A participação dos leitores do site São Paulo Antiga residentes no interior paulista, enviando fotografias, denúncias e alertas sobre os desmandos e ataques à nossa memória arquitetônica, tem sido fundamental para ampliar a cobertura do site. Inicialmente restrita apenas a capital, hoje já atendemos mais de 30 cidades paulistas. E é do interior paulista que vem este belo casarão de 1926.

Crédito: Henrique Bueno Damascena Ribeiro / São Paulo Antiga

Localizada no número 852 da Rua Quinze de Novembro, região central de Lençóis Paulista, este belo casarão foi a residência de Antonio Coneglian bastante conhecido nesta cidade.

Construído em 1926 o imóvel está sob risco. Apesar de estar bastante preservado e ainda intacto, ele está à venda desde o ano passado, com valores que variam de R$600 mil para cima. Os anúncios são preocupantes pois não valorizam a casa, mas o terreno. E sabemos que anúncios que focam na área do terreno objetivam a casa no chão. Abaixo um dos anúncios da casa, encontrados em uma página do Facebook.

Crédito: Reprodução / Facebook

A residência permaneceu fechada por muitos anos, enquanto não saia o inventário de partilha de bens. Após falecer, Antonio Coneglian deixou a casa como herança para suas duas filhas, que também já faleceram.  Feita a partilha, o imóvel foi colocado à venda, com enfoque no terreno. Imigrante italiano, Coneglian era bastante querido e conhecido em Lençóis Paulista.

Crédito: Henrique Bueno Damascena Ribeiro / São Paulo Antiga

Na fachada as iniciais de Antonio Coneglian e o ano da construção

Trata-se de um belo exemplar da arquitetura paulista do início do século 20. Imóvel amplo, possui duas entradas, uma para veículo e outra para pedestres. Além disso possui uma bela varanda na entrada do imóvel e um dos quartos é voltado para a rua. No fundo do imóvel existe um barracão que funcionava como a garagem da casa. Do lado direito do casarão havia um outro imóvel, já demolido. Dali é possível observar a porção mais interior da residência.

Apesar de belo e único o imóvel ainda não é tombado como patrimônio histórico da cidade e corre sério risco de desaparecer. Como o terreno não é amplo o suficiente para um edifício de apartamentos, só podemos crer que uma demolição sirva para ou construir um estabelecimento moderno ou um estacionamento. Não é possível que um imóvel desta beleza e importância venha a desaparecer.

Curiosidade – O Chevrolet de Antonio Coneglian:

Crédito: Henrique Bueno Damascena Ribeiro / São Paulo Antiga

O carro ficou décadas guardado em uma garagem.

Imagine um carro permanecer guardado em uma garagem por mais de 30 anos. Foi exatamente isso que aconteceu com o antigo Chevrolet 1938 que pertenceu a Antonio Coneglian. Ele foi utilizado por suas filhas até o início da década de 70, quando foi guardado pela última vez no barracão de madeira que fica nos fundos da residência. O automóvel permaneceu ali até pouco tempo atrás, quando foi removido do local e vendido para um novo dono.

Veja mais fotos do casarão de Antonio Coneglian:
Crédito de todas as fotografias deste texto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro

Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro

Atualização 10/12/2014:
E infelizmente o que mais temíamos para esta bela residência aconteceu:

clique na foto para ampliar

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O belo imóvel que pertenceu a Antonio Coneglian não existe mais. Foi demolido meses atrás depois de ter sido vendido por uma imobiliária local. É realmente triste ver isto acontecer, pois não foram abaixo apenas um pouco da história de Lençóis Paulista, mas todo um histórico da residência construída em 1926. A ironia fica pela placa da imobiliária na foto acima, onde se lê “Mais um sonho realizado“. Acho que o mais apropriado para este caso seria “Mais uma pedaço da história que se foi“. Lamentável.

