Em uma cidade tão carente de áreas verdes como é São Paulo, é inacreditável assistir a ganância de duas empresas contra o que pode se tornar um dos mais importantes parques paulistanos: o Parque Augusta.

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E a sana por destruir um importante pulmão verde da capital paulista é tão opressiva, que apenas 24 horas depois da reintegração de posse da área, operários já trabalhavam hoje pela manhã fazendo buracos na calçada, para a instalação de tapumes de isolamento, como mostra a fotografia a seguir:

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Tão logos fomos avisados por moradores da região e de ativistas pró Parque Augusta de que o local já estava sendo preparado para ser isolado, nos dirigimos imediatamente para a Câmara Municipal de São Paulo onde fomos prontamente recebidos pelo vereador Gilberto Natalini (PV).

Foi lá que, ao questionarmos sobre a legalidade ou não de fazer buracos no calçamento público e colocar tapumes na área exterior do terreno, fomos informados de que a instalação foi autorizada pela SEHAB, a Secretaria Municipal de Habitação.

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buracos por toda a calçada (clique na foto para ampliar)

Se realmente foi a SEHAB quem autorizou os tapumes, um órgão da Prefeitura de São Paulo, fica difícil entender de qual lado está o prefeito Fernando Haddad na questão do Parque Augusta. Se realmente é favorável a iniciativa dos moradores da região, porque facilitar aos donos do terreno ? Ou SEHAB e prefeito não falam a mesma língua ?

É incrível que em pleno século 21, com questões tão graves sendo discutidas no cenário brasileiro e especialmente paulistano, como a crise hídrica, a falta de áreas verdes e a cada vez mais acentuada impermeabilização do solo, que os cidadãos sejam forçados a ver mais este achaque contra a cidade.

Vizinho do terreno protesta tampando os buracos e plantando espada de São Jorge no local (clique para ampliar)

Vizinho do terreno protesta tampando buracos e plantando espadas de São Jorge no local

O São Paulo Antiga é apóia totalmente a iniciativa de moradores, vizinhos e comerciantes da região na criação do Parque Augusta. O Parque é todos, prédios são para alguns. Parque Augusta Já!

Saiba mais sobre o Parque Augusta aqui: www.facebook.com/parqueaugusta

Entrada do extinto Colégio Des Oiseaux (clique para ampliar)

Entrada do extinto Colégio Des Oiseaux (clique para ampliar)

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Wagner Boemer 05/03/2015 at 16:39

    Foi neste terreno que funcionou o curso vestibular Equipe?

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    • MRibeiro Ribeiro 07/04/2015 at 12:20

      Sim, Wagner.

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  • fernando 05/03/2015 at 17:04

    Da SEHAB …não se espera nada!!! é um lixo…movido à corrupção…..leva-se mais de 03 anos pra aprovar um projeto !!!!!!

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  • JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA 05/03/2015 at 17:11

    Somos totalmente favoráveis à propriedade privada, porém, a posse de uma propriedade, não assegura o direito de nela se fazer o que quizer, a seu talante. O interesse público é maior e deve sempre prevalecer. Qual necessidade de mais prédios naquela região?. O prefeito parece mais inclinado a satisfazer a ganância de especuladores imobiliários, sabe-se lá com que intenções, do que agir de forma racional. Pode-se muito bem declarar a área de utilidade pública, sem prejuízo maior para a construtora, pois não faltarão obras futuras onde poderão ser compensados por eventuais prejuízos, através de acordos com a municipalidade. Será que não veem que a destruição daquela área verde será um dos maiores desserviços ao povo residente nas adjacências e à coletividade em geral. Espero que se chegue a bom termo e não torne São Paulo um pouco mais inóspita.

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    • Celso 05/03/2015 at 18:52

      Existe um mecanismo legal através do qual uma construtora pode abrir mão do direito de construir em determinado local de interesse público em troca do benefício do adicional de construção em outro lugar. É o chamado Cepac – Certificado de Potencial Adquirido de Construção. Não sei porque não foi utilizado.

