O São Paulo Antiga e o site Human Street View contam juntos com um acervo de mais 5.000 slides e negativos, que estão sendo disponibilizados aos poucos. A cada lote novo que chega até o acervo, acontece um processo de higienização, catalogação e, finalmente, a digitalização. Recentemente, catalogando um lote de slides recém chegados dos Estados Unidos, me deparei misturado a fotos de cidades americanas, uma preciosa fotografia da Cidade de São Paulo tirada em 1961.

Acervo São Paulo Antiga / Clique para ampliar

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Tirada do alto do Viaduto do Chá, essa imagem mostra um Vale do Anhangabau completamente diferente daquele que estamos acostumados a ver nos dias de hoje, e que os nascidos na década de 90 provavelmente só conhecerão através de fotografias.

Na imagem, uma série de coisas que hoje não vemos mais. Começando pelo colorido dos ônibus coletivos, padronizados na gestão da Prefeita Luiza Erundina, a mesma que concluiu em 1992 as obras do vale, transformando-o em um grande boulevard. Outra coisa que não vemos mais é a publicidade no alto dos edifícios, bastante presente nesta imagem dos anos 60. O Cine Cairo, hoje apenas uma fachada, à época funcionando a todo vapor. Por fim, a gritante ausência do Edifício Mirante do Vale, que só seria inaugurado em 1966, tornando-se o edifício mais alto de São Paulo e do Brasil.

A fotografia abaixo, tirada do mesmo lugar em 14 de setembro de 2013, mostra o quanto a região mudou:

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Embora o boulevard tenha transformado o vale em um espaço destinado apenas a pedestres, tenho minhas reservas à mudança. Acho que o espaço poderia ter sido transformado em algo que permitisse de forma organizada pedestres e veículos. A ausência de veículos e a iluminação ruim deixaram o local bastante deserto à noite, o que faz do local ser mais frequentado neste horário pelos amigos do alheio do que por famílias e turistas. Outra coisa muito desagradável no vale atualmente é a ausência de banheiros públicos já que os que existiam, quase diante da Avenida São João, foram fechados na gestão do Prefeito Gilberto Kassab. Por fim, incomoda muito nos dias de hoje a fonte sempre desligada, passam anos e anos e entram e saem secretários da cultura e parece que nenhum deles se preocupa com o abandono de um dos mais belos cartões postais da cidade.

Para você como o Vale do Anhangabau é melhor ? Como em 1961 ou 2013 ? Deixe seu comentário.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Marcelo Brunella Aziz Jorge 17/09/2013 at 16:01

    Poderia ser criado um grupo de pressão, por nós que amam o centro de São Paulo e também que amamos São Paulo, sua cultura, história e tradição contra o desdém que nossa cidade tem tido das últimas administrações municipais, no mínimo, nos últimos 30 anos.

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  • Ânderson Augusto 17/09/2013 at 16:14

    Douglas perto da fonte sempre ficava um fotografo para tirar fotos das pessoas que queriam guardar a recordação, e me espanta que ninguém faça nada por aquela fonte.

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    • Pardo 16/04/2014 at 23:03

      Colega, eu tenho certeza de que não ligam a fonte para evitar que os “nóias” e os moradores de rua tomem banho lá, tanto é que a última vez que passei por lá, a fonte estava com um monte de compensados em volta.

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      • Douglas Nascimento 17/04/2014 at 09:25

        A fonte não é ligada porque todo os bicos e motores foram roubados.

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        • Alex Magno 09/06/2014 at 01:24

          Toda vez que volto da Europa entro em depressão, movido pela proximidade temporal diante do enorme, colossal contraste. Aqui a violência não se resume à agressão ao ser humano, mas ao bem público, às cidades, à História; até ao idioma. Alguns amigos me acusam de sofrer do (agora na moda) tal “complexo de vira-lata” — expressão que considero injusta com os simpáticos cãezinhos, que, nela, veem-se comparados aos “cidadãos” brasileiros. Será que precisaremos de 2 mil anos de História para criarmos uma civilização com o padrão de uma Europa Ocidental?

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        • Pardo 24/02/2015 at 20:21

          E tem essa também…e mais recentemente para racionar água.

