A Praça dos Artesãos Calebreses, apelidada pelos paulistanos de “Arcos do Jânio” esteve na pauta de discussão no início de 2015 com a polêmica decisão da Prefeitura de São Paulo de permitir a grafitagem neste patrimônio histórico paulistano.

Decisão acertada ou não – já falamos sobre isso aqui – o fato é que poucos sabem ou se lembram de como era a região das ruas da Assembleia e Jandaia antes da redescoberta dos arcos.

Divulgação

Valendo-se dos poucos dados oficiais disponíveis, estima-se que os arcos foram construídos entre 1875 e 1877 após chuvas torrenciais que atingiram a cidade em 1873 terem provocados grandes deslizamentos de terra entre as ruas Jandaia e Assembleia, esta última na época chamada de Travessa Santa Cruz.

Para evitar uma tragédia como o deslizamento da rua Jandaia foi decidido erguer ali um muro de arrimo. E para tal foram chamados alguns imigrantes italianos que viviam na região, que optaram por usar em sua construção as técnicas que já dominavam em seus países de origem. Foram usadas pedras italianas para a obra do arco, uma vez que não havia naquela época essas pedras por aqui.

Com a construção do muro de arrimo tudo de acalmou e aquela região voltou a seu cotidiano normal, tendo a cidade também seguindo seu curso normal de desenvolvimento. A obra na época não era vista como um patrimônio histórico, mas como uma obra pública comum.

Neste mapa de 1905, a seta mostra o local dos arcos

Neste mapa de 1905, a seta mostra o local dos arcos

E por serem obras do cotidiano da cidade, aos poucos se incorporaram de tal maneira no cenário da região que foram esquecidas por completo, até que casarões e sobrados foram erguidos por ali, entre as ruas da Assembleia e Jandaia, como se fosse qualquer outra região da cidade.

Com o passar das décadas, esta região degradou-se muito com os casarões construídos por ali se transformando em grandes cortiços, o que ocorreu, segundo o jornal O Estado de S.Paulo (edição de 30/07/1987), no ano de 1966.

Em 1987 o então prefeito Jânio Quadros determinou a desapropriação e demolição das casas ainda remanescentes na rua da Assembleia e também as existentes no lado ímpar da rua Jandaia para obras de adequação urbana. Foi ai que durante a retirada de escombros, foram redescobertos os esquecidos arcos construídos pelos calabreses.

A rua Jandaia é a que fica acima dos arcos (foto)

A rua Jandaia é a que fica acima dos arcos (foto)

Mas como era a região na época que as casas ainda estava por lá ? Como foram os derradeiros anos dos lares das humildes famílias que residiam nestas duas ruas ?

Estas perguntas poderiam ficar sem resposta, não fosse o trabalho do paulistano Paulino Tarraf. Ele visitou a região em 1978 munido de sua câmera fotográfica e uma filmadora, e graças a ele podemos ter o prazer de observar como era o cotidiano dessas pessoas e parte do casario.

Rua Jandaia (as casas do lado direito da foto não existem mais)

Rua Jandaia (as casas do lado direito da foto não existem mais)

É possível observar na foto acima que na época que ainda haviam residências do lado ímpar, parte da mureta atual não existia. Ela foi reconstruída durante o processo de restauração feito pela prefeitura em 1987.

Onde existiam muretas, serviam como espécie de mirante improvisado. Na foto abaixo, a minha favorita, podemos observar uma cena muito rara na região central nos dias de hoje: crianças nas ruas.

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Já a arquitetura das casas demolidas eram muito interessantes. Todas geminadas, possuem um estilo que ainda pode ser contemplado em outras casas da Bela Vista e até de outros bairros paulistanos. Os arcos são belos, mas também seria encantador ter esta rua hoje em dia com as casas todas preservadas.

