No início deste mês de abril, moradores e trabalhadores da região da rua Visconde de Parnaíba, na Mooca, se espantaram com a remoção de um dos ícones do bairro. A histórica passarela de ferro instalada sobre a linha férrea.

Passarela tem mais de um século de existência (clique para ampliar)

A razão de sua remoção, porém, não é ruim. De acordo com o que foi apurado tanto esta como outras passarelas idênticas que estão ao longo da linha férrea que outrora foi a São Paulo Railway, e hoje pertencente a CPTM, serão restauradas.

O restauro será feito no próprio local pela CPTM. Na foto abaixo já é possível ver a passarela removida e colocada em uma área lateral, bem diante da plataforma de embarque do Museu da Imigração.

clique na foto para ampliar

Sem qualquer medida de preservação por anos, a passarela deteriorou-se demais. Um dos principais motivos para sua corrosão é a urina de pessoas que fazem tanto da passarela como de suas escadarias um banheiro a céu aberto (veja foto abaixo).

Embora limpa com frequência, em certas horas do dia era quase impossível atravessá-la devido ao forte cheiro de urina. Era também comum encontrar fezes na passarela.

Urina corroeu boa parte da estrutura

Solicitações para o restauro dessa passarela não são novidades. Há anos moradores e trabalhadores da região, bem como visitantes do museu lutam para que a estrutura seja recuperada.

A briga é longa, como podemos ver no documento abaixo desde 2011 há um pedido para restauro da passarela feito por um deputado estadual paulista.

Apesar de ter sido removido há quase um mês, nenhuma ação de restauro foi vista até o momento.

Atualização: 25/04/2017

A CPTM respondeu nossos questionamentos com o posicionamento abaixo:

Nota CPTM

Está em fase de contratação o projeto para a implantação de uma nova passarela na região da rua Visconde de Parnaíba, próximo à Estação Brás, que irá beneficiar os moradores e comerciantes. O prazo e o custo só serão definidos após a conclusão do projeto.

Em relação à antiga passarela metálica, já retirada, estão sendo discutidos os procedimentos internos e legais necessários para a realização do restauro.    

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Valeria Fulp 18/04/2017 at 14:30

    Não canso de me surpreender com a ignorância, falta de consciência e da falta de civismo do nosso povo.
    Não só é a maior falta de educação urinar em publico, como também é proibido.
    Seria inteligente da prefeitura local construir um banheiro público ao,lado das escadas da passarela, enquanto eles reformam a dita cuja.
    Quem sabe assim, o Zé Povinho se da conta da mensagem.
    Eita país triste de se viver.

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  • Luiz Henrique 18/04/2017 at 17:08

    Os meliantes, muito provavelmente, vandalizariam também esse banheiro improvisado que você sugeriu.
    A falta de educação de algumas(várias?) pessoas é…sei lá, não tenho mais palavras.

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  • Elizabeth Blanco 18/04/2017 at 18:44

    Precisamos acompanhar! Excelente notícia e ótima matéria. Parabéns Douglas Nascimento.

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  • Elizete 18/04/2017 at 21:20

    Ótima notícia para nós, mooquenses! Vamos cobrar policiamento ou câmeras para segurança de todos…Agradecemos, bello!

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  • Laila Guilherme dos Santos 19/04/2017 at 10:17

    Que bom! Até que enfim!! Além do perigo da corrosão, também havia queixas de falta de segurança, que espero que igualmente se resolva.

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  • MARIA ADYLLES CASTELLO BRANCO DE CASTRO 19/04/2017 at 10:38

    Eu só espero que essa passarela nunca abra, pois sem ela já esta muito difícil viver lá, por pura falta de educação de uma associação que promove todo final de semana uma balada que que começa as 23:00 e vai ate as 06:00, atrapalhando todos da região a descansar, depois de uma semana dura de trabalho.
    Por mais que eu ache legal a reabertura, isso vai dar mais mobilidade para essas pessoas mal educadas que não respeitam a lei do silêncio. Balada essa que acontece no próprio trilho da tal passarela.

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    • Daniel Pardo 23/04/2017 at 20:07

      E o pior é que, por causa de um grupo que não respeita o próximo, todos serão sacrificados.

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  • Emerson de Faria 19/04/2017 at 17:46

    Bons tempos aqueles em que se cruzavam as passarelas sem preocupação…

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  • Edileuza Alves dos Santos 21/04/2017 at 11:06

    A passarela da eataçao bras proximo a peaça Agente Cícero também foi removida, ela estava bem danificada e simplesmente foi removida

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  • Gabriel Silva 26/04/2017 at 23:32

    Em frente a esta passarela, pelo Google Maps, na rua citada, nº 1182 existe um galpão de esquina de cor azul ou cinza, enorme, que parecia ser uma fábrica, Sabe me dizer o que funcionava ali. logo ao lado deste galpão, seguindo pela Rua Visconde de Parnaíba nº 1166 e 1174, tinha, pelo menos até outubro de 2014 o simpático sobrado que infelizmente demolido. Fico imaginando o que funcionava ali ou quem morou ali.

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  • Rodinei Campos da Silveira 27/04/2017 at 13:20

    Tenho visto em várias linhas da CPTM, a inclusão de novas passarelas sobre a malha ferroviária, com o acesso feito por rampas, favorecendo a passagem de cadeirantes, como também daqueles que utilizam carrinhos de compras, carrinhos de bebê e bagagens sobre rodas.
    A CPTM deveria incluir passarelas com rampa tanto na Rua Visconde de Parnaíba, como também no trecho da antiga porteira do Brás (paralela à Av. Rangel Pestana e à Rua do Gasômetro).

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  • Marcio Saviano 29/04/2017 at 23:14

    Seria legal além de restaurar essas criar outras com melhor acessibilidade, mais largas, melhor iluminadas, e etc.

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  • James Silva 20/12/2017 at 14:07

    Caros, hoje, 20.12.17, o Jornalismo da Rede Record apresentou uma matéria no Jornal SP no ar, mostrando o estado da passarela, que foi retirada do local e os acessos que estão completamente em estado de abandono com muito lixo no local.
    A passarela até o momento não foi reformada conforme prometido pela CPTM em abril deste ano, prejudicando a acessibilidade da população, que leva até 40 minutos para dar a volta por outro acesso e chegar do outro lado da passarela no trecho entre Mooca e Brás. Um absurdo!

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  • James Silva 20/12/2017 at 14:45

    Douglas Nascimento, por favor, é possível você entrar em contato com a CPTM e saber como anda o processo da reforma da passarela?

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