Uma das coisas que mais nos perguntam por email e nas redes sociais do São Paulo Antiga é sobre a origem e significado dos nome das ruas paulistanas.

Não são poucas as pessoas que tem curiosidade em saber porque a rua tem este ou aquele nome, muitas vezes sem sentindo algum para o bairro em questão, como a rua das Borboletas Psicodélicas (sim, ela existe e fica na Vila Guarani) ou ruas que dão significado a algo que marca uma região, como a rua Trem das Onze (que já falamos aqui no site).

Estamos aos poucos explicando a nomenclatura das ruas da cidade, como já fizemos com as ruas da Mooca que lembram o antigo hipódromo de São Paulo. Que tal aqui falarmos da motivação do nome da rua Estados Unidos e suas vias próximas ?

Bem, o surgimento da rua Estados Unidos é bem simples e se dá com a fundação do próprio bairro onde ela está, o Jardim América.

O bairro já aparece em mapas paulistanos desde os anos 1910, mas seu ascensão deu-se mesmo a partir da segunda metade dos anos 1920, com o loteamento do bairro em ritmo mais acelerado pela Companhia City.

ciacityAs ruas, avenidas e alamedas do bairro foram todas planejadas, como era praxe da City em seus empreendimentos por São Paulo. Como resultado, surgiu um bairro bastante arborizado, com ruas bem executadas e com tudo para se tornar uma região elegante.

Para dar nome aos logradouros do Jardim América, foi estabelecido o mesmo critério que e empresa adotou no bairro vizinho, o Jardim Europa. Se lá temos as ruas Bélgica, França, Rússia, etc, aqui temos os países do continente americano, como as ruas Colômbia, Canadá, México, e claro, a rua Estados Unidos.

Abaixo imagem da planta utilizada para vender os loteamentos do Jardim América:

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Para complementar e dar o nome mais importantes para os dois bairros e também para parte de Pinheiros e Cerqueira César está a Avenida Brasil. Na época a planta do bairro que era disponibilizada aos corretores além de mostrar o loteamento como um todo, apresentava a motivação da nomenclatura dos logradouros do Jardim América.

versoplantaNesta primeira fase a rua Estados Unidos não chegava até a avenida Rebouças, que já existia. Seu término dava-se na então rua Dona Hyppólita (grafia da época), que hoje é conhecida como Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

E foi assim que surgiu a rua Estados Unidos, no início urbanizada em padrão estritamente residencial e hoje bastante diversificada, com residências, prédios e estabelecimentos comerciais variados como bancos, padarias, restaurantes e delegacia de polícia.

SAIBA MAIS:

Bairro vizinho ao Jardim América, o Jardim Europa também tem suas peculiaridades e curiosidades acerca da nomenclatura de ruas. A mais interessante delas é a mudança do nome da rua Constantinopla para Turquia. Conheça esta história em detalhes:

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • R 27/09/2016 at 15:03

    Acho que a Rua das Borboletas Psicodélicas merece um post específico,
    nem que seja um sobre os nomes de rua mais estranhos da cidade e, quando existente, as justificativas do vereador para sua escolha.

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  • edson z scalco 27/09/2016 at 15:18

    Um detalhe interessante, é que a rua que separa o Jd.América do Jd.Europa é justamente a rua Groenlândia, numa perfeita correlação geográfica.

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    • Douglas Nascimento 27/09/2016 at 17:10

      exatamente, bem lembrado

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  • Celso P 27/09/2016 at 19:27

    A questão dos nomes é importante para ensinar aos jovens a identidade e auto-estima de um povo.

    Quando o Carandiru foi demolido para a criação de um parque, alguém teve a infeliz ideia de mudar o nome do local, talvez com a intenção de riscar da história o passado tenebroso do presídio. O que seria naturalmente ‘Parque do Carandiru’, nome já consagrado na cidade, é agora um insípido ‘parque da Juventude’. Só a estação do metrô manteve o antigo nome ‘Carandiru’. Até que alguém venha com a ideia de mudar para ‘estação parque da Juventude’. É assim que a memória urbana vai sendo apagada, levando junto a tradição e identidade do povo.

