A Rua do Glicério, na região central de São Paulo, é um importante eixo de ligação entre a área do Parque D.Pedro II até a Liberdade e Aclimação. Logradouro antigo da cidade, é repleta de construções muito antigas, a grande maioria bem mal conservadas, deterioradas.

Entretanto ainda assim é possível encontrar no meio de tanta degradação algumas construções bem conservadas, como este conjunto localizado entre os números 741 e 751 desta via.

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Impossível não parar e admirar esta bela construção antiga. Trata-se de 4 residências geminadas, sendo duas térreas e duas no piso superior do imóvel. Erguida entre os anos 30 e 40, de acordo com um dos moradores, a casa está em perfeito estado de conservação e é uma das mais belas residências desta via. E fica diante da conhecida padaria Famiglia Franciulli, um dos melhores locais da cidade para se comprar pão italiano e massas.

Apesar de estar muito conservado, o imóvel sofreu duas pequenas intervenções na sua fachada que reduziu um pouco a sua originalidade. No segundo semestre de 2012 o conjunto recebeu esta nova pintura e, durante a reforma, o proprietário decidiu substituir as janelas de madeira do térreo, que estavam deterioradas, por outras novas em alumínio que não são tão charmosas quanto as originais.

A fotografia abaixo mostra como era o imóvel em 2012 com a pintura anterior:

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Além desta substituição das janelas do térreo, a segunda mudança foi fechar os dois respiros (janelinhas) do porão. São pequenas mudanças que poucos observam, mas que começam a diminuir lentamente a originalidade da fachada.

Apesar destas modificações pontuais, é louvável e muito gratificante ver um imóvel tão bem cuidado em uma via que hoje é bastante mal cuidada tanto pelos donos dos imóveis como pelo poder público, já que é uma rua insegura em muitos trechos e com uma coleta deficiente de lixo, com muitos pontos de acúmulo de sujeira.

A casa que chamava atenção antes da pintura, agora renovada, continua enchendo os olhos dos admiradores da São Paulo antiga.

Atualização 25/08/2014:

Infelizmente uma tragédia atingiu este belo imóvel da rua do Glicério na madrugada de sábado, 24 de agosto, para domingo. Uma explosão destruiu parcialmente a pensão após moradores terem percebido que havia um vazamento de gás. Mesmo a Comgás sendo acionada não foi possível chegar a tempo de evitar o pior.

Crédito: Folha de S.Paulo / Divulgação

Segundo a Defesa Civil o imóvel terá de ser demolido pois suas estruturas foram danificadas de maneira irrecuperável. É uma tristeza tanto pelas pelas pessoas feriadas como pelo belo imóvel que deixará de existir.

Veja mais fotos deste imóvel antes e depois da pintura (clique na miniatura para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comments

  • J.C.Cardoso 18/01/2013 at 14:31

    Praga do alumínio.
    Aqui no Rio também tem dessas aberrações.

    Reply
    • gil 18/01/2013 at 15:36

      Fala amigo, também não sou fã do alumínio mas imaginando que as madeiras do nosso planeta estão se acabando e cada vez mais raras acredito que o alumínio seja uma boa solução, abraço.

      Reply
      • J.C.Cardoso 18/01/2013 at 15:45

        Oi, Gil.
        Entendo seu ponto de vista, mas as pessoas que vejo por aí acabam recorrendo ao alumínio nem tanto por consciência ecológica, mas mais mesmo pelo preço ser mais baixo (tanto do material quando do profissional que vai montar a janela).
        Bom… existe a tal “madeira ecológica” (base de plástico, mas com textura de madeira) que, emassada e pintada, engana bem e não “choca” tanto a arquitetura. Ou recorrer a um serralheiro e usar o bom e velho ferro (fundido ou não). Teria mais a ver.