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      • Gualberto Cappi 05/03/2015 at 19:22

        Talvez porqué aquele local é bom de mais para a construtora fazer um otimo negocio. Entao se não for a prefeitura pressionar até a construtora abrir mão, ela (a construtora) nunca irá utilizar o mecanismo. E isso demonstra ainda uma vez a atitude do prefeito de deixar declaraçoes nao sempre seguidas de açoes conformes.

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      • JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA 05/03/2015 at 22:14

        Precisamente. Creio que nesse caso, o CEPAC não foi utlizado, poque o dinheiro apurado com a venda das unidades, certamente, excederá em muito, o que ganhariam se cedessem a área. A ganancia e a cobiça desmedida falam mais alto.

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  • Gualberto Cappi 05/03/2015 at 17:33

    Imagino que a questão levantada, se prefeito e Sehab se falam ou não, seja uma pergunta puramente “retorica”.
    Não há como ter duvida do comportamento “jogo-duplista” do prefeito.
    Um comportamento que o leva de um lado a procurar “consenso” facil com ações baratas e “cosmeticas”, como as ciclovias, com a “intellighentsia progressista” paulistana (a mesma que tanto valoriza o grafitismo, outro jeito barato e cosmetico de encobrir a brutalitade especulativa da cidade), em quanto do outro lado não falta de dar plena continuidade á politica imobiliarista especulativa de sempre.
    A final, este comportamento de pregar para açoes e diretos “cosmeticos” em quanto de fato se favorecem os grandes interesses particulares, outro não é que a fenda aparente de uma falha mais profunda que atravessa a esquerda europeia como brasileira: ter aceito de fazer parte do “jogo” no sentido pior dos termos, ou seja, ter entrelaçado a propria pratica de poder com os poderes dos velhos “inimigos”.

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  • João Guimarães filho 05/03/2015 at 18:59

    O PT esta conseguindo acabar com Petrobras..com nossas industrias..com nossa dignidade..e muitas outras coisas…para um parque não vai fazer diferen¢a alguma para ele.

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  • Celso 05/03/2015 at 19:07

    A Prefeitura alega que não tem dinheiro para indenizar os proprietários do terreno que vale hoje R$ 200 milhões . Mas pretende gastar R$ 124 milhões na construção da tal ‘Fabrica de Sonhos’ atendendo reivindicações dos sambistas de São Paulo. Fora os R$ 24 milhões/ ano que gasta com o desfile do Anhembi.

    A tal ‘fábrica’ nada mais é que um arremedo da Cidade do Samba existente no Rio de Janeiro. É um local próximo ao sambódromo utilizado pelas escolas de samba para construírem suas alegorias de carnaval.

    Mais uma vez São Paulo copiando o Rio de Janeiro. Acaba produzindo assim uma festa artificial, falsa e sem brilho. Um autêntico depoimento contra a cidade que só constrange seus habitantes. Jamais o desfile do Anhembi será comparável ao do Rio uma vez que este é o original e o paulistano, uma cópia, um plágio. Lamentável.

    São Paulo não precisa copiar ninguém.

    São Paulo tem seus próprios costumes, valores e tradições. Só precisa saber valorizá-los.

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  • ernani 05/03/2015 at 22:41

    Uma vergonha a prefeitura deixar essa área verde, tão maravilhosa, ser invadida.
    O prefeito diz não ter dinheiro para comprar o terreno. Pois então pare de fazer tantas pistas para bicicletas que vai sobrar dinheiro.
    Nunca vi como a cidade está abandonada nessa gestão.
    Onde estão os ecologistas e defensores do verde nessa hora?

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  • Marcus 05/03/2015 at 23:10

    o que me preocupa é que um parque naquela região se transformaria num reduto de marginais e prostituição. afinal, atualmente ninguém pode ser proibido de nada.

