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A Rua Adolf Hitler e outras ruas de alemães que mudaram de nome em São Paulo

Comments (44)
  1. J.C.Cardoso disse:

    Embora SP fosse resistente a Getúlio, o Governo Federal, naquela época era bem simpático ao nazismo. Acho que explica.
    Com aos nomes esdrúxulos, vou listar aqui no Rio a Praça Papai Noel (tem CEP: 21920-346), na Ilha do Governador.
    Listei no meu Fotolog:

    http://fotolog.terra.com.br/toponimiainsulana:168

    1. Alexandre Teixeira disse:

      Realmente o Rio de Janeiro tem nomes muitos estranhos de ruas, bairros e praças, como por exemplo Praça Seca.

      1. J.C.Cardoso disse:

        A Praça Seca (realmente, o nome é esquisito) é corruptela de Praça Asseca, do barão de Asseca (tanto que tem Rua Barão e Rua Baronesa nas cercanias da praça), proprietário de terras no local.

    2. almiro disse:

      Outras do RJ, entre Ipanema e Leblon: Bulhões de Carvalho e Cupertino Durão (ruas).

      1. J.C.Cardoso disse:

        Almiro: essas são engraçadas porque dão margens a trocadilho. Quando eu era criança (e olha que moro na Zona Norte), a Bulhões de Carvalho era apelidada de Rua “Quase-Quase”…
        Mas… a Papai Noel… por si só o nome é pitoresco. Já pensou numa rua chamada Coelhinho da Páscoa???

    3. fernando da cunha canto filho disse:

      Parelheiros e Santo Amaro foi onde se fixaram imigrantes alemães no primeiro reinado.É natural que homenageassem um político austríaco Hitler, um aviador como Zepelin.No interior paulista havia homenagens a Mussolini.

  2. Marcelo dias disse:

    Então, isso é polêmico. Os nomes foram trocados não por ocasião da guerra e nem do pós guerra, mas é de conhecido público que Vargas e o Brasil, mesmo sendo neutro, simpatizava com o Eixo. Mas tantos heróis de hoje como Mao-Tsé-Tung, Fidel Castro, Stálin, dentre outros, qualquer pessoa que não seja ignorante sabe que foram bem piores que Hitler e AINDA TEMOS políticos piores que ele só que ainda não sabemos o que eles fazem atrás dos bastidores……

    1. Valeria Fulp disse:

      Pois e’, Vargas era simpatizante com o Eixo, no entanto mandou muitos brasileiros pra Italia, pra lutar no Monte Cassino contra os alemaes. Muitos perderam suas vidas la. Vai entender…. Agora so falta dar nome `as nossas rua de Hugo Chaves, Fidel Castro, Che Guevara e outros amiguinhos do PT.

      1. Alexandre Teixeira disse:

        Na realidade Getulio foi pressionado pelo governo americano, devido as suas reservas minerais. Os americanos não queria perder por nada essa riqueza, como já aconteceu na guerra fria, durante a ditadura.
        Os políticos daquela época fizeram a coisa certa de mudar esses nomes, principalmente de AH.

      2. Remato disse:

        Getúlio nunca foi aceito por São Paulo. A única rua de São Paulo – SP que teve o nome do Getúlio teve o nome rejeitado e trocado há muito tempo. Hoje tem uma pequena rua com seu nome em um bairro distante: http://goo.gl/maps/3eHm5.

        1. Remato,

          Há também a Passarela Getúlio Vargas, que fica sobre a Avenida 9 de Julho.
          Não deixa de ser irônico a passarela com o nome de Getúlio passar por cima da avenida cujo nome é relacionado ao movimento de 1932.

          1. Guilherme disse:

            Acho que a passarela tá na 9 de Julho por conta da FGV mesmo, não é ali perto?

        2. J.C.Cardoso disse:

          Eu disse isso logo no início: “embora SP fosse resistente a Getúlio”…

    2. Leonardo disse:

      O pior é que tem ruas com nome destes genocidas. Em Campinas tem rua Che guevara se não me engano. NO ABC não sei qual cidade com vila Lenin ou stalin sei lá, estes absurdos tem aos montes pq as pessoas de bem tem uma preguiça danada, enquanto as mal intencionadas dedicam muito do seu tempo para fazer o que sabem de melhor.