        Reply
        • Evandro 18/01/2013 at 16:30

          Olá J.C.Cardoso,
          Você tem razão, este material é empregado nas pracinhas da cidade de Balneário Camboriú – SC, onde resido, e realmente ele satisfaz a estética, pois parece madeira mesmo.
          Como é uma cidade litorânea, nossos “amigos” cupins fazem a festa nas casas de madeira, digamos, as que ainda estão de pé, pois a praga da especulação imobiliária aqui já é de praxe devido ao alto valor imobiliário dos terrenos, está muito rapida a demolição das casas e futuramente será um horrivel mar de edificios.Mas ainda é habitável e uma belíssima cidade.
          Abraço!
          Abraço

          Reply
          • J.C.Cardoso 21/01/2013 at 09:53

            Acho que imita mal, mas se pintado, fica igualzinho. Ou, pelo menos, bem melhor que alumínio.

      • marcio de S. Paulo 19/01/2013 at 09:34

        Amigo , em setratando de Restauro de um Patrimônio histórico (Tombado ou não) o original é que prevalece, se era madeira deve-se usar madeira,
        não se fez economia alguma e se deteriorou o original.

        Reply
      • Peterson Henrique Freitas 20/01/2013 at 20:21

        Nossa, não tem mais madeira no mundo…(!)
        Mano, pare com esses modismos politicamente corretos, tem madeira que não acaba mais!! A Finlândia ganha uma fortuna vendendo madeira, tem madeira que não acaba mais..

        Reply
    • Janaina 19/01/2013 at 13:22

      Também odeio alumínio, feio demais.

      Reply
  • Vinicius Campoi 18/01/2013 at 17:43

    Que crime cometeram pondo essas janelas de alumínio horrendas! No meu ponto de vista, todo o esforço louvável da reforma se perdeu nessa c… (bobagem) que o dono fez.

    Reply
  • Sonia Evangelista 18/01/2013 at 19:24

    Se a prefeitura retirasse o poste com esse enrosco todo de fios ficaria perfeito.

    Reply
  • Vinícius Ferreira 18/01/2013 at 20:48

    Apesar do alumínio não ser bem quisto, deve-se agradecer ao proprietário por ter mantido o desenho e as dimensões da janelas, ou seja, evitou uma maior descaracterização da fachada.

    Reply
  • Peterson Henrique Freitas 19/01/2013 at 17:56

    Como pobre tem mal gosto, nem reformar imóvel sabe! já vai lá colocando umas janelas de alumínio…

    Reply
    • Melissa 19/01/2013 at 21:59

      Peterson…me desculpe mas isso não tem a ver com classe econômica não…quem tem mal gosto tem,conheço pessoas riquíssimas com um mal gosto terrível,sem querer ser indelicada contigo…

      Reply
      • J.C.Cardoso 21/01/2013 at 09:55

        É Melissa, não tem mesmo a ver, mas, com frequência, infelizmente andam juntos. Eu também conheço exemplos como os que V. conhece, mas diria que são minoria no “meio”.

        Reply
        • Peterson Henrique Freitas 21/01/2013 at 23:55

          Também tem uma coisa típica dos brasileiros em geral: não respeitar a qualidade e ter ódio pela excelência.

          Reply
    • Renato 21/01/2013 at 23:17

      Porque você acha que é coisa de “pobre”? Quanto você acha acha que vale este conjunto?

      Renato

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    • olivia marcos 25/01/2015 at 18:58

      mau gosto e não mal gosto

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  • Camila 25/10/2013 at 16:30

    Ola vc saberia me dizer qual é o estilo arquitetonico desta casa seria o Colonial? acho que não se alguem souber me ajudem.grata

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  • Brenno Calderan Pereira 02/03/2015 at 13:51

    queria ver essa pensão por dentro.

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  • Fabio 29/06/2015 at 09:01

    Moro perto e tenho boas notícias, ela está sendo restaurada.

    Reply
  • Sickera 11/08/2015 at 22:15

    sou morador vizinho da pensão, acabaram a reforma apos a explosao !!! e conseguiram cagar de vez !!!

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  • igor 19/01/2017 at 22:54

    eu moro nesta pensão desde quando tava nas janelas de madeira e eu tava dormindo quando explodiu, morava na frente e continuo morando.

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