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E estando em uma das casas do lado par, que ainda existem, é possível ver por sobre as casas demolidas e observar a Radial Leste e também parte da Liberdade:

Foto: Paulino Tarraf

O cenário tranquilo de uma rua que mais parece de um bairro distante do que de uma do agitado centro de São Paulo se complementa por esta bela cena de uma mãe e duas filhas na calçada de uma das casas que não existem mais:

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E a tranquilidade também chega pelo sorriso discreto e inocente de uma menina na janela de seu quarto:

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Enviamos algumas perguntas a Paulino Tarraf sobre suas impressões na época em que visitou a rua Jandaia e cercanias em 1978. Junto com as respostas, seguem mais imagens que ele tirou da rua Jandaia e no final um de seus vídeos mostrando a região. Uma incrível volta no tempo que chega a emocionar:

SP ANTIGAEm 1978 você fotografou a rua Jandaia e adjacências, muito antes de que o local fosse demolido na gestão do prefeito Jânio Quadros e ressurgisse os arcos, apelidados de “Arcos do Jânio”. Como era o local naquela época ?

PAULINO TARRAF – As crianças brincavam, adultos pelas janelas conversavam, porta a porta na rua Jandaia. Isto está no filme e não foi combinado com eles: apenas registrado. Quando fotografei alguns saíram às ruas e posaram. Quando filmei, amontoaram-se pelas calçadas na Jandaia. Nos vários lugares paravam olhavam para as lentes, acho que queriam um contato. Em outros momentos dos filmes participei com pessoas embaixo dos viadutos, pelas margens da 23 de maio, Chá (viaduto), Sé, entre ambulantes e pregadores da Bíblia, e manifestação contra a Carestia afrontando a ditadura já amolecendo.

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SP ANTIGA – Como era a vida das pessoas daquelas casas ? E a rua era segura ?

PAULINO TARRAF – A preocupação com a segurança como modus vivendi,  se havia não me tocou: com uma câmera, fotografei e filmei, em harmonia com os moradores tanto na rua Jandaia, quanto no resto da cidade. Não era comum alguém com super8 ou vhs pelas ruas sem rumo. Na rua Jandaia não entrei na casa das pessoas.

SP ANTIGA – Quando ocorreu a demolição, qual foi seu sentimento ? Foi positivo ou contrário ?

PAULINO TARRAF – Fui surpreendido, assim como o Jânio e os engenheiros com a existência do aqueduto ao derrubarem as casinhas . Fiquei incomodado com a demolição: ali era lindo e fazia parte de uma época. Mas conformei-me, por ser o arco de uma época mais embaixo encoberta e descoberta pelo requerimento da praticidade (espero) da urbe.

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SP ANTIGA – Em seu canal há um grande número de vídeos muito interessantes da São Paulo de outrora. Estas filmagens são um trabalho ou hobby ? Explique e fale um pouco mais sobre este seu maravilhoso trabalho.

PAULINO TARRAF – Acompanhado da máquina nas mãos nenhuma ideia na cabeça, sem prévia produção, sem pessoal técnico e sequer luz que não a natural ou sofisticadas equipagens, os recursos eram os possíveis dentro da época cabíveis no meu bolso. Não me movia, nem hoje me move, interesse no mercado. Filmo e edito para ver em casa, às vezes com alguns amigos. O You tube propiciou-me exibição. E aceitação. Acabou por estabelecer uma ponte entre nos dois.  Não era um trabalho, não era passatempo: dava trabalho? dava por ser trabalhoso! Passava tempo? Passava com gosto.

VEJA MAIS FOTOS DA RUA JANDAIA EM 1978:

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Foto: Paulino Tarraf

Foto: Paulino Tarraf

Assista ao vídeo “Rua das Casinhas” realizado por Paulino Tarraf:

E não esqueça de clicar aqui e assinar o canal dele para assistir os demais vídeos. São todos muito bacanas!

Saiba mais:

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Cybelle 15/05/2015 at 14:05

    Que bacana o registro. Achei essa demolição um absurdo. Lembro de passar de carro pela rua cujas casas eram muitos graciosas. Estavam em más condições,muitas eram cortiços, mas o ideal teria sido reforma-las, e não demolir.

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  • Luiz Rossi 15/05/2015 at 14:24

    Trabalho lindo! Parabéns a você Douglas por disponibilizar esse espaço e ao Paulino pelo trabalho e o uso do espaço!

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  • Simone Valerio 15/05/2015 at 14:26

    Apesar de ser em Sampa a vida tinha outro ritmo. Muito bem documentado. E o fundo musical está perfeito! Parabéns. Lindo trabalho!

