 por Mustafa Kemal Atatürk.

O MONUMENTO EM SÃO PAULO:

Oficialmente o Brasil ainda não reconhece o tenebroso genocídio armênio ocorrido em 1915. Isso felizmente não impediu a São Paulo homenagear os milhares de cidadãos armênios assassinados na Primeira Guerra Mundial.

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Inaugurado em 1966, o Monumento aos Mártires Armênios é obra do escultor José Jerez Rescalde e representa através de esculturas, o exílio do povo armênio após a lei que os otomanos fizeram para expulsá-los de suas terras. No canto direito está representada uma mãe armênia.

A obra foi instalada inicialmente no centro da Praça Armênia onde também há nas proximidades, um pequeno obelisco representado a morte dos mártires armênios. Ficava ao lado da Estação Ponte Pequena do Metrô, posteriormente renomeada para Estação Armênia.

Detalhe da escultura (clique para ampliar)

Detalhe da escultura (clique para ampliar)

MONUMENTO FICOU ABANDONADO POR QUASE UMA DÉCADA:

Hoje muito bem cuidado e gradeado, o monumento armênio esteve esquecido pelo poder público por cerca de uma década, época em que sofreu todo o tipo imaginável de vandalismo e roubo, até que teve todas as suas letras e esculturas furtadas em 2009:

O monumento em 2009 (clique para ampliar)

O monumento em 2009 (clique para ampliar)

O descaso foi a primeira grande reportagem investigativa do São Paulo Antiga poucos meses após seu lançamento, em 2009, com o título “O Monumento Fantasma” que teve ótima repercussão. A matéria ajudou a sensibilizar o Banco Induscred, que decidiu adotar o monumento através do programa da prefeitura de São Paulo conhecido como “Adote uma obra artística”.

O monumento então foi movido do centro para a ponta mais ao sul da praça, onde recebeu o restauro. Como todas as esculturas foram furtadas e o escultor já havia falecido, todas as peças foram minuciosamente reconstituídas através de fotografias.

Em 2010 o Monumento aos Mártires Armênios foi reinaugurado e o local nomeado como Espaço Cívico Comendador Yerchanik Kissajikian, que foi o idealizador do monumento.

Para conhecer mais sobre o genocídio armênio, acesse a página: www.genocidioarmenio.com.br

Abaixo mais duas fotografias:

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Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Conheça o local onde o monumento está instalado:

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Oswaldo Kazumi Sinohara 24/04/2015 at 12:27

    Parabéns !!! Sou um admirador do seu trabalho.

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  • Geraldo Pacheco Navarro Filho 24/04/2015 at 12:47

    Parabéns. Sou outro admirador do seu trabalho. São Paulo, cidade maravilhosa, porém, tão descuidada. Um verdadeiro museu a céu aberto, onde “tropeçamos” em cultura a cada esquina. Não conheço o monumento e nem sabia de sua existência, mas com certeza ainda o visitarei. Vou pesquisar mais sobre o seu trabalho para tentar fazer algo semelhante em minha cidade, que, guardadas as devidas proporções, também possui rico acervo histórico. Tento manter uma página do facebook no ar, mas o tempo para as atualizações tem me faltado.

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  • Emerson de Faria 24/04/2015 at 20:22

    Os armênios, tal como os sírios e os libaneses que imigraram para cá, ficaram pejorativamente conhecidos como turcos, devido ao fato deles terem entrado aqui com passaporte do antigo Império Otomano, hoje Turquia. Mas turcos mesmo, no Brasil quase não existem.

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  • ofelia 24/04/2015 at 20:22

    obrigada por mais essa …

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  • Claudio 27/04/2015 at 09:30

    Boa matéria, como sempre ! É uma pena que, por motivos diplomáticos, políticos ou até comerciais, alguns países como o Brasil evitam reconhecer este genocídio. Da mesma forma temos o outro lado da questão: é uma pena que um povo tenha que ter força diplomática, política ou comercial para ter suas mazelas reconhecidas pela comunidade internacional.

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  • danielpardo2015 08/05/2015 at 15:46

    Se tem um povo que merece ser homenageado são os Armênios, eles praticamente foram dizimados e hoje são tão poucos que lutam para formar um país, embora claro, dentro do coração de cada um deles haja um laço que os unam.

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