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          • Daniel Pardo 16/04/2017 at 21:47

            Uma coisa que eu esqueci de falar é que eu me lembro da época em que passava carros embaixo do Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú, eu era criança e vira e mexe minha avó ia para o centro de São Paulo e me levava, fui muitas vezes ao centro nessa época.

  • vera lucia fernandes 17/09/2013 at 16:29

    O Kassab fez os comerciantes tirarem as placas a toque de caixa pra cidade ficar mais bonita, foi gasto tanto dinheiro pra tirar rapido. E o que ele fez pra ficar mais bonita? Tivemos que deixar quebrarem nossas calçadas e ele não terminou o serviço. Colocou pedaços de pau a título de mudas, que acho ja foram plantadas mortas. Acho São Paulo linda,poderia passar carro sim, porque quem vai se arriscar a noite no centro de São Paulo? Eu não conheço porque tenho medo de andar sozinha. Conheci alguns lugares porque fui em grupos fazer turismo. Mas o cidadão se arrisca se quiser andar sozinho pelo centro. É vergonhoso. E esse governo ainda vai fazer São Paulo virar um curtiço, é esse meu medo

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  • LeticiaLeticia 17/09/2013 at 18:55

    Não sei se dá pra colocar a culpa só no governante. Talvez seja a saída mais fácil, mas a verdade é que a sociedade mudou. Nada que vire de boa vontade um boulevard, pracinha ou parque HOJE, em qualquer metrópole, pode ser frequentado pela população comum, em atividades comuns. São invariavelmente tomados por “amigos do alheio”, como diz o Douglas. Entre eles, os mendigos, que São Paulo importa por sua pujança (ninguém acha financeiramente viável ser mendigo em Jandira, não?). É também a sociedade que optou por um estilo de vida diferente e abandonou o Centro, que por isso… veja só, ficou abandonado. Prefeitos não podem obrigar a que voltem. Prefeitos não podem tomar na marra prédios abandonados. Prova disso é que malham-se prefeitos anteriores e o atual, que vinha mudar isso tudo por um tal de novo, não conseguiu reverter nada até agora. Um Rudolph Giuliani para São Paulo? Vocês sabem que sua reputação seria esmigalhada em duas semanas.

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    • Sergio 17/09/2013 at 19:48

      Concordo com a Leticia. Pois para mim, o problema crônico de São Paulo, ninguém, nenhum governante resolverá em 4 ou 8 anos. É um problema nacional, muito bem colocado por ela, porque na verdade as pessoas de outras regiões do país não tem chance (com raríssimas exceções) de vida digna em seus locais de origem. Conclusão: vem o “Brasil” inteiro para cá. E aí, não há infra-estrutura que suporte 10, 11 milhões de habitantes em um espaço de qualquer cidade do Brasil e talvez até do mundo. Vivemos todos esmagados e sem qualidade de vida. A solução é simples, mas não houve, infelizmente até hoje, governantes, de todas as esferas, com vontade e união suficientes para resolver o problema de São Paulo, das cidades da nossa periferia, do interior do nordeste, do interior do norte, do interior do sul, do interior do centro-oeste e por aí vai. O que acontece? Todo o mundo aqui, sem qualidade de vida. Nem aqui e nem de onde todos vem, de suas cidades de origem… Problema colossal, que uma gestão, duas ou dez não resolveriam. Teria de haver uma grande união de vontades políticas e de grandes gestores por vários anos, décadas para resolver o problema não só de São Paulo, mas de todo o Brasil.

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  • flavia r s franco 17/09/2013 at 20:23

    Gostaria de comentar sobre o “buraco do Ademar”, que fazia o cruzamento da Av. São João com Vale do Anhangabaú… era muito interessante , e o prédio dos Correios funcionava sempre lotado !!!