  3. Fernando disse:

    Interessante o fato de uma das ruas ter sido renomeada para Gabriele d’Annunzio. Aqui no Brasil é pouco conhecido, mas ele além de ser poeta foi político nacionalista na Itália, precursor de Mussolini.
    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriele_d%27Annunzio)
    (http://en.wikipedia.org/wiki/Gabriele_d%27Annunzio)

  4. Norton disse:

    Acho bem estranho em 1931, quando Hitler nem era chanceler na Alemanha (que ocorreu em 1933), existir uma rua com nome dele aqui. Esta certo mesmo essa data ??

    1. Olá Norton, como vai ?
      Está certíssima, está nas fontes no final do texto.
      Embora ainda não fosse chanceler ele já era bastante popular por aqueles lados e o Partido Nazista já era uma realidade.

    2. Fernando disse:

      percebi isso também

    3. Alexandre Teixeira disse:

      Mas ele era um político influente na alemanha. Todos o adoravam.

  5. suela disse:

    meu deus quem em sua inteligencia mental deu nome desse deste ai mesmo monstro as nossas ruas deve ser pior que ele …mas que horror…ainda bem alguem de muita sabedoria desfez isto.

    1. AlGade disse:

      Suela, quando o nome foi dado a rua, Hitler ainda não tinha se tornado um “monstro”, com você diz, na verdade ele ainda não havia se tornado, sequer, chanceler da Alemanha, portanto, não seja precipitada em julgar quem propôs esse nome. Além do mais, a despeito dos horrores que seus anos de governo produziram, ele, enquanto gestor público, teve grande exito ao reerguer a Alemanha, que, ao final da primeira guerra mundial, estava “quebrada”, tornando-a tão grande e poderosa que ele foi capaz de promover a 2ª GG e todos aqueles horrores.

      Veja esse comercial e entenda um pouco melhor isso e o poder que a as empresas de mídia e os governos vitoriosos tem de construírem imagens que sirvam aos seus interesses; https://www.youtube.com/watch?v=6N38InRN8q0

  6. Chantal Luz disse:

    Não sabia da mudança de nome dessas ruas. Muito interessante. Mas parece que essas mudanças não se limitaram apenas aos nomes das ruas. Na Rua Direita havia uma loja de alta costura, chamada Casa Alemã. Durante a Segunda Guerra ela teve seu nome mudado para Galeria Paulista. Devem ter havido outras mudanças semelhantes.

    1. J.C.Cardoso disse:

      Aqui no Rio há o Bar Luiz.
      O nome original era Bar Adolf, porque um dos proprietários, alemão, se chamava Adolf Rumjaneck. Foi depredado no temp o da Guerra por acharem ser em homenagem ao Führer. Virou Bar Luiz, por conta do nome do outro sócio Ludwig (Luiz em alemão) Vöit.

    2. Alberto disse:

      Sim, aconteceram coisas desse tipo. O Palestra Itália foi obrigado a mudar o nome para Palmeiras em 1942 se não me engano, por fazer alusão a um país do Eixo. O Clube Germânia teve sua sede perdida para o São Paulo Futebol Clube, por pertencer a “inimigos”. O mesmo São Paulo Futebol Clube tentou tomar da mesma forma o Palestra Itália, mas sem sucesso. Nomes e sobrenomes italianos foram aportuguesados, por exemplo, nomes e sobrenomes terminados em “i” passaram a ser grafados com final “e”. Meu avô teve que mudar sua documentação toda por causa disso e corrigí-la um bom tempo depois.

      1. fernando da cunha canto filho disse:

        Coisas do ditador Vargas, hoje ninguém se lembra de seu lado sombrio encarnado em Filinto Muller, de suas manipulações mesquinhas, da circular secreta antisemita.

      2. Leonardo disse:

        Alberto, o Germania continuou existindo como um clube associado ao São Paulo FC por alguns anos, só depois foi integrado ao clube E essa história do palestra não é verdade, isso surgiu muito tempo depois pois desde a fundação do SP ele desafiava o sistema estabelecido, o que incomodava um pouco por isso surgiu esta história.

  7. Algumas ruas homônimas de Santo Amaro só ganharam as denominações atuais em 1978. Foi aí que 15 de Novembro virou “Cancioneiro de Évora”, por exemplo.

    1. Tulio disse:

      Essa e muitas outras. Rua Almirante Barroso, Avenida Conselheiro Rodrigues Alves (atual Vereador José Dinis). Foi Olavo Setúbal quem mais fez troca de nomes de ruas. A Estrada dos Zavuvus virou Avenida Yervant Kissajikian, apesar de todos os protestos dos moradores, que tinham dificuldades para pronunciar o novo nome. Um mapa antigo mostra quantos outros nomes eram repetidos. Lembro que minha tia morava na Rua Prudente de Morais, que se tornou Antonio de Macedo Soares.

