O Museu da Cidade inaugura no dia 04 de maio, sábado, às 11 horas, as instalações “Chacina da Luz” e “Monumento Nenhum”, da artista Giselle Beiguelmannos espaços do Solar da Marquesa de Santos e Beco do Pinto, respectivamente. As obras discutem a perda da memória no espaço público e a relação da cidade com seu patrimônio histórico e cultural. Compostas por fragmentos de monumentos, as instalações reproduzem a situação das peças tal qual foram encontradas pela artista em depósitos públicos, como uma espécie de “ready made” do esquecimento.

“As duas instalações invertem o lugar da arte no campo das políticas públicas de memória. Ao invés de ser seu objeto, a arte aqui pensa essas políticas, sugerindo um debate sobre a produção social das estéticas da memória e do esquecimento no espaço público.”, declara a artista e professora da FAU – USP.

Em “Chacina da Luz” o foco da artista é o conjunto de oito esculturas que se encontravam no lago Cruz de Malta, localizado no interior do Jardim da Luz. Implantadas, em sua maioria, no século 19, foram derrubadas e fragmentadas em 2016, em uma ação de depredação. As obras foram recolhidas e armazenadas na Casa do Administrador do parque. Na instalação apresentada no Solar da Marquesa de Santos, Giselle recupera a cena pós-crime.

Em “Monumento Nenhum”, por sua vez, Giselle refaz nas escadarias do Beco do Pinto as pilhas de bases, pedestais e fragmentos de monumentos que se encontram no Depósito do Departamento do Patrimônio Histórico – DPH, localizado no bairro do Canindé. “Com alguns, ou nenhum vestígio sobre seu passado, esses enigmáticos totens desafiam-nos a perguntar: de onde vieram? por que foram desmontados? E o mais importante: o que sustentavam do ponto de vista material e simbólico?”, indaga.

O projeto das duas instalações dá continuidade a pesquisas que resultaram na intervenção Memória da Amnésia realizada pela artista no Arquivo Histórico Municipal de 2015 a 2016. Começou a ser concebido ainda na gestão de Renato de Cara no Museu da Cidade.

Giselle Beiguelman destaca que um dos elementos mais importantes do projeto atual, assim como o anterior, é o fato de ser realizado em parceria com o Departamento do Patrimônio Histórico e o Museu da Cidade de São Paulo. “São projetos que se fazem em diálogo e refletindo sobre as políticas públicas de memória e patrimônio. Não são feitos apenas a partir de autorização de uso das peças e de entrada nos Depósitos, mas também a partir do intercâmbio e negociação de pontos de vista e motivações”, diz a artista.

Além disso, Beiguelman frisa o caráter interdisciplinar desses projetos, que envolvem arquitetos, designers, pesquisa histórica e participação intensiva de membros de seu Grupo de Pesquisa Estéticas da Memória no Século XXI, ligado ao Laboratório para OUTROS Urbanismos da FAU – USP.

Giselle Beiguelman é artista e professora da FAU USP. Entre seus projetos recentes destacam-se: “Memória da amnésia” (2015), “Quanto pesa uma nuvem?” (2016) e “Odiolândia” (2017). Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais e suas obras integram coleções privadas e acervos de diversos museus como ZKM (Karlsruhe, Alemanha), Pinacoteca de São Paulo, Jewish Museum (Berlim, Alemanha), MAR (Rio de Janeiro) e outros. Foi editora-chefe da Revista seLecT (2011-2014) e é colunista da Rádio USP e do site da Revista Zum. Seu novo livro, “Memória da Amnésia: políticas do esquecimento”, sai em maio de 2019 pelas Edições Sesc.

Serviço:

Instalação: “Chacina da Luz”, de Giselle Beiguelman
Abertura: dia 04 de maio, sábado, às 11 horas
Período expositivo: de 04/05 a 1º/09 de 2019

Local: Solar da Marquesa de Santos – Museu da Cidade
Rua Roberto Simonsen, 136 – Centro – São Paulo – SP

Instalação: “Monumento Nenhum”, de Giselle Beiguelman
Abertura: dia 04 de maio, sábado, às 11 horas
Período expositivo: de 04/05 a 14/12 de 2019

Local: Beco do Pinto – Museu da Cidade
Rua Roberto Simonsen, 136 – Centro – São Paulo – SP

Horários: terça a domingo, das 10 às 17 horas
Serviço educativo disponível: educativomuseudacidade@gmail.com
Tel.: (11) 3105 6118
Entrada gratuita e livre

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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  • Ana M M González 30/04/2019 at 23:44

    Maravilha de pesquisa! Parabéns à Giselle Beiguelman! E ao Douglas pela divulgação!

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