Do velho hipódromo da Mooca, demolido há décadas, uma das pouquíssimas coisas que sobreviveram fisicamente foi o nome da rua, que ligava a antiga praça da esportes à Avenida Rangel Pestana, no vizinho Brás.

E mesmo a Rua do Hipódromo hoje é apenas uma pequena fração da charmosa rua de outrora. As casas e estabelecimentos elegantes daqueles tempos já praticamente não existem mais, substituídos por estacionamentos, pontos comerciais de aparência pouca agradável e algumas poucas casas remanescentes daquele período áureo.

Construída nos primeiros anos do século 20, esta simpática residência antiga localizada no número 88 da Rua do Hipódromo é uma das últimas sobreviventes daquele período em que a região atraia a elite paulistana para a velha praça esportiva, seja para as famosas corridas de cavalo ou mesmo para desfiles militares, que ocorria com certa frequência por lá em datas como 7 de setembro e 15 de novembro.

Detalhe da fachada

Apesar de estar precisando de um bom trato na fachada, a casa está em ótimo estado de conservação, preservando todos os elementos originais tanto no frontão, quanto no madeiramento das janelas e nos gradis dos portões.

Uma preciosidade dessa deveria já estar tombada como patrimônio histórico municipal. Aliás deveria existir alguma espécie de “gatilho automático” onde quando restasse apenas um ou duas casas com idades superiores há 50 anos em uma rua, estas por sua vezes deveriam entrar em processo de análise para tombamento.

Não faz muito tempo duas de suas vizinhas foram abaixo conforme registramos aqui no site. É necessário evitar que esta tenha o mesmo destino.

Abaixo veja mais fotos do imóvel.

Fachada é rica em detalhes (clique na foto para ampliar)

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Marcelo 08/05/2020 at 11:36

    O único porém perceptível é na fachada do porão alto.

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  • Norton Coll 08/05/2020 at 11:46

    Formidável. Eu já tinha reparado nesse prédio respeitável. Nao esqueçam de ver os velhos casaroes geminados da Paróquia de Sta.Cecília que foram vendidos e serão derrubados. Ficam no Largo.

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    • Douglas Nascimento 08/05/2020 at 12:05

      Vai pro ar nas próximas semanas!

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  • J.C.Cardoso 08/05/2020 at 11:57

    Aqui no Rio também não existe o “gatilho automático”. Pena. Quanto ao hipódromo… V. já postou, mas não me recordo… o que é hoje no local?

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  • FRANCISCO JOSE PENTEADO DOS SANTOS 08/05/2020 at 12:16

    Maravilhosa

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  • dalva maria ferreira 08/05/2020 at 12:32

    Lindinha! Imagine quantas famílias viveram ali… quantos sonhos, alegrias, tristezas. É a História dos anônimos.

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  • Luiz Henrique 08/05/2020 at 12:35

    Frontão magnífico! Lá em cima dá pra ver que está escrito “ANNO”. Qual seria, hein?

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    • Douglas Nascimento 08/05/2020 at 12:50

      Pois é, curioso está escrito ANNO mas não tem… nem foi arrancado nem nada, simplesmente não tem.

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  • Tony Costa 08/05/2020 at 12:45

    A fachada e deveras bonita.  Porém já está mutilada pelo boteco ao lado, e o descaso na manutenção.  Quando se quer preservar algo assim, vc tem que tombar o quarteirão inteiro.  Senao fica completamente descaracterizado.  

    A maioria dos compradores de lojas e sobrados de frente para logradouros principais no Brás sao de gente que sequer vive no bairro.   O que torna qualquer bairro com logradouros mistos, e principalmente com imóveis residenciais tais como o em enfoque, atraente, e quando adquirentes planejam morar no bairro.  Isto e uma relação causa-efeito aqui ou em qualquer lugar do mundo. 

    Ou e ocupação pelo proprietário residente, ou e a mão pesada do Governo em decidir como um bairro se transformara ou permanecera. 

    Peculiarmente, e isto pode parecer estranho a maioria dos Paulistanos, e Brasileiros,  bairros com ar de abandono, que sobreviveram a descaracterização e mutilação, e eventualmente deram certo, com subsequente gentrificação, sao bairros ou seções de bairros ocupados pelo público gay e artistas plasticos.

    Deixando claro que nao e minha orientação, porém assim mesmo, eu tenho que reconhecer que  a ocupação de gays, artistas, como moradores permanentes, enquanto o imóvel no bairro e barato, em muitos casos ajudou o bairro a manter as características estéticas e de apelo urbano, enquanto melhorando a conservação dos imóveis residenciais.  

    A ocupação por este público em muitos casos se deu em função do valor econômico dos imóveis, quer fosse para locação ou para aquisição. A localização em áreas centrais de metrópoles facilitava a formação de comunidades com interesses e peculiaridades comuns, algo como a geminação de um grupo de apoio comunitário.

    Exemplos não faltam, usando os Estados Unidos como referência…
    Boston,MA  – South End, Bay Village, Jamaica PlainSan Francisco,CA – CastroNew York City, NY- Greenwich Village-Tribeca-Soho
    Miami,FL – South  BeachAtlanta,GA- Buckhead

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  • Edison R. Morais 08/05/2020 at 15:03

    Uma verdadeira obra de arte dos antigos pedreiros que eram verdadeiros artesãos. Deveria ser tombada…

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  • Pedro Reis 08/05/2020 at 17:33

    Eram quase todas nesse estilo. Uma pena. Como comentei no post das “demolidas”

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  • Regina Igel 08/05/2020 at 17:51

    Trabalho muito bom, o seu! Digno da nossa história paulistana. Meus parabéns!

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  • Ervin Moretti 09/05/2020 at 01:42

    Hoje é um endereço comercial?

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    • Douglas Nascimento 09/05/2020 at 09:01

      continua como moradia

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  • Goueste Analia 09/05/2020 at 13:14

    dá uma vontade de adquiri-la

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  • Sandra 10/05/2020 at 10:06

    Poderia virar um pequeno museu, para quem sabe um dia , iriamos visitar e ver como as pessoas vivireram ali.

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  • Claudio Moreira 11/05/2020 at 12:05

    Quantos ornamentos encantadores ! Muito legal.

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  • Emerson de Faria 11/05/2020 at 20:30

    Mais um imóvel antigo com a assinatura dos capo mastri, como eram conhecidos os pedreiros italianos que superabundavam São Paulo àquela época.

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 13/05/2020 at 21:39

    Tomara que seja preservada!

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  • Paulista 23/05/2020 at 05:54

    A arquitetura tradicional é muito mais bonita que a arquitetura moderna.

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