  8. roxana maria filetti disse:

    Lendo os comentários eu me lembrei de uma história de família. Na verdade, contraparente, mudou-se no início dos anos setenta para a periferia de São Paulo. Um lugar inóspito com ruelas sem calçamento, etc. E sua rua simplesmente não tinha nome. Era um problema, não chegava correspondências, contas, etc. Ele então foi reivindicar um nome para sua rua e o fez, em peregrinações sucessivas na Câmera em “conferências” (SIC) com vereadores. Ninguém tomou qualquer providência. Ele então se cansou: mandou pintar uma tabuleta com seu próprio nome – esdrúxulo, diga-se de passagem – Sete Caramaschi. E assim ficou. Ao que parece até hoje a rua tem seu nome, cep, placa de rua oficial, etc.

  9. Thiago disse:

    O nome do Zeppelin poderia ter ficado.

  10. Clovis Carlos Ferreira disse:

    Nomes colocados em ruas por pessoas que não sabem o que estão fazendo é comum na periferia de São Paulo. No Grajaú, por exemplo, existe a Vila Natal, onde todas as ruas tem nomes de frutas brasileiras (belas homenagens) seguidos da palavra Natal. Ex.: Rua Abacaxi Natal, Manga Natal., Tangerina Natal, e por aí vai.

  11. ulysses freire da paz jr. disse:

    Qualquer um que pretenda ser sensato e não se guiar pela imoral história oficial dos ‘aliados’ – que mobilizaram o mundo para destruir um país democrático, sem desigualdade social, que despontava como a VANGUARDA tecnológica e MORAL da humanidade, para defender um regime déspota e sanguinário que não respeitava a liberdade religiosa, a propriedade privada e a liberdade de imprensa VIDE CAPÍTULO III http://vho.org/aaargh/fran/livres9/BORREGOdermund.pdf – pode aproveitar o que ainda resta de liberdade para promover o que não aparece na mídia: COERÊNCIA = FUNDAMENTO DA VERDADE – PILAR DA ÉTICA, BERÇO DA JUSTIÇA – PAZ – E ORDEM SOCIAL.

  12. nicolau@hotmail.com disse:

    Me fala como tem tempo sobrando pra fazer esse tipo de coisa ? Não consigo!

  13. ulysses freire da paz jr. disse:

    Desde que Honoré de Balzac afirmou “Existirem dois tipos de história mundial: uma – a oficial, mentirosa, própria para as salas de aula; a outra – a história secreta, que esconde a verdadeira causa dos acontecimentos”, quase nada mudou.

    Pesquisa é como garimpo, exige algum conhecimento do que se busca,TEMPO, muito empenho, até se chegar às substâncias raras e de valor,visto que:

    QUEM DÁ VOZ À HISTORIA É QUEM ACEITA, OU NÃO – AS MENTIRAS ESTABELECIDAS PELO PODER ECONÔMICO.

    “Em tempos de embustes universais, dizer a verdade se torna um ato revolucionário”George Orwell

  14. JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA disse:

    Ha época da mudança do nome Estrada dos Zavuvus para Yervant Kssajkian uma comissão de vários bairros da zona sul foi ao prefeito reclamar contra a mudança. Não deu em nada. Porém, o fato é que até hoje, não ha diabo que faça a imensa maioria do povo pronunciar o nome correto. Passou a ser somente “Iervanti” e assim deve continuar até o juízo final. Entretanto, ao menos uma dessas mudanças esquisitas não prosperou: mudaram o nome da Estrada de Itapecerica, para um nome que nem me recordo mais. Acho que um mês depois voltaram atraz. Outra até hoje inexplicável e a mudança do nome do Largo São Sebastião (próximo ao Largo Treze) para Largo Boneville. Se perguntar a alguém que lá trabalha ou passa por alí todos os dias, nem assim vão saber onde fica o tal Largo Boneville.

    1. Haviam mudado para Estrada Armado Salles, depois voltou para Estrada de Itapecerica…

  15. Bert disse:

    E eu residi 20 anos na Almirante Barroso 133, Campo Belo, e não sabia disso! mas sou obrigado a dizer que passei anos felizes no Campo Belo, estudava no Colégio Meninópolis, no Brooklin Paulista ao lado da Igreja do Morumbi.

  16. Marcelo disse:

    Meu pai veio para o Brasil em 1938, escapando da perseguição aos judeus. A sua primeira casa própria foi adquirida na rua Gil Eanes (antiga Almirante Barroso). Quem diria que um judeu fugitivo da perseguição nazista moraria em uma rua que ate 1931 se chamada Adolf Hitler?