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  • Vinicius Campoi 15/05/2015 at 14:56

    Muito interessante, já tinha baixado um video dele feito na região da Sé, nos anos 70. Esse filme, além da importância histórica e arquitetônica, é quase um trabalho antropológico. Mostra a realidade de uma população pobre e negra, inserida em um espaço urbano degradado, com o qual a não tem ligação histórica. Parabéns por esse resgate!

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  • Alan 15/05/2015 at 15:25

    Seguindo pela rua Vergueiro, na parte em que a rua é divida entre Vergueiro (parte alta) e Vergueirinho (parte baixa) ha uma foto de 1913 que mostra que a divisao das partes era feita com arcos iguais aos da Assembleia. Acredito q com a remodelacao da partebaixa da rua (apos a demolicao para a construcao do metro em 69/70) foi coberto o barranco por algum motivo…… vou lhes mandar a foto!

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  • SavianoMarcio 15/05/2015 at 16:09

    A foto em tons sépias é mais ou menos desse ponto. https://goo.gl/maps/rnDbo

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  • Carlos 15/05/2015 at 16:38

    poxa, a cidade seria tão mais bonita se continuassem com essa arquitetura.

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  • Denilson Lima 15/05/2015 at 17:00

    Caramba, eu tinha 2 anos quando essas imagens foram captadas! Que viagem no tempo!

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    • fabio 30/01/2017 at 17:40

      eu também era de 76, morava ali perto e pouco me lembro dessa rua.

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  • Ricardo 15/05/2015 at 17:36

    Muito bacana mesmo o registro! Completo e recheado de informações!

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  • Crisaide 15/05/2015 at 17:57

    Concordo com a Cybelle, fantástico teria sido revitalizar o bairro… demoliram um lado e o resto continuou cortiço. Agora está ainda pior um lado cortiço e o outro um muro todo pixado. Grafite sim é arte, mas não o que fizeram por lá, é patético, mas o prefeito suvinil gosta de passar tinta pela cidade sem a minima noção e planejamento…

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  • Emerson de Faria 15/05/2015 at 19:06

    No apagar das luzes do regime militar, as cenas registradas mostram ainda um pouco do espírito de vida comunitária que havia não somente no Bexiga dos velhos tempos, mas em toda vila e canto desta cidade, testemunha de tempos mais humanos e fraternos. O Baixo Bexiga hoje segue a marcha fúnebre da decadência e do abandono do centro da cidade, e que tem na nefasta Cracolândia seu símbolo maior, em que pouco ou nada lembra o bairro italiano de outrora e seu jeito interiorano.

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  • danielpardo2015 15/05/2015 at 20:40

    Desde sempre a politica habitacional sempre foi uma desgraça aqui nesse país.

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  • ernani 15/05/2015 at 21:59

    Não sei porque permitir que esses arcos sejam grafitados.
    Os grafiteiros que pintem muros que estão em mau estado.

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  • ernani 15/05/2015 at 22:15

    Concordo com as pessoas que desejavam que as casas e o bairro do Bixiga fossem reformadas e permanecessem como um bairro histórico. É um crime o que estão fazendo com a cidade de São Paulo.
    Eu acho que o povo não devia ficar assistindo inerte e deixando que acabem de uma vez com a nossa cidade e reminiscências históricas dos bairros. A cidade de São Paulo está abandonada pelo poder público!

    Não demora muito irão demolir o Museu Paulista (museu do Ipiranga) e construir alguns prédios populares.
    São Paulo está virando um enorme favelão e isto com consentimento de alguns políticos que adoram favelas(palavra da Marta quando prefeita). Nisto eu concordo com a ex-prefeita. Favelas é o lugar onde esses políticos sem escrúpulos, demagogos, que mentem para os eleitores, adquirem uma quantidade enorme de votos com suas promessas mentirosas.

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    • Emerson de Faria 16/05/2015 at 17:28

      A cidade como um todo deveria ser tombada para que cada rua e canto permanecessem com suas características originais, e permitir o adensamento populacional apenas na periferia ou em regiões em franco declínio e abandonadas, como a nefasta Cracolândia, mas jamais com o Bixiga, que é o bairro que mais sintetiza o jeito paulistano de ser.

