Um dos maiores mitos que se perpetuava em São Paulo vem caindo nos últimos meses, ou melhor, durante o ano de 2017. Era aquele papo de que São Paulo não sabia ser de outra forma de que não fosse suja, caótica, pichada.

O que parecia realmente um problema crônico e insolúvel agora mostra-se ter sido um claro exemplo de incompetência e má gestão, em uma cidade que durante quatro anos foi infelicitada por uma gestão completamente alheia de seus problemas.

Evidente de que os males da cidade não começaram Fernando Haddad, eles estão ai há décadas. Mas a gestão do prefeito petista foi de longe a mais displicente com os problemas dos bens culturais e históricos paulistanos.

Para governar São Paulo, uma cidade com dimensões e números de um Estado é preciso também ama-la, e amor não era exatamente o que Haddad nutria por São Paulo. Afinal, alguém que ama sua cidade jamais permitira estampar num patrimônio histórico a face de um ditador como Hugo Chavez.

Durante os anos da administração Haddad São Paulo foi o mural do mau gosto

Por toda a cidade os monumentos estavam abandonados, e isso foi alvo de denúncia pelo São Paulo Antiga. Todos os chafarizes desligados, monumentos sujos, obras faltando pedaços e por ai vai. A exceção foi a Fonte Monumental, restaurada com o apoio da iniciativa privada.

O resultado disso foi uma resposta dura do eleitorado paulista nas urnas. Fernando Haddad foi derrotado e seu secretário de cultura e vereador Nabil Bonduki também perdeu a releição, desprezado até por seus tradicionais eleitores. Antes de Bonduki, temos que lembrar que Haddad infelicitou a cidade com Juca Ferreira como secretário de cultura, alguém que jamais mostrou qualquer conhecimento da história e do patrimônio paulista.

Essa breve lembrança dos últimos quatro anos são importantes para que o paulistano perceba o quanto foi lesado pela gestão anterior. E agora a medida que o tempo passa vemos uma administração preocupada com o zelo e a manutenção do patrimônio histórico paulistano.

Nesta segunda-feira, 3 de julho de 2017, São Paulo recebeu de volta restaurado um importante bem cultural:

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Os Arcos da Rua Jandaia, popularmente conhecido como Arcos do Jânio, patrimônio histórico da cidade, retornou às suas características originais, com seus tijolos de calcário se tornando visíveis.

Após uma ação popular, em 2015 o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) contratou arquitetos e historiadores para fazer um parecer técnico sobre a composição dos Arcos. Com base neste parecer, o DPH criou um projeto de restauro, que foi encaminhado para análise do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp). Com a aprovação, em março de 2016, foi aberto o processo de licitação para contratar a empresa que fez a obra.

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“Aqui era um muro de arrimo feito de uma forma espetacular e com uma arquitetura e tratamento que a cidade merece ter. O espaço foi ocupado irregularmente. Após a desocupação se percebeu que se tratava de uma obra de arte da cidade. Agora estamos entregando essa obra que realmente mudou a cara da cidade”, afirmou o Prefeito Regional da Sé, Eduardo Edloak.

A empresa licitada para realizar o serviço foi a Corpotec. O investimento total do restauro é de R$ 791.011,04, recursos financiados pelo Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (Funcap). As receitas do Funcap são constituídas por dotação orçamentária, doações, legados, rendimentos provenientes da aplicação de seus recursos e, principalmente, das multas aplicadas aos proprietários que descumprem as normas de proteção ao patrimônio histórico, cultural e ambiental estabelecidas na legislação vigente.

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Nesta restauração, houve a limpeza de todas as superfícies; a remoção da pintura (superfície de tijolos e guarda-corpo); o registro gráfico e fotográfico do estado de conservação, com mapeamento de danos e patologias identificadas; a conservação das vedações planas (superfícies internas aos arcos), com preparação da superfície, regularização, tratamento de trincas e fissuras; e pintura de acordo com a coloração original; a restauração do guarda-corpo, arcos e pilares; a proteção química do conjunto, com aplicação de velatura em silicato e produto antipichação e a limpeza final.

