Por cerca de duas décadas o antigo imóvel do comendador Ferreira Netto foi um motivo de vergonha para a Cidade de Santos. Parcialmente destruído após anos e anos de abandono e de um grande incêndio ocorrido em 1994, o velho casarão do século 19 destoava muito da estação em frente e ajudava a deixar a região ainda mais degradada. Quem chegava por ali, fosse turista ou mesmo santista, encontrava esta visão desoladora:

O imóvel ainda em ruínas em 2009 (clique na foto para ampliar).

O imóvel ainda em ruínas em 2009 (clique na foto para ampliar).

Com apenas três paredes originais se sustentando em pé, parecia ser impossível que um dia fôssemos observar o local recuperado. Entretanto, ao menos desde 2008 já se falava na possibilidade de ali se erguer o futuro Museu Pelé.

A região do Valongo e do Porto de Santos realmente carecia de uma grande obra de impacto que não só devolvesse a beleza a região mas que também fizesse com que o movimento turístico tivesse um grande crescimento.

Era visível que não seria fácil restaurar o velho casarão neoclássico de 1865, que depois de pertencer ao comendador ainda foi sede da Câmara Municipal e da Prefeitura de Santos, até 1939 quando os dois poderes foram transferidos para a Praça Mauá, onde estão até os dias de hoje.

O local em meados do século 19 (clique na foto para ampliar)

O local em meados do século 19 (clique na foto para ampliar)

As duas fotografias abaixo, de 2009, mostram exatamente a visão desoladora do prédio até alguns anos atrás.

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Vista a partir da rua do Comércio (clique na foto para ampliar).

Vista interna a partir do andar superior (clique na foto para ampliar).

Vista interna a partir do andar superior (clique na foto para ampliar).

Com apenas parte da construção original ainda em pé, era evidente que não seria fácil e nem apenas uma restauração, mas sim uma completa reconstrução do imóvel, para que ele pudesse voltar a vida tal qual era em seus tempos áureos passados.

E, ao custo de aproximadamente R$50 milhões, bem gastos por sinal, foi possível ver o que eram apenas escombros e ponto de degradação e sujeira voltar a ser um dos mais belos e grandiosos imóveis do centro histórico de Santos:

O local atualmente, motivo de orgulho para Santos (clique para ampliar).

O local atualmente, motivo de orgulho para Santos (clique para ampliar).

Observar este imóvel completamente restaurado não é apenas motivo de orgulho para a população de Santos, mas para todos os brasileiros. O Museu Pelé é realidade e mostra que é possível sim unir forças em prol da defesa e preservação do patrimônio histórico nacional.

Praticamente reconstruído do zero, o velho casarão deu lugar a um conjunto arquitetônico impecável que revitalizou completamente o local, que já contava com outros dois belos vizinhos: a igreja do Valongo e a estação ferroviária, desativada mas bastante preservada.

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O imóvel por dentro é muito moderno e com arquitetura contemporânea, mais adequado aos museus da atualidade. O prédio é composto de três blocos que foram divididos desta forma: Bloco Central (mais baixo), com a entrada do museu, espaço para café e lojas. Bloco 1 para áreas de exposições temporárias e auditório, e Bloco 2 para o acervo de Pelé, com objetos pessoais, fotos, bolas troféus, vídeos e materiais impressos (jornais, revistas, livros etc).

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A porção exterior do museu também foi beneficiada com o restauro, não só com o calçamento todo refeito mas também um marco importante, bem diante da entrada do museu: A impressão em bronze dos pés do Rei do Futebol, como uma calçada da fama deste que é um dos grandes ídolos esportivos do Brasil:

As pegadas de Pelé, agora eternas (clique na foto para ampliar).

As pegadas de Pelé, agora eternas (clique na foto para ampliar).

Logo em sua abertura o Museu Pelé mostrou-se um grande sucesso de público e crítica, com mais de 7.000 visitantes logo na primeira semana de funcionamento. Segundo estimativas da própria prefeitura de Santos, aproximadamente 60% deste público foi composto de visitantes estrangeiros, incluindo seleções de futebol que estiveram no país durante a Copa do Mundo de 2014.

Esperamos que a iniciativa privada e a prefeitura santista se unam ainda mais em prol da recuperação de outros imóveis da região do Valongo, especialmente na rua do Comércio.

Estátua de cera do Rei Pelé (clique na foto para ampliar)

Estátua de cera do Rei Pelé (clique na foto para ampliar)

A cidade litorânea já é um dos grandes atrativos turísticos do Brasil, com a Bolsa do Café, Monte Serrat, o Estádio de Vila Belmiro e o estreante Museu Pelé e tem tudo para crescer ainda mais. Nosso parabéns a todos os envolvidos neste magnífico projeto de restauro que deu ainda mais brilho ao belo centro histórico de Santos. Fica só a crítica aqui a segurança de ruas próximas ao museu, ainda um tanto inseguras.

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Abaixo, preparamos duas galerias de fotos com imagens do imóvel antes e depois da reconstrução, para que possam ter ideia da grandiosidade desta obra.