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  • Maria da Gloria Bach Goncalves 15/05/2015 at 22:38

    Em dizer que passava nesta rua. Nem imaginava que havia aqueles arcos. Mas uma belezura que se foi.

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  • Luciana Anzolin 15/05/2015 at 23:54

    Obrigada querido, por me fazer voltar este passado, onde nasci e passei minha infância, rever a casa onde morei, a rua…
    Lembranças maravilhosas, só tenho te agradecer por este registro.

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  • Eudes Campos 16/05/2015 at 04:35

    Em 1987 me transferi de Sempla para o DPH. Na época, a Seção de Critica e Tombamento era chefiada pela arquiteta Myrthes Baffi. Os técnicos da seção na ocasião defendiam a preservação desse conjunto de sobrados, mas ainda não existia o conselho municipal de tombamento. O prefeito era personalista, entendeu que deveria mandar demolir tudo. Só depois descobriu o muro de arrimo de tijolos e mandou reconstruí-lo.Nós do DPH sabíamos da existência desse muro, mas eramos de opinião que as construções residenciais tinham não só valor arquitetônico mas também interesse social, já que serviam de moradia para pessoas de baixa renda. Não fomos ouvidos. Recentemente o Compresp concordou com a vandalização oficial dos arcos reconstituídos. Um erro segue outro. E a cidade, como sempre, saiu perdendo.
    arq. Eudes Campos

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  • Paulo 16/05/2015 at 06:25

    ola meu nome e Paulo,essa rua me lembra quando eu tinha uns 8 anos +ou- minha madrinha qu era francesa morava em um desses sobrado ,quem subia a ladeira ficava ao lado esquerdo de quem vinha da Se, isso nos anos 50,eu moro em Guarulhos desde essa epoca. obrigado.

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  • Joaquim Jorge Amaral 16/05/2015 at 10:01

    Realmente Douglas é triste a decadência que se observa nos dias atuais em uma região tão rica em histórias de bons tempos idos. Grato por mais essas informações. Joaquim Jorge.

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  • Jackson 16/05/2015 at 10:02

    Excelente trabalho, gerações atuais e futuras agradecem pela memória de um tempo que não volta mais, parabéns.

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  • Simone Menegussi 16/05/2015 at 21:00

    Emocionante!!! bravo! Bravíssimo!!!!

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  • Sérgio Andrade 18/05/2015 at 19:33

    Morei na Rua da Assembléia, nr 326, entre 1973 e 1980, me emocionei ao ver o cortiço onde cresci com minhas irmãs e mãe…, época em que ainda era possível atravessar à avenida 23 de maio, e jogar bola no canteiro central. Devo ter algumas fotos desta época e caso interesse, posso encaminhar por e-mail. Parabéns pelo interesse e por não deixar a história findar

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  • Antonio Imperiale 21/05/2015 at 01:37

    Sensacional…mais um registro lindo, numa reportagem interessante.
    Eu lembro dos arcos sendo inaugurados…e que haviam sido “descobertos”…
    Em 1978, eu tinha 7 anos…mais ou menos como aquelas várias crianças no vídeo, sorrindo. Hoje meu filho tem os mesmos 7 anos. Que ele também se emocione um dia em ver imagens do passado.
    E que nosso país seja melhor…por mais difícil que isso possa parecer.

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  • Mariana Araujo 21/05/2015 at 09:19

    Excelente materia.
    Sria legal se uma das pessoas que aparecem nas fotos pudesse aparecer por aqui e dar sua opinião.
    Parabens Douglas e Paulinho

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  • Luciano 23/05/2015 at 02:41

    O que eu achei mais bacana de tudo? O comentário e depoimento de pessoas aqui nesta sessão, que moraram nesta rua, e estão revendo imagens de seu passado. Isso não te preço! Meus parabéns Douglas e Paulino

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  • znnalinha 23/05/2015 at 12:09