A restauração dos Arcos é importante para a valorização de uma tecnologia construtiva pouco conhecida utilizada nos primeiros tipos de construção em São Paulo, que chegou junto com os imigrantes europeus. Os tijolos utilizados na obra são de calcário, que não têm a cor comum de tijolos, são mais acinzentados por conta do tipo de material.

O projeto para a restauração da obra contou com uma nova iluminação dos arcos, feita pelo Departamento de Iluminação Pública de São Paulo (ILUME). A obra conta com um total de 15.200 Watts, vindos de 38 projetores de 400 Watts cada. A coloração amarronzada das lâmpadas de vapor de sódio se torna dourada com o sódio, dando uma textura mais bonita ao monumento.

Desde o início do ano foram entregues recuperados para aos paulistanos diversos monumentos, como a Fonte da Avenida 9 de Julho, o Monumento a Carlos Gomes (Fonte dos Desejos) e o Monumento aos 80 anos da Imigração Japonesa no Brasil.

VEJA MAIS FOTOS DA REINAUGURAÇÃO DOS ARCOS DA RUA JANDAIA:
Fotos: Leon Rodrigues SECOM/PMSP

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • PJ 04/07/2017 at 16:49

    Exato, Sampa tem vocação para um turismo urbano que só cresce pelo mundo. Basta querer e Sampa será uma das Capitais mundiais para visitação.

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  • ALEX COURI 04/07/2017 at 16:58

    Sinceramente não achei que ficou legal, além de inexpressivo esteticamente foi gasto 1 milhão nisso?? Dinheiro que poderia ser muito melhor aproveitado em outras demandas ligadas ao patrimônio.. Os grafites são expressões artísticas e como tal muitas vezes polêmicos, poderiam ao invés de removidos ser trocados de tempos em tempos, os Arcos do Jânio poderiam ser a moldura perfeita para tal manifestação artística, já respeitada nas principais metrópoles do mundo, mas em SP atualmente impera a falta de sensibilidade e o patrulhamento ideológico cego.. “moda” que espero ser passageira.

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    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 20:21

      Alex, respeito sua posição mas não vejo nenhum patrulhamento ideológico. A nós aqui pouco importa quem é que está no gabinete, desde que olhe com carinho pra cidade.
      Há quem fale de saúde, educação etc… nós aqui falamos de patrimônio histórico e nossa posição – desde o princípio – é pela valorização destes bens culturais.
      Sobre os grafites eu abomino, mas mesmo assim acho que há espaço para eles na cidade. Porém jamais em cima de um monumento do século 19. Abraços

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      • Jorge Roberto Coelho Ferreira 04/07/2017 at 21:09

        Essa é boa ! Utilizar o patrimônio histórico como tela para expressar uma arte de quinta ordem. Quem quiser grafitar que procure um lugar próprio para isso. E cá entre nós,
        em noventa por cento dos grafites que estão espalhados pela cidade, não há qualquer resquício de engenhosidade e muito menos qualidade artística. Se alguém melindrar-se com essas afirmações, melindrado fique. Que falta faz hoje em dia um Sergio Porto !

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  • milton martins diniz 04/07/2017 at 17:08

    Podemos condicionar amor à cidade a autorizar um grafite de Hugo Chavez? Amor à cidade é apoiar um governo corrupto, ficar fazendo declarações pretensiosas, querer vender a cidade e agir como se ela fosse sua propriedade? Que pena que você apóia isso. Perdeu um leitor.

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    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 20:24

      Não apoio nem A e nem B, eu gosto é da minha cidade. E ela eu quero limpa, com chafarizes funcionando e monumentos recuperados.
      Haddad esteve ai por quatro anos e teve dinheiro pra fazer, mas não o fez. Se você não entende isso, perdê-lo como leitor é lucro.

      Reply
    • Luiz Henrique 05/07/2017 at 11:34

      JOÃO DÓRIA É O CARA! DOA A QUEM DOER!!!!!!!