    1. Não vejo nem um problema nisso, eu conheço um palestino que mora na rua david Ben Gurion….o que vc acha disso Marcelo?

  17. Sebastião disse:

    Na minha cidade (Três Lagoas-MS) há ruas como Nelson da Capitinga e Rolando Lero rs…
    O negócio é o carteiro achar nossa residência, o resto é detalhe.

  18. Caio disse:

    Nomes mais antigos eram mais legais, gostaria mais de um adolf hitler que de uns deputado que nunca ouvi falar na vida que devem ser tudo ruralista entreguista, ao contrario do líder alemão

  19. Demonizar o Hitler faz com que jamais a história do mesmo venha à tona, pois é notório que a vida desse homem está propositalmente escurecida. Parece que fizeram de propósito, pois assim ninguém ousa ir atrás de informações imparciais. Simplesmente o acusam de reencarnação de Lúcifer como se uma pessoa sozinha tivesse o poder para fazer tudo o que foi feito, sendo mal ou bom.

  20. ulysses freire da paz jr disse:

    (Emeric Lévay)

    Corria o mês de janeiro de 1906, quando São Paulo possuía, no então denominado Largo Municipal, hoje Praça João Mendes, o senado e a câmara de deputados, à semelhança do Congresso Nacional.

    Francisco de Assis Peixoto Gomide, político de grande prestígio, nos primórdios da República, ocupava a presidência da Câmara Alta, chegando a exercer, na condição de Vice-Presidente do Estado a chefia do governo estadual, várias vezes, tanto na administração de Bernardino De Campos, como na de Campos Sales.

    A carreira brilhante do senador foi brutalmente interrompida por uma tragédia, na ante véspera do casamento de sua filha Sofia, de 22 anos, com o poeta Manuel Baptista Cepelos, assassinada pelo próprio pai, em sua residência na rua Benjamin Constant, no centro da cidade.

    O crime ocorreu por volta das duas horas da tarde, segundo o noticiário dos jornais, quando a moça costurava peças de seu enxoval na sala de jantar, segundo narração feita por Guido Fonseca em seu livro “Crimes, Criminosos e Criminalidade em São Paulo (pg. 113).

    Repentinamente, e sem motivo aparente, o senador saca de revolver e dispara um tiro na testa da filha, transfigurando-lhe o crânio. Em seguida, com a mesma arma, suicida-se com o tiro na própria cabeça, sem tempo de receber qualquer auxílio médico, apesar da imediata chegada ao local dos delegados de polícia João Baptista de Souza e Theophilo Nóbrega, acompanhados do legista Marcondes Machado.

    Aventou-se, então, à míngua da melhor explicação, que o gesto do suicida deveu-se ao preconceito que ele nutria em relação ao futuro genro, o qual, além de poeta, era promotor público na comarca de Itapetininga, e ex soldado do Corpo Municipal Permanente, depois transformado na gloriosa Força Pública do Estado, onde o festejado vate, alcançara o posto de capitão, à época em que freqüentava o curso jurídico do Largo de São Francisco (1885-1901).

    O acadêmico René Thiolioer, que privava de sua amizade, confirma tal preconceito (cf. “Episódios de minha vida”, pág. 29) aduzindo que o epíteto “poeta” apresentava uma conotação mais pejorativa do que o de soldado da polícia.

    O segundo ato da tragédia

    Baptista Cepelos, devido ao bárbaro assassinato da noiva, resolve licenciar-se do cargo que ocupava na promotoria pública, para tratamento da saúde abalada (fevereiro de 1906), requerendo nova licença, após breve retorno a Itapetininga, a fim de participar das reuniões preparatórias da fundação da Academia Paulista de Letras (1907), cujo afastamento se prolongou até julho de 1908, quando veio a lume a 2ª edição de seu livro “Os Bandeirantes” prefaciado por Olavo Bilac ao mesmo tempo que iniciava a colaboração no jornal “Comércio de São Paulo”.

    Contudo, o indeferimento de nova licença, por mais um ano, levou-o a pedir exoneração do cargo de promotor, em 30 de julho de 1909, época em que tentou candidatar-se à uma cadeira da Academia Brasileira de Letras, na vaga de Artur Azevedo, perdendo-a para o poeta Vicente de Carvalho, sem levar um único voto no escrutínio, o mesmo acontecendo numa segunda tentativa, quando almejava o lugar deixado por Raimundo Correia, preenchido por Osvaldo Cruz (1913)

    Posteriormente, por empenho do deputado federal Martim Francisco junto ao governador fluminense Nilo Peçanha, Baptista Cepelos viu-se nomeado promotor público de Cantagalo (1915), ao mesmo tempo em que recebia os aplausos da platéia do Teatro Trianon, na capital da República, por seu drama-sacro “Maria Magdalena”, cuja reapresentação fora projetada por amigos, em caráter beneficente, em prol do autor da peça.

