Foi pelo Vale do Paraíba que foi introduzida a cultura cafeeira paulista. Entretanto, a nova capital agrícola do Estado despontava na chamada “boca do sertão”, na região compreendida além Campinas e Itu. Este fator somado com o esgotamento do solo, a abolição da escravatura e o fim do Império acarretaram em um longo período de declínio para as cidades e propriedades rurais do vale. Sem querer, muitas propriedades “sobraram”, esquecidas pelas diversas “cidades mortas” e, naquelas em volta do eixo da Via Dutra, onde o progresso acabou chegando, muitos casarões foram preservados e servem como monumentos de um passado de glórias.

Fotos deste artigo: Leandro Guidini (clique para ampliar)

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Este é o caso deste imponente casarão de 150 anos localizado na cidade de Pindamonhangaba, que tem uma curiosa e grande história, passando por vários momentos e donos diferentes até ser definitivamente colocado como patrimônio histórico e servir ao Museu Municipal.

Construído entre 1850 e 1864, com as paredes externas em taipa de pilão e as paredes internas em pau-a-pique, através dos serviços de Chiquinho do Gregório contratados pelo Capitão Antônio Salgado da Silva, o Barão (depois Visconde) da Palmeira. Sua família utiliza o palacete como moradia até aproximadamente o ano de 1913, quando é adquirido pelo Barão de Lessa, dando à casa a sede da “Escola de Pharmacia e Odontologia”.

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Fora vendida pelo inventariante do Lessa, Cornélio Lessa, em 1923 para a escola, que ali funciona até 1931, quando este doa o prédio a Santa Casa de Misericórdia de Pindamonhangaba. Começa a funcionar ali o Ginásio Municipal (depois Estadual) e a Escola Normal “João Gomes de Araújo”. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 as aulas ficaram suspensas, funcionando no local o hospital de sangue. Após o conflito as aulas são retomadas e, em 1948, o palacete sofre uma grande reforma melhorando as instalações de ensino.

Em 4 de janeiro de 1950, a Santa Casa de Misericórdia vende o prédio para a municipalidade, sob a condição de repassá-lo em doação ao Governo do Estado, ato ocorrido em 16 de janeiro do mesmo ano. Contudo, as aulas prosseguem no Ginásio e Escola normal até o ano de 1961.

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Chega o ano de 1957 e, através do Decreto Estadual número 30.324 de 10/12/1957 é criado o “Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e Dona Leopoldina”, com instalação em 08/11/1958 em sessão solene da Câmara Municipal, funcionando juntamente com a escola.

Todo o prédio é tombado pelo CONDEPHAAT em 1969 pelo processo 7.855/69, ato que gera em 1973 outra grande reforma do prédio, já bem desgastado dos anos servindo ao ensino. Esta reforma era necessária para a implantação do museu por todo o edifício.

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Em 1987 o Estado doa o prédio ao Município, porém, apenas no ano de 2000 que é começado um demorado processo de doação do acervo do museu à municipalidade, levando alguns anos a ser concluído. Apenas em 2008 que o museu é reaberto ao público, sendo registrado também no IPHAN, e em janeiro de 2009, quando um cadastramento é efetuado, incluindo-o no Sistema Nacional de Museus.

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O casarão tem um estilo neoclássico eclético, possui inúmeras janelas nos dois pavimentos por todo o longo do corpo, conferindo bastante iluminação no interior da casa. É ricamente decorado com florões e ornamentos por dentro e fora da construção com destaque ao belo brasão do Visconde da Palmeira, acima da porta principal, coroando o prédio.

Na época de sua construção não havia luz elétrica e todos os lustres existentes foram instalados nas épocas das escolas que por ali estiveram. Toda a parte superior com pináculos e estatuas, e não faltam espaços para as sacadas e gradis em ferro batido. Internamente possui um saguão de entrada com uma imponente escadaria iluminada por uma abóbada de vidro.

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Possui grandes cômodos e muitas alcovas, com destaque a dois enormes salões para jantares e festas, um em cada andar. Na parte interna da casa, que dá acesso ao quintal, temos o destaque a uma pequena varanda com colunas de ferro fundido, e um belo vitral. No andar de cima, sobre esta varanda, tem-se uma incrível vista da Serra da Mantiqueira, que se descortina até onde os olhos podem ver, em um belo espetáculo da natureza.