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  • Pablo 04/07/2017 at 17:08

    Esta página seria ótima se não tomasse partido político. Triste.

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    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 20:25

      Traduzindo do búlgaro antigo ou do pablês arcaico você quis dizer: Esta página seria ótima se concordasse comigo.
      Aqui não somos assim, só temos um lado. O da cidade de São Paulo.

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      • Alex 05/07/2017 at 11:51

        Os dois estão errados. Não há neutralidade. Todo blog, site, jornal, etc., vai ter uma linha de pensamento. É inevitável. Não existe essa de “[…] um lado. O da cidade de São Paulo”. Cada pessoa tem o seu lado e a cidade será sempre o resultado das disputas entre os múltiplos pensamentos sobre o que ela deveria ser. Assuma seu posicionamento: a cidade que eu quero é sem grafite (ou com grafite em locais determinados), com monumentos restaurados, cor predominante cinza, etc OU quero que a cidade deixe seus moradores livres para transformá-la, com grafites onde quiserem, etc. São formas de pensamento e é legítimo pensar diferente.

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    • Luiz Henrique 05/07/2017 at 11:37

      A gestão(????????????) Fernando Hadad empurrou São Paulo para o buraco, mas João Dória a está resgatando. Dá-lhe, João Dória!!!!!!!

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  • Vania 04/07/2017 at 17:18

    Algo a se comemorar! Eles tem um visual lindo, mais clássico, que definitivamente não tinham a ver com a estética do grafite.

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  • Douglas Alves 04/07/2017 at 18:18

    A restauração foi viabilizada na gestão Haddad em Outubro/Novembro de 2016. Esse tom partidário da SP Antiga não condiz com o título de jornalista que o autor do texto ostenta.

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    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 20:29

      Xará, engano seu.
      Acompanho a novela do restauro deste monumento (e de muitos outros) desde antes de grafitarem o local. O antigo secretário de cultura sequer atendia as demandas do patrimônio histórico, ele só se ocupava em destinar verbas para hip-hop e eventos da comunidade LGBT. Embora eu ache que estes precisem sim de verba, o correto é ser plural na cultura, e ele não era.
      Por fim a restauração não teve respaldo da gestão anterior, ao contrário do que você diz. O que houve ano passado foi uma ação popular pró restauro.
      Parem com essa bobagem de falar em “tom partidário” não tenho apreço por um lado e nem pelo outro, eu quero minha cidade melhor e pouco importa quem o faz. Abraços

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    • Luiz Henrique 05/07/2017 at 11:39

      Fernando Hadad foi um dos políticos mais omissos no que diz respeito à recuperação/ preservação de patrimônios públicos. E ponto final.

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  • Pedro 04/07/2017 at 18:53

    Zelo pelo patrimônio público? Não é o que vimos pelo centro da cidade… Discurso raso e muito marketing desse prefeito. Parece piada ler essa frase no texto “vemos uma administração preocupada com o zelo e a manutenção do patrimônio histórico paulistano. Muitas pessoas vinham para São Paulo ver os tão famosos grafites, e agora a cidade está voltando a ser cinza e feia. Infelizmente algumas pessoas pararam literalemnte no tempo. E para finalizar, que post político esse ein… que vergonha

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    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 20:31

      Que famosos grafites cara ? Há muito grafite bom por ai, mas nenhum deles tem o direito de ser feito em cima de um patrimônio histórico.

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      • Jorge Roberto Coelho Ferreira 04/07/2017 at 21:19

        Se houve algum cidadão que seu deu ao trabalho de vir qui para ver os “famosos” grafites, deve ser daqueles que tem a mesma sensibilidade artística de uma vaca espanhola num campo de milho.

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    • Luiz Henrique 05/07/2017 at 11:42

      Você vai a uma determinada cidade para ver grafite? Então não importa se o local está sujo, insalubre, perigoso e abandonado( como São Paulo estava), desde que tivesse um belo grafite no muro pra ver? É piada?

