Recentemente tivemos o Museu da Imigração reinaugurado pelo Governo do Estado de São Paulo com muita pompa e galhardia. Porém, colado ao museu temos um patrimônio histórico da nossa cidade que, mesmo sendo da alçada estadual, segue completamente desprezado e abandonado à própria sorte: A passarela ferroviária da Rua Visconde de Parnaíba.

Vista geral da passarela (clique na foto para ampliar).

Vista geral da passarela (clique na foto para ampliar).

Importada da Inglaterra no final do século 19 juntamente com outra idêntica nas proximidades da rua da Mooca, esta passarela foi instalada em uma época que sequer a rua Visconde de Parnaíba era dividida em duas. Naquele tempo, havia uma porteira e existia o tráfego de veículos e bondes entre os dois lados do leito ferroviário. A passarela tinha o objetivo de dar total segurança a quem precisava transitar por ali sem ser surpreendido por um trem. Com o tempo, os trilhos foram isolados e a única maneira de se cruzar de um lado da rua para o outro passou a ser a passarela.

clique na foto para ampliar

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Com o passar dos anos a passarela, juntamente com a outra mais adiante na Mooca, foi declarada como patrimônio ferroviário e também histórico da Cidade de São Paulo. Mas isso não significa que ela passou a ser preservada, pelo contrário. Está cada dia mais deteriorada e podre, oferecendo riscos a quem passa por ali a qualquer hora do dia. As duas fotos a seguir mostram a situação dos degraus e das chapas de ferro laterais.

Degraus podres e perigosos (clique na foto para ampliar).

Degraus podres e perigosos (clique na foto para ampliar).

A urina e o descaso corroem o patrimônio (clique na foto para ampliar).

A urina e o descaso corroem o patrimônio (clique na foto para ampliar).

Anos e anos de abandono transformaram a passarela em um verdadeiro perigo. Primeiro o risco de atravessa-la em certos horários do dia, especialmente ao cair da noite, devido a insegurança do local. Depois, o cheiro absolutamente insuportável de urina e fezes que tomam conta dos degraus e da própria plataforma, já que muitos moradores de rua, e pedestres sem o mínimo de educação, fazem do local um verdadeiro banheiro a céu aberto.  E é a urina e o forte ácido úrico que está comendo literalmente a estrutura de ferro da passarela, como foi possível observar na foto anterior.

Negligência do poder público:

Evidente que o poder público, no caso o Governo Estadual, sabe da existência e da importância histórica da passarela. Entretanto nada é feito para preservar o local, que num futuro próximo, pode se tornar intransitável. Em 2011, o Deputado Estadual Luiz Moura (PT) abriu um processo legislativo solicitando ao Governador Geraldo Alckmin a revitalização da passarela (imagem abaixo). Passado três anos o pedido do deputado até agora não foi atendido.

Divulgação

Fica a má impressão de que o ideal é deixar sempre o patrimônio histórico em um estado péssimo, quase irrecuperável, para que ai se abra uma licitação de restauro ainda mais dispendiosa aos cofres públicos. Será que realmente nosso governo é assim tão ineficiente a ponto de ser incapaz de restaurar uma passsarela ? Por que nossos bens históricos estão sempre fadados a sobreviver à própria sorte ?

Enquanto nada é feito para preserva-la, só nos resta torcer para que o ferro inglês seja resistente o bastante para sobreviver ao descaso e ao desrespeito. Isso se a corrosão da urina não destruir o local antes.

Veja mais algumas fotos da passarela:

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comments

  • Fernando 26/06/2014 at 11:02

    Acredito que outras passarelas do mesmo tipo ainda sobrevivam em algumas estações de trem por aí. Em 2011 usei algumas vezes a estação Jaraguá e na época tinha uma passarela igual, em bom estado, nesta estação. Espero que seja tombada também.

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  • Equipe Trem Cultural Dos Imigrantes (Brás / Mooca) 26/06/2014 at 12:00

    É PRECISO MENCIONAR QUE INFELIZMENTE, MUITO PELA MÁ CONDUTA / USO DE UMA PARCELA DAS PRÓPRIAS PESSOAS QUE DIARIAMENTE TRANSITAM PELA MESMA, FAZENDO USO DESTE EQUIPAMENTO PÚBLICO, COMO SE O MESMO FOSSE “SANITÁRIO”!!!

    A PREFEITURA SEMANALMENTE TEM ENVIADO UMA EQUIPE COM CAMINHÃO PIPA, QUE FAZ A LAVAGEM DESSA PASSARELA. MAS PASSADAS APENAS ALGUMAS HORAS DA LIMPEZA, É COMO SE A MESMA NUNCA FOSSE LIMPA. PORQUE OS “PORCALHÕES” NOS PERDOEM A EXPRESSÃO, “URINAM E ATÉ MESMO DEFECAM” NA MESMA!

    “CULPA DOS ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS PERTINENTES SIM, QUE NÃO PROVIDENCIAM A DEVIDA GUARDA PATRIMONIAL (VIGILÂNCIA) E PRESERVAÇÃO DESSE HISTÓRICO ESQUIPAMENTO PÚBLICO. MAS TAMBÉM DE UMA PARCELA DO PRÓPRIO PÚBLICO USUÁRIO, SEM NENHUMA EDUCAÇÃO!”

    Equipe Trem-Cultural Maria Fumaça
    TREM CULTURAL DOS IMIGRANTES – ABPF REGIONAL SÃO PAULO

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    • Ernani 26/06/2014 at 22:31

      Antigamente se um guarda pegasse alguém urinando ou defecando em público, o sujeito sofria alguma punição e ainda ficava detido. Agora todo mundo passa a mão na cabeça desses vagabundo infratores. Tudo é permitido e ainda culpam a sociedade por essa imensidão de gente estar vivendo nas ruas. Se tivéssemos um país com uma legislação diferente,, essa turma tinha que estar produzindo alguma coisa e não vegetando por aí e destruindo patrimônio público. Infelizmente o que os ingleses construíram, dia a dia, está se deteriorando e se acabando no tempo
      .