    Abraço e parabéns pelo trabalho.
    Flávia R S Franco

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  • Luiz Henrique de Souza Alineri 18/09/2013 at 10:28

    É isso: nem tanto para um lado,nem tanto para o outro.A São Paulo romântica na imagem de 1961(que tanta saudade desperta) era ótima,mas com certeza,muita gente na época já pensava em algo que poderia ser diferente.Anos depois,o “diferente” surgiu,mas…como todos nós sabemos,é realmente arriscado andar pelo local,mesmo durante o dia claro,e num domingo,então…É preciso sim um cuidado com a limpeza desse “boulevard”,o que,de certa forma,contribui para que “amigos do alheio” percebam que existe pessoas do bem,atentas ao patrimônio.Concordo que a fonte poderia ser mais “ligada”,contanto que ficasse alguém(um agente,um guarda civil metropolitano…)para tomar conta,para evitar as depredações,os “banhos” dos desocupados,etc,como acontece na Praça da Sé ou naquela da avenida Nove de Julho,que está desligada há tempos.Infelizmente,aqui em Sampa,é assim.Dói,mas é a realidade.

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  • Adalberto R. do Nascimento 18/09/2013 at 13:11

    Muito melhor nos dias de hoje, sem sombra de dúvida.

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  • dalva 22/09/2013 at 23:45

    Ontem (21/9/2013) depois da visita ao CCBB exposição Grandes Mestres do Renascimento – 5 h na fila debaixo do sol quente! – nosso grupinho se juntou num bar com mesas na calçada ali na São João, em frente do prédio dos Correios. Noite deliciosa, cerveja geladinha, sambão e tudo o mais. Tudo ótimo, tudo lindo. Paz e Amor, São Paulo.

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  • Alexandre Fontana 24/09/2013 at 14:10

    Sensacional essa foto, ali aparece o famoso “buraco do Ademar”. Mas, concordo, há que se ter um certo cuidado em andar por ali. Não deixo de frequentar o Centro mas sempre estou atento. E não só a fonte mas a escadaria que dá acesso a Praça Ramos precisa ser melhor cuidada, está sempre mal cheirosa.

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  • Felipe 03/11/2013 at 00:45

    Primeira vez que comento aqui. Parabéns pelo seu blog, muito informativo e prazeroso de explorar. Acho que no geral falta muita visão en relação a qualidade de vida em SP. O poder público acha que investir em beleza e manutenção de espaços públicos é perfumaria e com isso vemos nossa cidade sendo arrada pela falta de zelo. Beleza eleva a auto estima do cidadão que por sua vez gera um circulo virtuosos e a prefeitura de SP parece não entender isso infelizmente. Em relação ao vale acho que a falta de vias circundantes para dar acesso aos prédios do entono tornando-os assim mais interessantes para o mercado de gerando valorização na região bem como as fontes sempre sujas, mal cheirosas e sempre deligadas além de a laja do vale ser irregular e ondulada geram um ambiente hostil de certa forma, é importante também haver manutenção periódica do bem público pois vandalismo sempre vai existir, porém perderá o folego quando a prefeitura comprar a briga como aconteceu na Ladeira da Memória que era sempre toda pichada e hoje já não é mais. Outro grave erro no vale foi a construção daquele monstrengo mal conservado por dentro e por fora que é o antigo Edifício Mirante do Vale (que mudou de nome agora) que por ironia do destino é o prédio mais alto da cidade.

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  • vandirene 02/12/2013 at 14:41

    Acho que era muito bom o passado agora fico só olhando as minhas cartinha bem antiga pra matar a saudade é isso.

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  • rita 08/01/2014 at 09:31

    Gosto da São Paulo Antiga, e da atual. Mas venho aqui fazer o papel de advogada do diabo. Será que todos nós não temos nossa parcela de culpa por coisas ruins que vemos? Porque precisamos fazer leis que digam ser errado jogar lixo ou fazer as necessidades nas ruas? Precisamos mesmo de algum governante dizer que está errado? Precisamos cobrar o zelo pelas coisas não apenas dos nossos governantes (eleitos por nós mesmos, aliás). Precisamos cobrar de nós mesmos que devemos fazer a coisa certa, pois, só assim, preservaremos o que há de bom neste mundo

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  • Fabio Nogueira 08/01/2014 at 09:34

