A cidade de Santos costuma ser um deleite para os amantes das construções históricas. Especialmente em seu centro, mas espalhado por boa parte da cidade, existem imóveis antigos nos mais variados estilos arquitetônicos e também nos mais diferentes estados de conservação.

A rua do Comércio é uma destas ruas que nos permitem uma viagem no tempo. E é justamente nesta rua, no número 49, que existe um velho sobrado que tem uma história muito curiosa para contar!

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O sobrado colonial centenário por si só já representa um patrimônio histórico considerável. Apesar de não estar em excelente estado de conservação, o imóvel apresenta-se em melhores condições do que muitos de seus vizinhos. A fachada teve apenas alterações em suas portas comerciais do piso térreo, que foram arrancadas e trocadas por outras mais largas, para que no local pudesse funcionar um estacionamento.

O piso superior permanece sem alterações e preservado, apesar de alguns vidros quebrados nas janelas. Entretanto, parece que nada funciona neste andar de cima, uma vez que há a nítida impressão de que ele está sempre vazio.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Mas é na fachada do imóvel, que uma placa dá a pista para algo que existiu anteriormente no lugar deste sobrado e que deixa o local ainda mais interessante, observe a imagem a seguir:

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Nesta placa, instalada na fachada deste sobrado em 7 de setembro de 1922, está escrito: “Neste solo existiu a primitiva casa em que nasceu o grande brasileiro Bartholomeu Lourenço de Gusmão, o precursor da aviação…”(*1).

Muito interessante saber que ali houve anteriormente a residência do chamado “Padre Voador”. Segundo apuramos, a casa veio abaixo ainda no século 19 e era um imóvel bastante simples e o imóvel atual é dos primeiros anos do século 20. A placa foi instalada durante as celebrações do Centenário da Independência do Brasil pela Câmara Municipal de Santos, para que jamais fosse esquecido que neste local nasceu uma pessoa tão importante de nossa história.

Recentemente, o município de Santos foi agraciado com o novíssimo Museu Pelé, há poucos metros deste sobrado. Porque ao invés de um imóvel tão interessante como este abrigar apenas um estacionamento, este não ser também transformado em um museu sobre Bartolomeu Lourenço de Gusmão ou mesmo sobre a aviação ? Pode vir a ser mais um importante passo para a tão sonhada revitalização completa desta área tão histórica da cidade.

(*1) Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o Padre Voador, nasceu em Santos em dezembro de 1675 (o dia é desconhecido), e faleceu na cidade espanhola de Toledo em 18 de novembro de 1724. Seus restos mortais repousam desde 2004 na Catedral Metropolitana de São Paulo.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Ana Silvia Bloise 24/07/2014 at 11:44

    Ótima reportagem Douglas, e o edifício parece ser muito bonito. Deverá no futuro abrigar alguma atividade, já que certamente o Museu Pelé trará mais movimento àquela região. É o que eu espero!

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  • Renato Romano 24/07/2014 at 15:55

    Faz falta um museu da aviação em São Paulo. Cheguei a visitar a Oca (no parque do Ibirapuera) quando era museu da aviação e do folclore.

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  • Gualberto Cappi 26/07/2014 at 15:16

    Olà Douglas!
    Concordo plenamente. E’ incrivel que o lugar onde nasceu (o ano correto è o 1685) o homem que de fato criou muito tempo antes do Montgolfier o primeiro balao aerostatico movido a ar quente fique naquele estado deploravel de abandono.
    O Brasil tem a honra de ter sido patria de dois pioneiros da aviaçao, padre Gusmao e Santos Dumont, e nada que valorize este patrimonio cultural (de um pais que ainda tem uma industria aeronautica importante).
    A ocasiao para a cidade di Santos, cidade tambem turistica e com otima enfraestrutura, de ter um museo do voo a partir de um predio de qualidade, como aquele deste serviço, e de um proprio filho no começo da historia, seria de nao perder!

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  • danielpardo2015 28/02/2015 at 20:53

    E eu que pensava que o único padre voador que existiu foi aquele dos balões que morreu em 2008. 😀 😀 😀 😀

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