    O espetáculo, marcado para o dia 9 de maio não se realizou porque na véspera da reapresentação, o corpo do poeta foi encontrado bastante desfigurado no sopé de uma pedreira, de 80 metros de altura, no bairro do Catete, nos fundos de um quintal de uma residência, à rua Pedro Américo.
    O comissário da Polícia, dr. Thibau, do 6º Distrito, que presidiu o inquérito, optou pela hipótese de suicídio, aliás admitido pelo próprio amigo do morto, René Thiolier (op..cit. Pág.47), embora outras pessoas, como Francisco de Castro Lagreca, tivessem aventado outra causa, de natureza acidental, sem maior consistência fática, visto que não se mostrava razoável, que Cepelos fosse àquele local, altas horas da noite, por caminhos de penoso acesso, como registrado por seu biógrafo Mello Nóbrega (“Baptista Cepelos”, pag. 39), de maneira a prevalecer a tese de suicídio premeditado, também abonada por dois outros amigos do morto, Marco Vilalva e Augusto Saraiva.

    O cadáver do malogrado poeta, como anota Erich Gemeinder numa caprichada cronologia biográfica acrescida ao folheto editado pelo livreiro carioca Carlos Ribeiro, com texto do referido escritor Melo Nóbrega, fora sepultado no cemitério de São Francisco Xavier, no dia imediato ao suicídio, porém, quando da reforma da necrópole, seus restos mortais acabaram sendo transferidos para a vala comum (9 de junho de 1915), onde se perderam irremediavelmente!

    Uma versão temerária

    Humberto de Campos ao receber em seu gabinete, anos depois (13 de agosto de 1933), o escritor Melo Nóbrega, que pretendia colher um autógrafo num exemplar de suas “Memórias”, registrou, com alguns equívocos acerca do famigerado filicídio, a seguinte nota em seu “Diário Secreto”:

    “…O que se sabe até agora, é triste e horrível, e quase se não pode contar.

    O Cepelos, como o senhor sabe – prossegue o visitante – nasceu em Cotia em São Paulo, e era mestiço e filho natural. Indo ainda jovem para a capital, sentou praça na Brigada Policial, e chegou a capitão. Na Revolta de 1893, foi para o sul e tomou parte, lá, na campanha. Veio depois para o Rio de Janeiro, e aqui foi que, em 1915, foi a São Paulo, e conheceu ali uma jovem pela qual se apaixonou. A ignorância da paternidade era um dos tormentos de sua vida. A moça, porém, correspondeu à sua paixão. Era filha do velho coronel Gomide, chefe político de Cotia, que se opôs vivamente ao noivado. Foi quando para forçar o pai ao consentimento, ela confessou:
    – Mas o senhor tem que consentir, porque eu já entreguei a ele! O velho entra em desespero. Toma um revolver, mata a filha e suicida-se depois. Cepelos era também filho de Gomide.” E continuou o memorialista:

    “Ao ter conhecimento do fato, Cepelos achou que não devia mais suportar a vida. Subiu à pedreira, que dá para a rua Pedro Américo, e atirou-se de lá. É pena – remata Melo Nóbrega – na ligeira conversa tida com o autor de “O Monstro e Outros Contos”, que não se possa narrar esse drama, ou melhor, essa tragédia” (cf. “Diário Secreto”, vol. 2, pág.386,edição “O Cruzeiro”, 1954).

    Quem lê as páginas deixadas pelo meticuloso biógrafo do malogrado poeta, não encontrará nelas nenhuma referência a respeito da suposta paternidade imputada ao velho senador, que numa crise de consciência teria matado a filha para impedir o casamento de dois irmãos consangüíneos e a conseqüente consumação de uma relação incestuosa.

    Semelhante mistério ainda persiste nos ensaios de João Gualberto de Oliveira e Arruda Dantas, que se ocuparam da vida atormentada do “Cantor do Bandeirismo”.

    Vale aqui, a sentença tantas vezes repetidas pelos italianos – “Se non è vero, è almeno bem trovato”!….

    Emeric Lévay – foi Desembargador – Coordenador do Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo – Professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Membro da Academia Paulista de História – do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito e Sócio-titular do I.H.G.S.P

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