      Reply
  • Agronopolos 04/07/2017 at 19:04

    Isso mostra como não entende o que ser neutro como jornalista.
    Aproveita uma matéria de restauro de um bem (e o motivo do restauro não era pq estava grafitado, e sim porque estava pichado por cima do grafite) para atacar sem pensar 2x alguém que aparentemente não foi paga para elogiar ou não gosta mesmo, partidariamente falando
    O motivo era ter imagem do Hugo Chaves? Desculpe mas nosso pais até agora nem fez nada contra o roubo de material que foi feito com o gasoduto e usinas de gás da Bolívia (e olha que já mudou o partido na cadeira da presidência…
    Quando um site de historia do passado fica elogiando muito mais a atitude de algum lado, especifico, percebo que tem algo errado

    Sei que será censurado essa postagem, mas ao menos você, Douglas, lerá, mesmo não concordando

    Espero que logo se torne politico e corrupto (pois é assim que começa)

    Adeus

    Reply
    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 20:39

      Jamais censuraria mensagem alguma, quem não aceita comentário contrário me parece – com todo o respeito – ser você.
      Sobre atacar 2x alguém eu confesso que não entendi, eu expus minha crítica ao prefeito anterior e ao seu secretario. E as reitero aqui.

      Falando sobre patrimônio histórico – eu disse pa-tri-mô-nio his-tó-ri-co – a cidade melhorou demais em apenas sete meses. Nas outras coisas melhorou ? Sim e não, mas nossa página está aqui pra falar de patrimônio, para outras coisas existem veículos mais apropriados. Na área que eu atuo, sinto muito se você não gosta, mas melhorou demais e vem mais coisa boa por ai.

      Sobre o Gasoduto da Bolivia eu concordo com você.

      Sobre eu me tornar político, jogue essa praga pra outro. Não tenho a menor intenção e já fui convidado 2 vezes a disputar cargo de vereador por dois partidos diferentes, tanto em 2016 como em 2012.
      Abraços

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    • Luiz Henrique 05/07/2017 at 11:47

      A cultura de preservação de bens públicos deve ser pauta de uma gestão, o que, definitivamente, não aconteceu na do PT. Pelo menos aqui em São Paulo.É fato.

      Reply
  • Lucas 04/07/2017 at 20:27

    E aí? Quanto a prefeitura está pagando pra vocês?

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    • Douglas Nascimento 04/07/2017 at 21:26

      Nossa que comentário inteligente!

      Reply
    • Luiz Henrique 05/07/2017 at 11:49

      E aí, de quanto é a verba que comentaristas como você recebem do PT?

      Reply
  • Simone Valerio 04/07/2017 at 21:16

    Eu adorei a restauração dos Arcos, principalmente com a iluminação noturna. Não tenho conhecimento suficiente sofre grafites mas em geral os acho horrorosos, pesados e sempre com cenas de violência. Basta, alguns doem os olhos! Uma das poucas exceções é um grafite que está no Parque da Juventude na Zona Norte com a figura de algumas crianças pintadas. Parabéns por seu posicionamento, Douglas Nascimento. Admiro demais seu trabalho.

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  • Roberto Carvalho de Magalhaes 05/07/2017 at 12:29

    Peraí, Douglas: há uma contradição gritante nesse seu artigo – ou, pelo menos, na sua premissa. Você acusa a gestão Haddad de grande desleixo com o patrimônio histórico-artístico da cidade e, depois, admite que a aprovação do restauro ocorreu em março de 2016, na gestão de, advinha quem? Do Haddad! Não estou aqui para defender ninguém e concordo que a adminstração Haddad, através de algumas de suas secretarias, demonstrou um desleixo total, por exemplo, pelos parques da cidade, cuja degradação se acentuou… mas é preciso ter coerência nas acusações ou apresentar as provas corretas para elas.

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    • Vania 06/07/2017 at 12:13

      As ações ligadas ao meio ambiente foram o pior aspecto da gestão Haddad, dos parques abandonados à falta de manutenção das árvores nas vias públicas. Teve aspectos muito bons, no meu entender, como o grande aumento dos corredores para ônibus, que realmente fazem diferença na vida de muita gente.