Galeria 1 – Antes da Reconstrução (fotos de 2005 a 2009) clique na foto para ampliar:

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento

Galeria 2 – Após a reconstrução (fotos de julho de 2014) clique na foto para ampliar:

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Serviço:
MUSEU PELÉ
Endereço: Largo Marquês de Monte Alegre s/n, Valongo – Santos (SP)
Funcionamento: De terça a domingo das 10h às 18h
Site: www.museupele.org.br

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • emerson toro de abreu 16/07/2014 at 18:05

    depois da saída dos 2 poderes, ele foi transformado em hotel e serviu de apoio e hospedagem para quem chegava pela estrada de ferro, cuja estação ficava do outro lado da rua. Com o declino das viagens de trem, ele passou para hospedagens rápidas, em face da prostituição que existia naquela região, quando entrou por completo em declínio, até a data do incêndio. Como santista de nascimento e morador na cidade, nunca acreditei muito que fosse recuperá-lo. Mas fiquei feliz com o resultado. Recomendo ao pessoal que vier conhecer, que faça o passei de bonde pelo centro histórico, o qual passa em frente ao museu. Parabéns pela reportagem

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  • ernani Nocciolini 16/07/2014 at 22:45

    Ainda bem que o prédio foi recuperado, e não deixaram que alguém viesse com a ideia de botar o que havia sobrado no chão e construir algum arranha-céu. .
    Não sei se a recuperação se deu com verbas do governo,, ou teve ajuda da iniciativa privada. Isto não importa. Só sei dizer que o prédio ficou maravilhoso!. Deve ser muito bem cuidado pela população.
    Quanto o povo santista deve ficar de olho nele para que não venha novamente ficar deteriorado.
    O povo brasileiro, deve ser mais patriota, e preservar aquilo que é histórico de sua cidade.
    Para os governantes, não é interessante cuidar de museus, prédios históricos, monumentos etc. etc. O que eles gostam é fazer viadutos, ,aparecer nas favelas em vésperas de eleições. Gostam também fazer obras faraônicas e aparecer na mídia para serem reeleitos. O negócio deles é votos. Cabe então o povo que paga impostos, exigir a preservação desses prédios e outras coisas mais de sua cidade. Vamos imitar outros países que preservam o que é antigo e passado histórico.
    Dizem que um povo sem história é um povo sem memória.

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  • Carlos Gama 17/07/2014 at 11:20

    O trabalho de reconstrução parece ter deixado aqueles escombros históricos em muito boas condições. A criação do Museu Pelé pode realmente ser o primeiro passo para a revitalização daquele trecho, desde que se dê continuidade ao projeto que envolve também os armazéns do porto. Em caso contrário e em tempo breve, a região será novamente infestada por tudo o que de pernicioso existe em uma sociedade onde a vida tem pouco valor e a preservação do patrimônio é coisa de raro ou nenhum interesse.
    Nesse trabalho de reconstrução do “Casarão do Valongo”, há de se louvar o tempo de execução, que foi excelente se comparado com a maioria das outras obras de restauração de bens arquitetônicos que se estenderam no tempo e se multiplicaram em cifras, indo muito além do imaginável e com resultados que logo estavam exigindo novas intervenções e reformas.

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  • nazarethlmperes 17/07/2014 at 18:21

    Belo trabalho de restauração e aproveitamento de imóvel antigo.
    Conheci a Pinacoteca Benedito Calixto de Santos e a história do Casarão branco onde esta instalada a Pinacoteca. Veja o livro à venda, lá. Trabalhei dois anos em Santos e amo aquela cidade.

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  • Luis Carlos 19/07/2014 at 03:14

    Douglas, acho que deveria fazer parte do seu arquivo a imagem via satélite do Google. As sombras são bem interessantes… Com o tempo essa imagem deixará de existir.

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  • Gilson Leite 20/07/2014 at 22:07

    Bela reportagem do Museu Pele, Parabéns,
    Há um projeto em curso chamado Porto Valongo, que promete revitalizar todo o trecho hoje abandonado do cais defronte o Museu Pele e de todo centro histórico, a exemplo de outras cidades que já fizeram como Belém no Pará e Buenos Aires levando entretenimento, hospedagem, marinas e lazer completo. O projeto também inclui uma passagem subterrânea os caminhões e trens nesta região do porto, de forma que a superfície abrangerá uma grande esplanada e calçadões para pedestres.
    A restauração dos casarões com a construção do Museu Pele,as anteriores restaurações dos teatros Coliseu e Guarany, da Estação do Valongo e de inúmeros casarões residenciais onde residiam a alta sociedade santista estão trazendo ventos novos a região do velho Valongo, coroado com a nova sede da Petrobras e construção de novos prédios comerciais e hotéis em curso, algo inimaginável há anos atrás.
    Santos possui um extraordinário e um dos mais completos acervos arquitetônicos do país abrangendo todos os estilos arquitetônicos, colonial, eclético, bele époque, neoclássico, modernista.. vale a pena visitar.

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  • Dirce Maria 02/10/2014 at 20:41

    maravilhoso.Graças a Deus foi recuperado.

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  • Raphael Marques da Graça Lopes 31/10/2014 at 11:59

    Sou arquiteto, nasci e sempre vivi em Santos, fotografo e desenho as casas antigas da cidade, principalmente as que correm o risco de se perderem no tempo em detrimento de descaracterizações ou demolições. Se hoje temos a honra de ainda podermos admirar este belo casarão do século XIX é graças a professora Wilma Therezinha, grande historiadora e defensora do patrimônio santista(peça central na criação do CONDEPASA) e que apesar do estado em que se encontrava soube enxergar o verdadeiro valor deste velho guerreiro erguido no coração de uma cidade que viu e ajudou o Brasil a crescer e lutou pelo seu tombamento. São com os olhos desta senhora que devemos olhar para nossa história e nossa arquitetura e pela qual devemos lutar e proteger.

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  • Gilson Rezende 14/12/2014 at 22:36

    Simplesmente maravilhoso, sem palavras.

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  • danielpardo2015 28/02/2015 at 20:09

    Se por um lado a restauração do prédio foi boa, pelo outro lado, ela só ocorreu porque foi para abrigar um museu de futebol, duvido que as “otoridades” fariam esforço para recuperar esse prédio se fosse para qualquer outro motivo que não fosse esse.

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