Veja abaixo fotografias do imóvel em processo de demolição (clique na miniatura para ampliar):
Crédito das fotografias: Henrique Bueno Damascena Ribeiro e Anderson Tomasetti (foto 8)

Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Henrique Bueno Damascena Ribeiro
Foto: Anderson Tomasetti

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Tieime 13/07/2013 at 13:05

    É uma pena mesmo, a casa é linda e fica em uma parte privilegiada da cidade!

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  • Luciana Aguiari 16/07/2013 at 14:09

    Vi D. Fani dirigindo o carro, com sua irmã D. Eugênia ao lado. Eu nasci em 1970, e vi as duas passeando com o carro muitas vezes sempre aos domingos, pelo menos até meus 12 anos. Eramos vizinhas, conheci o carro e a casa por dentro tb. Depois de algum tempo, elas não saíam mais com o carro por causa dos pneus que teriam que ser trocados, mas era difícil e caro encontrar os pneus novos. Agora uma grande sacanagem que fizeram com elas, teve um “colecionador” da cidade que pediu o carro emprestado p desfilar no aniversário da cidade. O mesmo trocou os pneus e se exibiu com o carro delas. Só que depois, ele não tinha os pneus velhos p devolver e como elas não quiseram vender o carro p ele, o carro ficou sobre cavaletes por muito tempo guardado.
    O que eu mais amava nesta casa eram os móveis, todos sem exceção antigos, da época do pai delas.
    Uma pena mesmo.

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  • Gislene Rodrigues 17/07/2013 at 22:22

    É uma pena que não só esse mas muitos casarões já se perderão aqui na cidade de Lençóis,é como se a nossa história tivesse indo embora junto com eles.

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  • J 19/07/2013 at 19:19

    Me recordo de outras casas da rua 15 que deveriam ser tombadas pela cidade e não foram: Armazém do Ciccone, Destilaria, Casa do Egidio Paccola, Farmácia dos Bosis, etc. Cuidem desta casa e de outras: Casa do Alexandre Chitto, Estação, Fábrica de macarrão dos Nellis,etc.

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  • Ivete Godoi 16/10/2013 at 11:09

    Cada vez que passo na frente da casa fico imaginando quanto tempo ela ainda tem… Cada casa que é derrubada é um pedaço da nossa história sendo destruída, e não vejo ninguém fazer nada… Onde está o pessoal da cultura???

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  • Anderson Luiz 14/08/2014 at 17:12

    Infelizmente esse casarão desapareceu. Foi demolido recentemente.

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  • carlos henrique rabiço 04/10/2014 at 18:46

    Pena que foi demolido. infelizmente é sempre assim, um pais de apenas quinhentos anos que não valoriza a sua historia, dão valor pra uma porcaria de estádio de futebol, mas escarram nas riquezas arquitetônicas do pais. Dá nojo.

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  • Suzi Silva 10/12/2014 at 20:53

    Muito triste, pessoas que não valorizam a própria história!!

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  • Gustavo Cardoso 11/12/2014 at 00:25

    Mais um que se foi, é de partir o coração. O que será que vão construir ali? Provavelmente mais um blocão medíocre…

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  • juliefu 11/12/2014 at 11:55

    I will post in both English and Portuguese, but please excuse my Portuguese.

    The story of this building highlights the need for accountability within planning law. The law should include ‘the right to public appeal against demolition’ of buildings of historical and environmental importance. The two issues are closely connected.

    I have been visiting SP for 3 months; the purpose of my visit is to investigate the urban climate implications of SP new city wide plan. However, as an architect and urbanist, my interest extends beyond this premise. I have noticed that many of the houses in the city have been extended, this not only degrade much of the original charm of SP urban heritage, to be replaced by fortress like buildings, but by building on every square inch, there are significant implications to the urban environment. I will try to explain, and I will try I be brief.

    The implications of such change-of-land-use on the underlying infrastructure are significant. Whilst individually they may appear not to matter very much, collectively the implications are significant.