    Em 1961 o Vale já era um espaço prioritário para automóveis. De todas as remodelações que o Vale sofreu desde o inicio do século passado, sem dúvida a mais bonita foi a dos anos 20. As casas que ficavam no centro do Vale foram demolidas e o vale urbanizado, mais ou menos na mesma época em que o Teatro Municipal (e seus jardins) foram construídos. O Vale era então um ambiente isolado. Em uma extremidade chegavam os riachos do Saracura e do Itororó, que mais tarde seriam canalizados para se construir a Av. 9 de Julho e a Av. 23 de maio. Naquela época, esses riachos eram margeados por inúmeras pequenas construções residenciais no que é hoje o bairro da Bela Vista. Na outra ponta não havia praticamente nada. O Vale terminava em alguns grandes edifícios, como o Cassino Politiama e o antigo edifício da Delegacia Fiscal. Pouco depois eles foram demolidos para a construção da Av. Prestes Maia, ligando o centro à Luz e a à zona norte. O Vale atual espelha uma visão urbanística correta em seus principios. Enterra-se o tráfego e libera-se a superfície para as pessoas. O problema é que a solução dada para a Praça das Bandeiras é terrivelmente ruim. Vindo pela 9 de Julho, sobe-se em um elevado que termina na boca de um tunel subterraneo. Isso é um horror. Eu reconheço que não há solução fácil para os fluxos cruzados de veículos na região e o fato de toda ela estar sobre rios e córregos canalizados também não ajuda muito. Mas sem dúvida a Praça das Bandeiras atual é um horror

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  • Markhal 08/01/2014 at 09:58

    Acho que faltam mais árvores no Anhagabaú atual, precisa ser feito um paisagismo melhor na minha opnião.

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  • Nil Tojal Almeida 17/08/2014 at 21:56

    Vale a pena ver esse documentário que fala dos rios de são paulo

    https://www.youtube.com/watch?v=Fwh-cZfWNIc

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  • Daniel Steinman Martini 19/10/2015 at 19:01

    É bem impressionante a mudança, A foto de 1961 o Vale do Anhangabaú está valorizado e ótimo. A de 2013 não tem os outdoor, algo que pura poluição visual, mas o centro está muito degradado.

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  • Jailton dos Santos 15/04/2016 at 17:32

    Nasci em Osasco no início dos anos 70 e aos seis anos de idade vim morar aqui no litoral de São Paulo.
    Para falar a verdade conheci um pouquinho do centro de São Paulo em 1984 (se não me falha a memória) em um certo passeio.
    Foi o suficiente para eu nunca mais esquecer a grandiosidade assim como a beleza que essa cidade possui e que por vezes para muitas pessoas que nela habitam ou trabalham diariamente seria apenas mais uma cidade.
    Me lembro que a partir do terminal do Jabaquara fomos de metrô até a Praça da Sé onde descemos e eu tive a oportunidade de conhecer por dentro a catedral da Sé e sua linda arquitetura, depois fomos até a Rua Direita e sempre atento a cada detalhe da linda arquitetura dos prédios mais antigos, pude conhecer o Viaduto do Chá , a linda arquitetura do Teatro Municipal e o Vale do Anhangabaú o qual na época não era coberto.
    Depois voltamos, fomos até o Largo São Bento, atravessamos o Viaduto Santa Ifigênia continuando pela rua de mesmo nome até chegar na Avenida Duque de Caxias, onde meu saudoso e sempre apaixonado por essa cidade pai, carinhosamente dizia haver uma tal “praça da estátua do cavalo” (rs). Ainda havia aquela fachada multicolorida da antiga rodoviária, porém ela já não funcionava naquele local.
    A propósito, alguém aqui se lembra de uma loja de calçados que ficava na Santa Ifigênia quase esquina com a Duque de Caxias e que tinha pendurado bem na entrada um sapato gigantesco? (rs)
    Dali fomos até a estação Júlio Prestes com destino à Carapicuíba onde o meu outro irmão residia.
    Em uma outra oportunidade que pude visitar o centro o Vale já estava coberto, bem diferente de outrora…
    Contando assim pode parecer pouco para você que mora ou passa diariamente nessa fantástica cidade, pois para mim significou o início de uma longa paixão tal qual acontecera com meu saudoso pai quando chegou do Nordeste.
    Uma cidade que é capaz de encantar das mais diversas maneiras.
    Parabéns São Paulo, parabéns para você que também ama essa cidade e a você Douglas pelo excelente trabalho!
    Abraço a todos!

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