A diversidade religiosa do Brasil é refletida também no cotidiano de sua maior cidade, São Paulo. Todas as grandes religiões mundiais estão bem representadas por aqui, como também as menos conhecidas. Uma que se faz presente de maneira ampla na capital paulista é o judaísmo.

E os templos judaicos não se fazem presentes apenas em Higienópolis e Bom Retiro. Eles também estão em outros bairros como a Mooca:

clique na foto para ampliar

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A Sinagoga Israelita Brasileira é uma das mais antigas construções da rua Odorico Mendes. Pequena e simples a sinagoga tem suas origens relacionadas com o final da Primeira Guerra Mundial e o fim do Império Otomano.

Sua construção foi possível com a chegada de um grupo de judeus sefaradim orientais ao Brasil. Eles vieram ao país divididos em dois grupos de idiomas, o árabe e o ladino (língua ibérica semelhante ao castelhano).

Interior da Sinagoga (clique para ampliar) / Foto: Camilo Zayit Seleguini

Interior da Sinagoga (clique para ampliar) / Foto: Camilo Zayit Seleguini

Enquanto o grupo que falava ladino dirigiu-se para o bairro de Higienópolis, os que falavam a língua árabe e eram originários de Sidon, no atual líbano, se radicaram na Mooca.

A ORIGEM DESTA SINAGOGA

Correio Paulistano

A construção da Sinagoga Israelita Brasileira da Mooca deu-se em 1930, após a liberação e autorização da planta do templo religioso, em expediente público do dia 10 de de junho de 1930 (recorte de jornal ao lado).

Ainda no mesmo ano, apenas alguns meses depois da autorização, a sinagoga foi inaugurada, sendo um importante ponto de encontro da comunidade judaica sefaradim de regiões como Mooca, Cambuci e Brás.

Inclusive, a grande leva de imigrantes judeus para esta região levou a criação, alguns anos depois, de outra sinagoga na mesma rua, esta segunda sendo denominada União Israelita Paulista.

A SINAGOGA ATUALMENTE

Detalhe da fachada (clique para ampliar)

Detalhe da fachada (clique para ampliar)

A pequena sinagoga da rua Odorico Mendes precisa de um pouco mais de atenção. Sua fachada, toda feita de pastilhas brancas e azuis, está precisando de alguma manutenção.

Mesmo assim ela tem uma arquitetura bastante interessante, com o estilo típico de outras pequenas sinagogas que vemos em outros bairros paulistanos e também em outras cidades.

Este trecho da rua Odorico Mendes, especialmente diante da sinagoga, era bastante degradado com casas bem deterioradas. Recentemente, a área melhorou bastante desde que um condomínio foi construído ali. Não seria uma boa hora para a limpeza e recuperação da fachada ?

Veja mais fotos internas da sinagoga (clique na imagem para ampliar):
Fotos: Camilo Zayit Seleguini

Foto: Camilo Zayit Seleguini

Foto: Camilo Zayit Seleguini

Foto: Camilo Zayit Seleguini

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 02/06/2015 at 15:58

    Curioso o nome “sinagoga israelita”. Até onde sei, toda sinagoga é israelita (não confundir com israelense, que é o gentílico).

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    • Fabio Roberto Saez Sola 01/06/2018 at 16:42

      Se pensar na etimologia da palavra sinagoga, significa “comunidade israelita brasileira” ou “assembleia israelita brasileira”. O termo original synagoguê é grego e era empregado para qualquer tipo de agrupamento, fosse religioso ou não, independente da etnia. Dessa forma, desde a antiguidade, para designar uma assembleia de israelitas, se utilizava o termo assembleia israelita. Parece óbvio porque a palavra sinagoga foi mantida viva apenas pelos judeus e é associada apenas a eles. Mas se pensarmos no contexto da palavra, Sinagoga Israelita informa que não é de outro tipo, embora na prática somente israelitas ainda empreguem o termo 😉

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      • J.C.Cardoso 01/06/2018 at 23:13

        Verdade. Nunca tinha me ligado no elemento SIN- (do grego SYN-), que quer dizer união, conjunto: SINfonia, SINcronia e mesmo em SÍMbolo.

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    • Sérgio Greif 04/06/2018 at 10:38

      LC, você tem razão que pelo uso atual “sinagoga” sempre se refere a uma comunidade judaica, mas esta definição acabou ficando consagrada pelo uso e não pelo significado da palavra, que é simplesmente “congregação”.