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    • Eli 15/03/2015 at 15:40

      Concordo. Foi a primeira coisa na qual pensei. Entrei nesse site procurando por outra coisa mas a chamada da matéria é interessante. Não sei há quanto tempo essa área deixou de ser parque. Estava abandonada e inoperante como parque antes de ser comprada pela Cyrela? Passo por lá sempre mas nunca reparei. “Se” estava abandonada antes, porque a polêmica agora? Porque foram divulgados valores? Vocês realmente acham que R$ 200 milhões é muito pra uma construtora do porte da Cyrela ou pros cofres da prefeitura? Essa história da prefeitura dizer que não tem dinheiro para se reapropriar da área é uma grande escarrada na inteligência de todos nós, é só passar na frente do impostômetro no centro e ver que qualquer milhão é troco de pinga. Como arquiteta e urbanista, sinceramente não vejo problema na construção de um empreendimento ali. Pois vejam: A cidade já está uma merda, não é um empreendimento a mais ou um a menos que vai mudar algo. O tráfego de veículos e pessoas naquela região é um caos. Não tem espaço pra nada. A forma como o espaço foi ocupado por centenas de anos sem lei, a Deus dará, com cada um se ajeitando como pôde é o transformou tudo num emaranhado nojento de prédios, de cinza, e de rotas sem sentido na nossa São Paulo. Podem esquecer que quanto a ocupação urbana da cidade não tem jeito, não vai melhorar porque tem gente demais, vivemos numa explosão demográfica que não deixou espaço pra sequer tentar fazer algo significativo. Continuará desigual, caótica, violenta, e empírica, que é um retrato exato do que somos. Não se pode produzir algo que distoe da nossa essência. Reclamamos, xingamos, escrevemos textos contra tentando argumentar, mas derrubamos em nossos minúsculos terrenos árvores para dar lugar a mais espaço construído e para fazer duas vagas de garagem. Queremos uma cidade melhor, com um pouco mais de natureza, com um clima diferente, com um ar mais calmo e bucólico, mas ninguém quer mudar pra uma série de cidades do interior onde existe planejamento urbano e natureza. Precisamos parar com a incoerência. Querer tudo em São Paulo não vai rolar.

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  • Luiz Henrique 07/03/2015 at 20:29

    Há algum tempo atrás,saiu na Veja São Paulo uma foto pequena do antigo Colégio Des Oiseaux.Era um espetáculo! Mesmo assim,veio abaixo.Não levam nada em consideração.Pelo jeito esse parque terá o mesmo destino.

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  • SavianoMarcio 09/03/2015 at 00:06

    Douglas você pediu as construtoras informações sobre como o projeto dos edifícios e do bosque que é tombado vão se integrar? Ficou faltando fazer essa perguntas, enriqueceria o texto colocar um histórico resumido desse impasse.

    Acredito que dá perfeitamente para unir o projeto dos edifícios com o parque, residencial e comércio, unindo o útil ao agradável, se for feito do jeito que diz essa matéria http://www.cartacapital.com.br/sociedade/201cparque-augusta-vai-ter-seguranca-e-wifi201d-diz-presidente-da-construtora-setin-4146.html, parece interessante, é por isso que deveríamos lutar, um bom projeto.

    Que finalmente coloquem um fim nessa disputa tola, uma guerrinha fútil entre “bonzinhos” e “malvados” que se arrasta á décadas. Que tenha um meio termo entre os direitos dos proprietários e os interesses da população do entorno.

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  • Vinícius Ferreira 12/03/2015 at 21:26

    Devido as manifestações contra a instalação de tapumes na calçada, a construtora responsável, está instalando os mesmos do lado de dentro do terreno, logo atrás do muro, ou seja, infelizmente, o terreno está sendo isolado.

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  • Apu Lhad 20/03/2015 at 23:06

    Eu deixaria a construtora fazer o edifício, é o menor dos males, pode ficar um ambiente coxinha, mas é melhor e se o empreendedor tiver que cuidar da área verde remanescente, é o que dá – a prefeitura não terá condições de manter eventual parque – ou acha que esses manifestantes moderninhos é que vão tomar conta trepado em cima das árvores de graça para sempre?

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    • Kaio 24/05/2015 at 10:48

      O projeto da construtora era exatamente esse.
      2 prédios e um “parque”

      Também acho que é melhor isso do que deixar o terreno pra prefeitura, pois se isso acontecer o local vai virar ponto de drogados e violência.

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  • Helio 21/03/2015 at 20:42

    Como se não bastasse a destruição de arvores centenárias no Anhangabaú

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  • Kaio 24/05/2015 at 10:46

    Pessoalmente eu prefiro um parque, mas o terreno é propriedade privada e isso deve ser respeitado.
    Sou contra o uso social de propriedade privada também.

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