Como dito, este casarão sofreu uma reforma, e não uma restauração, porém, esta reforma é de muito bom gosto tentando trazer aos dias de hoje parte do refinamento e acabamento de meados do século XIX. Artistas locais foram convidados para pintarem nas paredes imagens que lembrassem os antigos afrescos, baseados em fotografias antigas ainda do período das escolas.

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Os vitrais também não são originais, mas, assim como as pinturas, são baseados nos originais. Todo este requinte abriga algumas coleções de quadros, fotos, móveis, maquinas e objetos da história de Pindamonhangaba, assim como uma ala dedicada ao pindamonhangabense Emílio Ribas.

Vale a pena conhecer este belo casarão e seu museu e dar uma volta pelo centro de Pindamonhangaba, que revela algumas outras construções muito interessantes.

Confira a galeria de fotos do palacete (clique nas miniaturas para ampliar):
Fotografias: Leandro Guidini

Foto: Leandro Guidini
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Serviço:
Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina em Pindamonhagaba (Palacete do Visconde da Palmeira)
Rua Marechal Deodoro, 260
Telefone: (12) 3648-1776

About the author

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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Comments

  • Márcio Muniz 11/12/2014 at 12:26

    A história e o estilo do prédio lembrou-me bastante o palacete do Conde de Moreira Lima, que fica na cidade de Lorena (próximo de Pindamonhangaba). Seria muito legal se alguém pudesse postar fotos de lá também.

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  • Nilton D’Addio 11/12/2014 at 17:02

    O prédio está lindo. Existe algum acervo a ser visitado ?
    Alguém sabe os horários para visitação?

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    • Olivia Alves 21/09/2015 at 10:04

      Existe um acervo histórico sim, que conta com móveis cedidos pelo museu da casa brasileira, aparelhos antigos, sala em homenagem aos filhos da cidade, preservação de memória dos índios, dos negros, objetos que pertenceram as escolas de farmacia e odontologia, entre vários outros. A visitação é aberta ao público de terça a sexta das 9 as 18hrs, e sabado e domingo das 11 as 18hrs

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  • eder 12/12/2014 at 07:07

    Parabéns pelo trabalho Leandro

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  • milerdemarchi 12/12/2014 at 13:22

    Parabéns pela reportagem…
    Parabéns a Prefeitura de Pindamonhagaba que preservou isso.

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    • Nilton D’Addio 12/12/2014 at 17:27

      Comparando-se esta matéria com a que falava do trem em Guarulhos, pode-se ver o quanto vale uma administração pública eficiente.

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  • GUILERME SALLES DE CAMPOS 08/01/2015 at 19:51

    lindo demais,a conservação fantástica,os interiores belíssimos,lustres td muito bonito,até sp e rio é difícil encontrar um imóvel com estas características e preservação,parabéns pindamonhagaba.

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  • GLAUBER GLEIDSON PERES 22/03/2015 at 15:50

    é mano! minha cidade na SP Antiga… Não se esqueçam da EFCB na Rua Barão Homem de Melo! PS: Sou desenhista de mangá…

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  • Cristiana de Mattos Lessa 13/10/2015 at 22:00

    Eu morei muitos anos em Pinda (como é chamada pelo povo do interior), e posso afirmar que vale a pena visitar o museu, há muito para ser visto, com um grande acervo de peças de época. Foi totalmente restaurado, após muitos anos de reforma, e hoje está aberto à visitação, com entrada franca.

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  • Marcelo 30/03/2017 at 18:01

    Observe-se a claridade dos ambientes sem necessidade de energia elétrica para iluminá-los durante o dia. Tenho recordação positiva de Pinda, embora não tenha visitado as casas antigas locais: na verdade conheci o Santuário Mariano N. S. do Bom Sucesso (Igreja Matriz), onde me apresentei ao órgão local em 4/7/1989, um evento que integrou os festejos do 284.º aniversário de emancipação política municipal.

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