      Reply
  • Vania 05/07/2017 at 13:07

    Os Arcos ficaram incomparávelmente mais bonitos agora, depois de restaurados e eliminada a grafitagem anterior. Respeita-se assim a sua concepção original. Definitivamente, os grafites não tem nada a ver com a estética dos Arcos. Há outros locais onde os grafites tem a ver, dialogam com o entorno, como no Beco do Batman.

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  • Daniel Pardo 05/07/2017 at 20:58

    Ficou bem melhor agora, sem os grafites.

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  • Renata Demétrio 06/07/2017 at 08:07

    Não sabia que não se tratava de uma matéria redigida por um jornalista imparcial e crível, mas de um discurso político nojento, parcial, redigido por um panfletário puxa-saco, que deve estar levando algum dinheiro da gestão Dória para falar tanta merda!
    Infelizmente não dá para recuperar o tempo que perdi lendo tamanha asneira.

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    • Douglas Nascimento 06/07/2017 at 09:15

      Renata que preguiça de ler seu texto. Nada é mais insuportável do que militante mimado que não sabe assimilar uma crítica.
      Seria ótimo um lugar onde só escrevem o que você gosta de ler não é ? Mas ainda bem que esse lugar não existe (pelo menos aqui, na Venezuela quem sabe).
      Tempo eu perdi te respondendo, mas no fundo eu me divirto. Abraços

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  • Emerson de Faria 06/07/2017 at 19:36

    Com o devido respeito aos grafiteiros, apagar aqueles grafites dos arcos foi a melhor coisa que fizeram. Mas para aqueles que residiam nas casas que ficavam entre os arcos e foram enxotados para a periferia não significa nada. São Paulo tem que seguir o exemplo londrino e mesclar habitações populares com de alto padrão nos principais bairros da cidade, pois se o bacana bem sucedido gosta de morar perto do local de trabalho, o pobre também gosta, e esta cidade somente será para todos somente se todos delas desfrutarem, independente de suas origens e posses.

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  • Beto Pontes 07/07/2017 at 10:02

    Considero este muro de arrimo como um patrimonio historico mas nao exageremos … ele nao passa de um muro de arrimo e existem centenas em Sampa … este somente tomou o carater de monumento por ter sido usado em discurso politico, principalmente do discurso da demolicao. Alias, um outro patrimonio muito maior do que este, chamado Adoniran Barbosa, ou Joao Rubinato, parece estar esquecido … Adoniran posou para fotos junto aos sobrados que foram demolidos em 1987. As fotos dele podem ser encontradas online. Ele canta em suas musicas sobre as demolicoes. Saudosa Maloca como um exemplo do que ocorreu com a comunidade que existia no local. Este patrimonio supera o deste muro de arrimo. Mas as demolicoes ja foram feitas e o resto eh historia. Contudo nao nos esquecamos nem de Adoniran e nem dos sobrados e da comunidade que existia …

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  • Juliana 07/07/2017 at 15:36

    Douglas, sou leitora (e fã) do SPA há anos. Não acredito em neutralidade, acho que viver é tomar partido. Você tem o seu e tem todo o direito de manifestá-lo, o blog é seu! Eu tomei o meu, oposto a essa gestão que se pauta pela absoluta promiscuidade do público com o privado – ninguém aqui acha que empresário faz doação para a cidade assim tão desinteressadamente, não? Eu acho, particularmente, que esses arcos poderiam ser molduras de obras de arte, sejam grafitti ou não, escolhidas e projetadas com critério. De resto, o atual prefeito só mostra que não entende patavina de arte, ao justificar sua admiração por determinados artistas em função do “sucesso” que eles fazem nos EUA… Enfim, SP elegeu esse senhor, agora aguenta.