      Da mesma forma o termo “igreja cristã” pode soar redundante, já que todas as igrejas são cristãs, mas a palavra grega ekklesia significa literalmente “chamados para fora”, e significa literalmente qualquer grupo de pessoas que tenha sido selecionada de um grupo de pessoas maior. Na antiguidade o termo poderia ser aplicado a um grupo de cidadãos selecionados entre todos os demais da cidade para desempenhar uma determinada função que não necessariamente era religiosa.

      Ainda assim, mesmo se dizendo “sinagoga judaica” ou “sinagoga israelita” existe confusão, já que os mesmos termos foram apropriados por denominações cristãs para se definir, como no exemplo “Sinagoga Judaica Messianica Beith Mashiach” e Sinagoga Shear Yaakov”, que na verdade são instituições cristãs, e não judaicas.

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  • Clelia Person Lammardo 02/06/2015 at 18:50

    Interessante a história. O prédio está desativado? Vc conheceu a Sinagoga Israelita do Brás, Rua Bresser 51A? O prédio ainda é o mesmo de anos atrás, porém na frente existem lojas. Pela lateral ainda se vê o nome da igreja. Acredito que não funcione mais, uma vez que a região é predominantemente árabe e os judeus se foram para o Bom Retiro.,

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  • Rachel Mizrahi 02/06/2015 at 19:33

    As duas sinagogas da Mooca foram estudadas em trabalho de pós graduação ao Departamento de História da USP sob o título “Imigrantes Judeus do Oriente Médio – São Paulo e Rio de Janeiro. Editado pela Ateliê Editorial, São Paulo: 2003,

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  • Emerson de Faria 02/06/2015 at 20:57

    Sefarditas são como os judeus oriundos da Península Ibérica são conhecidos, tendo Senor Abravanel, mais conhecido como Silvio Santos, seu maior representante no Brasil, que inclusive descende de Don Isaac Abravanel, financista judeu que exerceu o cargo de ministro das finanças em Portugal e na Espanha na época dos descobrimentos, tendo inclusive financiado as esquadras de Colombo.

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    • J.C.Cardoso 03/06/2015 at 11:11

      Amigo, até onde sei, sefaraditas (ou sefaradi) são os judeus árabes, não obrigatoriamente da Península Ibérica (como a Wikipedia posta como regra).
      Sobre Senor “Silvio Santos” Abravanel, é judeu de origem grega (ou turca, como alguns preferem, pois a cidade de seus ascendência já mudou de fronteira).

      Reply
      • Flavio 03/06/2015 at 13:51

        O Emerson esta correto. Veja o termo Sefaradi no wikpedia: Sefarditas (em hebraico ספרדים, sefardi; no plural, sefardim) é o termo usado para referir aos descendentes de judeus originários de Portugal e Espanha. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a Península Ibérica (Sefarad ספרד ). Utilizam a língua sefardi, também chamada “judeu-espanhol” e “ladino”, como língua litúrgica

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        • J.C.Cardoso 03/06/2015 at 14:41

          Eu li lá também, Flávio, mas chequei com amigos judeus (mais de uma pessoa e com gente que nem se conhece entre si) e a definição não é exatamente a da Wikipedia. Melhor ver em outras fontes, menos passíveis de serem “mexidas”.

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          • khalebzo Zayit 24/06/2015 at 20:40

            J.C. Cardoso.

            Realmente o nome Sefarad é Espanha em hebraico. Mas a própria frequentadora da sinagoga da Mooca, Profa. Dra. Rachel Mizrahi, em sua tese, nos traz uma nova luz, dividindo o mundo sefaradita em dois: sefaradim (os originários na Península Ibérica) e os mizrachim (orientais).

            O que acontece, é que, os judeus sefaradim se encontraram com os judeus do Egito, na época de Maimônides e os mizrachim adotaram o ritual litúrgico dos sefaradim, passando assim a rezar igual.

            O que é bem interessante que na minha sinagoga tinha os dois tipos de judeus, onde meu avô cantava várias músicas em ladino, por ser turco e os outros senhores, libaneses, não sabiam nenhuma, só cantavam músicas em árabe.

            Isso é muito interessante.