    Adoro grafite, por isso falo com tranquilidade: a grafitagem nos Arcos foi um tremendo desrespeito, uma agressão à cidade. Que insensibilidade do prefeito e seus assessores de Cultura ao permitir isso! Votei nele, mas por essas e outras (como não ter implantado o Parque Augusta 100% até hoje) fazem seu conceito diminuirt bastante! Subo várias vezes por semana a rua Jandaia, para descer a Brigadeiro e estacionar. Trabalho no Fórum Helly Lopes Meirelles, antigo Fórum Criminal no Viaduto Dona Paulina. Sugiro ao site uma matéria nesse prédio MARAVILHOSO, que já foi sede da FIESP. Parabéns à equipe do São Paulo Antiga!! Parabéns ao Paulino Tarraf!! Felizmente existem pessoas que fazem esse trabalho fundamental de preservar memórias, que são uma alegria, que são um prazer, que são uma emoção!!

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  • kyrmse 25/05/2015 at 12:01

    Estive presente à demolição dos cortiços e a documentei em fotos (“durante e depois”). Posso pôr à sua disposição essas fotos com comentários. Entre em contato comigo!

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  • guilherme salles de campos 26/05/2015 at 20:11

    muito bom o filme e matéria,adorei td,parabéns douglas e paulino tarraf pelo belo registro.

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  • miltonralves 29/05/2015 at 11:17

    Conheço essa figura incrível: Paulino Tarraf. Ele tem um acervo imenso sobre o cotidiano desta cidade. Parabéns para SP Antiga que resgatou uma parte desse generoso trabalho.

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  • João Telles 31/05/2015 at 02:40

    Os vídeos do Paulino Tarraf nos conduzem à uma época que muitos dos que aqui comentam viveram e talvez sentem saudades, ou provoca uma certa melancolia em quem não viveu nada disso, como é o meu caso. Ao ver esses vídeos nos sentimos andando pelas ruas da São Paulo dos anos 70 e 80, em contato com um Brasil e uma cidade que não existem mais, tão bairrista: se o Jânio não as tivesse demolido, hoje essas casas estariam no chão da mesma maneira, porém pela iniciativa da especulação imobiliária. Esta atmosfera captada pelo Paulino infelizmente nem mesmo no interior paulista existe mais, dependendo do tamanho da cidade.

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  • alvino de souza dias filho 17/01/2016 at 11:58

    Excelente trabalho que remete a minha adolescência na bela vista com especial lembrança da rua Assembleia e Jandaia. Obrigado pela realização deste trabalho porque a muito eu queria resgatar imagens ou cenas daqueles lugares, e me surpreendi ao encontra a imagen de um velho e saudoso amigo que tinha um bar na Asdrubal do nascimento qye ali permaceu por 25 anos e pude revelo em cenas aqui exibidas. Muito obrigado.

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  • Marcelo 07/02/2017 at 14:52

    Acho que mal vi os fundos destas casas ou parte delas, mas pelas fotos mostradas são dum traçado interessante esteticamente falando.

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  • Márcia Bernardes Marques 08/07/2017 at 09:07

    Para complementar a informação sobre os “arcos do Janio”, procure na Biblioteca Mario de Andrade o documento fotografico “A surpresa dos arcos escondidos”, elaborado pela então Coordenadoria do Bem Estar Social da Prefeitura. Márcia

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  • EDILSON HENRIQUE MINEIRO 10/05/2018 at 19:23

    Morei na Rua da Assembleia. Estudei na Escola Maria Augusta Saraiva, fiz catequese na Catedral da Sé, comprava broa de chocolate na Padaria Java (Rua Santo Amaro), jogava bola na Rua Jaceguai…
    Ou seja, fui feliz, andando nas ruas do centro e cruzando o viaduto do chá.
    A remoção praticada pelo Jânio Quadros foi uma violência contra o direito à cidade de todos nós que alí vivíamos. Parte das famílias foi encaminhada para casinhas embrião no Conjunto Adventista e minha família para um casa de 24m2 na Cohab Sitio Conceição. Ou seja, o centro para os carros, para os ricos e o extremo da periferia para os pobres. Que esse tipo de ação sirva de lição para que os direitos humanos entrem na pauta da sociedade brasileira.
    Parabéns pelo material disponibilizado. É emocionante ver a história viva da nossa cidade.

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