    These changes in land-use result in loss of open and green space, where permeable surfaces are replaced with hard surface. These open and green spaces collectively represent the green infrastructure. Their loss reduces not only important ventilation opportunities, needed for both urban cooling and the removal of pollutants, areas for vegetation and biodiversity, again important for cooling opportunities, plants and animals, but also along with helping to manage rainfall, increasing surface run-off, all placing greater strain on the existing urban infrastructure.
    The effects of building a parking lot on an area which was once a garden will only result in the collective urban problem. But as you article rightly highlights, land value is measured in terms of ‘return of revenue’ rather than the ‘environmental value’ (both heritage and ecological) that the original buildings offers.

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  • juliefu 11/12/2014 at 11:57

    Vou postar em inglês e Português, mas por favor, Desculpem o meu português. A história deste edifício destaca a necessidade de responsabilização dentro lei de planejamento. A lei deve incluir ‘o direito de apelo público contra demolição’ de edifícios de importância histórica e ambiental. As duas questões estão intimamente ligadas.

    Têm visitado SP por 3 meses; o objetivo da minha visita é investigar as implicações do clima urbano SP nova largura do plano da cidade. No entanto, como um arquiteto e urbanista, meu interesse se estende além desta premissa. Tenho notado que muitas das casas da cidade foram estendidas, isto não só degradar muito o charme original do património urbano de SP, para ser substituído por fortaleza como edifícios, mas através da construção em cada polegada quadrada, existem implicações significativas para o ambiente urbano. Vou tentar explicar, e vou tentar seja breve.

    As implicações dessa mudança-da-terra-utilização na infra-estrutura subjacente são significativas. Enquanto individualmente, eles podem aparecer para não importa muito, coletivamente, as implicações são significativas.

    Estas mudanças no uso da terra resultam em perda de espaço verde e aberto, onde as superfícies permeáveis são substituídas com superfície dura. Coletivamente, esses espaços abertos e verdes representam a infra-estrutura verde. Reduz a sua perda não só oportunidades de ventilação importante, necessárias para arrefecimento urbanos e a remoção de poluentes, áreas de vegetação e da biodiversidade, novamente importantes para refrigeração oportunidades, plantas e animais, mas também juntamente com ajudando a gerenciar chuvas, aumentando o escoamento superficial, só colocar maior pressão sobre a infra-estrutura urbana existente.

    Os efeitos da construção de um estacionamento em uma área que foi outrora um jardim só irão resultar no problema urbano coletivo. Mas como você artigo salienta, valor da terra é medida em termos de ‘retorno de receitas’ em vez do ‘valor ambiental’ (ambos Património e ecológicos) que oferece os edifícios originais

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  • Pardo 24/02/2015 at 19:12

    1926 foi o ano que minha avó nasceu, mas ao contrário do sobrado em questão, minha avó está firme e forte com 88 anos (faz 89 esse ano) e apesar dos problemas de saúde inerentes a idade ela tem uma memória melhor que a minha e da minha mãe juntos. Aliás, percorrendo as páginas desse site eu aprendi que tudo favorece aos especuladores imobiliários e ter um imóvel antigo, que deveria ser motivo de orgulho, se torna um estorvo por causa das leis “xiitas” de preservação.

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  • RODOLFO AUGUSTO CONEGLIAN 30/04/2015 at 17:11

    Boa Tarde

    Meu nome é Rodolfo Coneglian e nasci em Lençóis Paulista,realmente é uma pena que o interior antigo do estado de SP está perdendo a sua identidade aos poucos,digo isso também pela estação de Vergilio Rocha que ira se deteriorar e as entidades públicas “regadas a impostos” não dão valor para nada disso. Isso não é uma realidade que acontece somente em Lençóis Paulista, gostaria de saber se as janelas e as portas da casa estão a venda, minha família possui uma propriedade Rural em Lençóis e gostaria de utilizar as mesmas na construção de uma nova casa. Creio pelas minhas fontes, Antonio Coneglian é imigrante Italiano, irmão do meu Tataravô Luigi Coneglian no qual no Brasil também era chamado de Luís Coneglian. Gostaria de conservar nesta nova construção um respeito a infeliz destruição deste patrimônio de Lençóis Paulista.

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