          • J.C.Cardoso 25/06/2015 at 13:41

            Obrigado pelas informações. Não sabia dessa… digamos… “subdivisão” (na falta de um termo melhor) entre os sefaradis. Acredito que os nem mesmo os amigos que consultei sobre o assunto o saibam.

        • Marcelo 11/08/2015 at 13:54

          Apenas para esclarecimentos complementares, sefarad quer dizer ocidente ou oeste, daí se referir aos judeus considerados ocidentais; os que são ashkenazitas (ou ashkenazin) são em contrapartida os orientais, já que ashkenaz quer dizer oriente ou leste (aí são os que ficaram, quando ocuparam a Europa, na porção centro-oriental do continente). Não sou linguista nem filólogo, mas filho de linguistas; minha formação acadêmica é apenas em música, mas gosto muito de saber sobre as origens e culturas dos vários povos, até mesmo os indígenas não só brasileiros (tenho, por exemplo, em casa uma reprodução fac-similar dum livro publicado no início do século XVII em Cuzco (Peru), o qual contém o exemplo mais antigo conhecido de polifonia sacra feita naquele país (um hino a 4 vozes, bem nos moldes dos compositores europeus da época e que tem o texto — com 20 estrofes — em quéchua, uma das principais línguas indígenas do Peru e também da Bolívia).

          Reply
  • khalebzo Zayit 02/06/2015 at 23:36

    Eu frequentei essa sinagoga muito tempo, se quiser tenho fotos de dentro.

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    • Douglas Nascimento 03/06/2015 at 10:02

      Olá, se possível mande sim! Seria excelente para complementar o artigo.
      douglas@saopauloantiga.com.br

      Reply
    • Sérgio Greif 02/06/2017 at 12:08

      Prezado Marcelo, você está errado, sfarad não significa ocidental (maaravi seria a palavra) e ashkenazi não significa ocidental (mizrahi seria a malavra). Sfarad e Ashkenaz são topônimos citados na Biblia e identificados com península ibérica e com a Europa central, respectivamente. Chamamos de Sfaradim aos judeus que estavam na península ibérica e que de lá foram expulsos quando do casamento dos reis católicos (1492). Estes judeus foram em grande parte absorvidos no mundo árabe, que na época se constituía no império Turco Otomano. É por isso que mesmo judeus turcos ou gregos falavam ladino, lingua semelhante ao castelhano, porque essas comunidades em grande parte haviam vindo da península ibérica. Mas no mundo árabe já existiam comunidades judaicas antes da expulsão dos judeus da Espanha e Portugal e essas comunidades não falavam Ladino, mas sim árabe. De toda forma, porque houve uma fusão nessas comunidades elas todas passaram ser conhecidas como sfaraditas, embora alguns destes judeus não falassem ladino nem estivessem com antepassados na Espanha. Para efeito de rito, eles são sfaradim, porque a forma como eles pronunciam o hebraico, a ordem que seguem e alguns de seus costumes foram determinados por rabinos sfaradim, em contraposição aos ashkenazim (que vieram da Europa), mas sim, há diferenças na vida prática de judeus que vieram de países árabes mas que antes estavam na espanha (Sfaradim) e os que sempre estiveram no oriente médio (muitas vezes chamados Mizrachim, pois são orientais).

      Reply
  • SavianoMarcio 03/06/2015 at 11:28

    Tem uma se não me engano na Rua Teixeira Mendes quase de esquina com a Rua Lavapés no Cambuci, infelizmente não posso por o link do GSV pois um bug do Google trocou as imagens do lugar.

    Reply
  • Vinícius 03/06/2015 at 14:12

    São Paulo é mesmo uma caixinha de surpresas… Não poderia imaginar a existência desta sinagoga para judeus sefarad.

    Alguém sabe se ela ainda está em atividade? Reúne adeptos para cerimônias religiosas ou foi desativada e permanece apenas como memorial?

    Reply
  • danielpardo2015 15/06/2015 at 19:16

    Judeus falando árabe???

    Agora eu estou confuso???

    Reply
    • khalebzo Zayit 24/06/2015 at 20:31

      Daniel. Nesta sinagoga, quase ninguém falava hebraico e sim, árabe. A sinagoga foi fundada por judeus oriundos da Síria e Líbano. Por isso falavam árabe.