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  • Alexandre Fontana 26/06/2014 at 17:17

    Junte-se a omissão do Poder Públic e a má educação das pessoas e temos esse cenário triste. Uma vergonha

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  • Sicilia Cavalheiro 26/06/2014 at 19:42

    As pessoas não são educadas o suficiente, para preservar equipamentos públicos….!!!! Acho uma judiação o que fazem, nos parques públicos por exemplo…!!!! Essas passarelas são foram muito bonitas, pena que não souberam, fazer uma preservação constante nelas….!!!!

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  • nazarethlmperes 26/06/2014 at 21:08

    Quando eu tinha uns cinco anos (1943), moei com meus pais, um casal de tios e minha irmã, na Rua Visconde de Parnaíba. Era para mim, só uma lembrança posterior pois a minha mãe nos contava.

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  • Pedro 28/06/2014 at 18:48

    Em Cubatão, perto da Av. Nove de Abril, há uma passarela como esta abandonada.

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  • Márcia Caetano 29/06/2014 at 22:14

    Ingenuidade crer que apenas mendigos urinam e defecam em locais públicos. Em alguns pontos de ônibus pela cidade o odor de urina é insuportável – são os próprios usuários os culpados pela “proeza”. O povo brasileiro está cada dia mais mal educado e a cidade – outrora próspera, bela e limpa – a cada dia mais suja e depredada. Para que isso mude são necessários: vigilância constante e punição exemplar. Mas, como vivemos em uma sociedade de pessoas gananciosas e corruptas, isso jamais acontecerá.

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  • Reginaldo Galuzzi 04/07/2014 at 10:20

    Existe mais uma passarela nos mesmos moldes, nas proximidades (final da Rua Monsenhor de Andrade) no sentido Luz, também em situação precária e de abandono.

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    • Douglas Nascimento 04/07/2014 at 10:52

      É verdade Reginaldo, iremos lá nos próximos dias. E tem a da rua da Mooca, que já está aqui no site.
      Abraços

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  • Ana Maria de Moura Soares 19/05/2016 at 08:37

    Patrimônio ferroviário e também histórico da Cidade de São Paulo, entre Brás e Mooca, ao lado do Museu da Imigração vira “Tudo Anormal” no SP Tv.
    Em março a passagem teve os degraus demolidos e foi fechada com blocos de tijolo. Os usuários necessitando transitar por ali, derrubaram os blocos de tijolo e agora passam por cima dos entulhos e do que sobrou dos degraus.
    Segundo a matéria no SP Tv a PMSP vai fechar novamente a passagem, com grade, para impedir o uso da passarela que é responsabilidade da CTPM.
    A solução não seria a CTPM cuidar do patrimônio histórico?
    http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/05/passarela-que-foi-interditada-e-reaberta-irregularmente-em-sp.html

    Foi nessa passarela, numa noite de problemas no Metrô, em abril/2015, que minha mãe sofreu queda, por falta de um degrau, e tem sequelas físicas e neurológicas que tiraram sua independência. No acidente a mãe teve o úmero direito estourado, 3 metatarsos do pé e ossos da face quebrados, além da hemorragia aracnóide. Com o pronto atendimento e a internação na Santa Casa, que convenhamos, salvou sua vida, seguiu de pneumonia na UTI, culminando com infecção hospitalar e alta com “tratamento conservador” (ou seja, não operou nem a cabeça, nem o ombro, nem os pés).
    Hoje, maio/2016, passado um ano da alta, vamos tentar permitir q ela volte a morar em sua casa (é o que ela mais quer), acompanhada de uma cuidadora. Deus nos proteja nessa nova fase!

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  • Kleber Santos Melo 28/09/2016 at 20:33

    tenho várias fotos dessa passarela, de um trabalho acadêmico do curso de Jornalismo que fiz na Anhembi Morumbi por volta de 2005. Se houver interesse, me respondam que eu enviarei on line. Abs!

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  • Diogo Vasconcelos Pessoa 22/05/2018 at 14:54

    Fico consternado em ver ela assim, representou minha infância quando íamos com meu amado e saudoso pai no Brás para comprar roupas.
    Descaso da população e das autoridades.

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  • Domingues 07/06/2018 at 13:10

    Os que vocês acham de reunirmos várias pessoas ou arrecadarmos um recurso para imprimirmos e fixarmos placas grandes dando nome as passarelas. “Passarela Geraldo Alckmin”, “Passarela Prefeito Dória”, “Passarela Presidente Temer” e assim por diante.
    Quem tiver idéias de qual material, que seja mais em conta e de preferência anti-vândalos, e onde podemos estampar, etc são bem-vindas.
    A gente pode chamar uma reportagem na re-inauguração.

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  • Helder Sampedro 12/03/2019 at 15:41

    Infelizmente essa passarela foi derrubada há alguns anos. Sobram só partes das estruturas laterais. Parece não haver intenção de reconstruir ou construir uma passarela mais modera. Tenho a impressão que os moradores e comerciantes do lado “bairro” (próximo ao Museu) preferem isolar-se do lado “centro” do Brás.

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    • Douglas Nascimento 12/03/2019 at 18:30

      Olá Helder, ela não foi derrubada mas sim retirada e guardada. Agora, semana passada pra ser mais exato, foi aprovado o restauro dela e das demais que são iguais.
      Prontas, serão reinstaladas nos lugares originais.

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