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    • Douglas Nascimento 08/07/2017 at 12:10

      É isso ai Juliana, divergir e não discutir. Infelizmente muitos são extremamente polarizados e não conseguem armar um bom debate (seja de qual lado for).
      Na área do patrimônio histórico tenho um pensamento bastante conservador e me sinto alinhado com o quem vem sendo feito pela atual gestão, isso – evidentemente – não quer dizer que concordo com tudo que vem sendo realizado em outros segmentos, é importante separar o joio do trigo. Abraços

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  • O.Juliano 21/08/2017 at 19:31

    Falar que Haddad não amava a cidade é um tanto quanto tosco pois dá a entender que quem ama é o Doria. Por mim, tanto faz se é Haddad ou Doria contanto que alguém fizesse uma REAL gestão da cidade, coisa que não é o que vemos, se é Haddad vem a ideologia do PT e se é o Doria vem a do PSDB. No final das contas são farinhas de sacos diferentes, mas ainda assim apenas farinha.

    Também prefiro que as obras antigas sejam originais, para guardar a nossa história. Acredito que foi um erro autorizar grafite nos Arcos do Jânio. Mas assim como acho um erro apagar os grafites do Corredor Norte-Sul.

    Separa um dinheiro para manter e restauração e o restante que seja utilizado para algo que o povo realmente precisa ao invés de ter feito a guerra ao grafite e pixação. Se for pra escolher, prefiro ter um transporte público de qualidade do que ver muros limpinhos.

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    • Douglas Nascimento 22/08/2017 at 11:06

      Juliano, mas é verdade… Haddad não gostava da cidade que administrava. Nunca gostou! Foi candidato por imposição do Lula apenas e em seus 4 anos desprezou obras artísticas, atividades culturais genuinamente paulistanas e mostrou-se um prefeito alheio aos problemas da cidade.

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  • Ge Cesar 05/10/2017 at 17:01

    Aprecio o tema central que você trata. Gostaria de filtrar o seu posicionamento político para continuar apreciando o seu site mas temo que não consiga. Neste momento em que a democracia foi golpeada no país, não tem muito como as cisões não ficarem mais definidas.
    Mas me permito fazer um comentário sobre o difuso conceito de democracia. Por conta de um artigo que escrevi há anos, pesquisei a fundo, concessões de rádio e tvs pelo mundo e descobri ( não lembro dos números agora, e não vou pesquisar para este comentário) que nos EUA e na Inglaterra, já foram canceladas dezenas de concessões. O mesmo acontece em qualquer país que já tenha consolidada a sua democracia. São países que têm leis que regulam a comunicação. Não é, infelizmente, o nosso caso. Mas falo desse assunto porque você tocou na figura do Chaves, chamando-o de ditador. O presidente venezuelano sofreu um golpe de estado quando foi eleito democraticamente e o golpe foi montado pela RCTV ( se não viu sugiro o excelente documentário “A revolução não será televisionada”). O golpe durou pouco e Chaves teria todo o argumento legal para cancelar a concessão da RCTV e não o fez. Aguardou o término do contrato, e apenas dois anos depois não a renovou. Isso, eu diria, é excesso de democracia. Mas teve e tem mais. Chaves implementou além das eleições constituídas o recall, ou seja, dois anos após a sua própria eleição, a população era convidada a votar pela continuação ou não do governo eleito. Além disso havia consulta popular para os temas mais diversos da sociedade. Então, pode-se gostar ou não do Chaves (eu, particularmente não gostava) mas o que não dá é chamá-lo de ditador. Segundo qual critério você e a imprensa das 4 famílias brasileiras assim o chamam?
    Parece necessário dizer também, que o grafiteiro que fez a pintura afirmou não ser o Chaves e mesmo que fosse não cabe ao poder público pautar uma arte que se pretende ser uma livre expressão.
    Por último, Haddad pode não ter alcançado a sua expectativa, mas foi, sobre o aspecto essencial, um administrador que, ao meu ver, mereceu os prêmios internacionais que ganhou. O atual é um vendedor e um marqueteiro. Eu prefiro no meu convívio, não ter como companhia, vendedores e marqueteiros.

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