      Reply
    • Marcelo 11/08/2015 at 13:47

      Olá, Daniel, quero fazer um esclarecimento: linguisticamente o árabe e o hebraico são línguas irmãs, pertencem à mesma família. Eu tenho um amigo em Itapecerica da Serra que me contou que também há, para quem não sabe, os judeus negros ou afros, estes presentes notadamente na Abissínia. Tenho uma amiga em Campinas que é egípcia, filha de turcos (da Turquia, não da Síria, Líbano e outros países que foram dominados no início do século XX pela Turquia) e que segue a tradição do judaísmo.

      Reply
  • maracpac 21/08/2015 at 11:46

    Por favor, onde posso encontrar o livro citado. Sou neta de Benjamin Nissin Cohen, segundo dizem, um dos fundadores da Sinagoga da Móoca e essa informação (a confirmar) consta de um estudo da USP. Agradeço. Mara Jacota Cohen

    Reply
    • Beni Sutiak 28/10/2015 at 23:18

      Oi, Mara, tudo bem ? Você é minha prima 🙂

      Reply
      • Mara Jacota Cohen Pacheco 30/10/2015 at 10:37

        Oooooi. Acredito que sim 🙂 Meus avós paternos são Benjamin Nissin Cohen e Tamman Cohen. Meu pai (falecido) Jacob Cohen. irmão de Nissin, Moisés, Maria, Raquel. Ester. Me acha no face como Mara Pacheco (nome de casada, hoje divorciada).E se eu não estiver enganada você é filho do tio Gerson e tia Maria.

        Reply
  • Andreza Ruiz 13/11/2015 at 09:31

    Como posso descobrir minhas reais origens, sou neto de espanhois que migraram para o
    Brasil na primeira década do século XX, vindos da Andaluzia, foram morar no interior
    de São Paulo?

    Reply
  • renan silva 16/11/2015 at 00:20

    como faço pra fazer um visita

    Reply
  • Rachel Mizrahi 22/01/2016 at 14:58

    A maioria dos judeus que emigraram ao Brasil são asquenazis, oriundos da Europa Central e Oriental e idioma idish.
    Os sefaradis são judeus da Peninsula Ibérica. Foram expulsos da Espanha e em Portugal, convertidos a força ao catolicismo – originando o Cristão Novo,

    Discriminados, muitos judeus e cristaos novos (tornados ao judaímo) instalaram-se em terras européiias, principalmente as do Mediterraneo..

    O antissemitismo e a II Guerra os levou novamente a buscar terras da América particularmente no Brasil e surpreendidos pela semelhança do ladino e o português. .

    Os judeus do Oriente Médio, falavam o árabe.

    O Shabat, a Torá e as tradições judaicas – Purim, Pessach, Rosh Hashaná, Quipur e outras festas tradicionais identificam o povo judeu no tempo e no espaço.

    Reply
  • Simão Amar. 20/03/2016 at 16:50

    Na verdade a outra Sinagoga União Israelita, na Odorico Mendes 380 foi fundada pela comunidade Mizrachi de Tzfat, e meu pai foi presidente por muitos anos. Foi ali que tive meus ensinamentos religiosos, que me acompanharam até então.

    Reply
    • Marcio 25/03/2016 at 21:23

      Olá, estou a um ano morando na Vila Prudente. Soube que o bairro vizinho parque São Lucas é a terceira maior comunidade judaica depois de Higienópolis e bom retiro. Gostaria muito de saber qual seria uma.sinagoga ativa.na.região para ir no Shabat. Está.da.Mooca está desativada? E a do.Cambuci também?

      Reply
  • danilo carvalho de oliveira 27/05/2016 at 23:13

    Olá, Adorei a História dessa sinagoga.
    Gostaria muito de uma dia fazer fazer uma visita. Eu posso?

    Reply
  • Myriam Szwarcbart 20/08/2017 at 15:24

    Ola Douglas, boa tarde! Muito interessante esta sua publicação. Realizo uma pesquisa sobre as Sinagogas em São Paulo, sua arquitetura, arte, historia e memórias, inclusive entrevistando frequentadores e postando fotos e documentos. Caso tenha interesse, de uma olhada!!! E caso queira contribuir com informações, agradeço!!!
    https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com.br/

    Reply
    • Douglas Nascimento 21/08/2017 at 11:16

      Excelente Myriam, vou olhar com calma hoje!

      Reply
      • Myriam Szwarcbart 21/08/2017 at 11:47

        Muito obrigada!!!!!

        Reply