    A história porém, não pode e nem deve ser apagada. Ela existe para ensinar.

    Em Auschwitz por exemplo ninguém cogita sequer discutir a mudança do nome daquele local. Muito pelo contrário, o campo de concentração está lá preservado e intacto. Nenhuma pedra pode ser removida. O mesmo ocorre em Hiroshima onde os americanos jogaram a bomba atômica ou Belfast, cidade onde foi construído o Titanic. Nenhum desses nomes ficou amaldiçoado pela história. Muito pelo contrário, são hoje locais de peregrinação, conhecimento e respeito.

    Essa é uma das muitas diferenças entre as cidades do primeiro mundo e São Paulo. A falta de valorização da história da cidade faz muita gente acreditar que só o que é novo e moderno é bom enquanto que o passado é algo a ser desprezado, demolido e esquecido.

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    • Daniel Pardo 01/10/2016 at 20:04

      CELSO: É porque aqui no “Reino da Bananolândia”, o povo gosta de “ixtatuix”, de “gramú”, e manter o “velho” por aqui não é “gramuroso”, agora… que nem você mesmo disse, vai para fora daqui pra ver se a mentalidade dos outros países é a mesma??, de jeito nenhum, lá os caras renovam o que é antigo em vez de demoli-lo para construir o novo.

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      • Celso P 03/10/2016 at 20:14

        Meu caro Daniel

        Grato pela resposta. Sim, você tem razão. A falta de educação de cidadania – sobretudo nas escolas – é a grande responsável pela nossa falta de identidade e memória.

        Eu falei em escolas. Porém, o ensino não é uma panacéia que vai resolver tudo. Às vezes a história é deturpada dentro das salas de aula. Na desocupação da escola estadual Fernão Dias, o busto do bandeirante foi encontrado ‘asfixiado’ com um saco preto amarrado na cabeça com a inscrição ‘bandeirante assassino’. O mais recente exemplo de vilipêndio à história foi a pichação do monumento às Bandeiras e da estátua do Borba Gato. Segundo alguns professores de orientação mais à esquerda, os bandeirantes nada mais foram senão assassinos cruéis. Por essa interpretação tosca, o EI deveria ser perdoado pela destruição de monumentos milenares em Palmira na Síria, uma vez que homenageavam conquistadores romanos. Afinal, não existem conquistas sem derramamento de sangue.

        Abraço

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        • RdS 06/10/2016 at 02:23

          Para você derramamento de sangue é menos importante que conquista?

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          • Celso P 07/10/2016 at 16:32

            Claro que não, meu caro RDS. Mas desde os romanos que conquistas são feitas assim, não à base de acordos e apertos de mão. Os Bandeirantes merecem ser limados da história porque foram conquistadores? E o outro lado da moeda não vale nada?

            Penso diferente. A história não é cor-de-rosa. Ela existe para ensinar. Para isso, tem que ser preservada, inclusive os nomes.

  • Luiz Henrique 02/10/2016 at 07:44

    O Jardim Paulista, também interligado nessa região, tem alguns nomes de cidades do nosso Estado, como Campinas, Santos, Ribeirão Preto, Lorena, etc.

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  • Celso P 10/10/2016 at 10:00

    Olá Douglas, sabe informar quem foi o Gentil de Moura que dá nome a uma rua da no Ipiranga?

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  • JOÃO JORDÃO 21/09/2017 at 21:15

    OPA, ESTE PARAGRAFO DA DESCRIÇÃO ESTÁ ERRADA. A RUA ESTADOS UNIDOS TEM SEU INÍCIO NA BRIGADEIRO LUIZ ANTONIO E O SEU FIM NA AVENIDA REBOUÇAS.
    Nesta primeira fase a rua Estados Unidos não chegava até a avenida Rebouças, que já existia. Seu término dava-se na então rua Dona Hyppólita (grafia da época), que hoje é conhecida como Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

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