Quando se fala de lugares obscuros, nem sempre é fácil distinguir o que é fato daquilo que é pura ficção.

Geralmente, parte-se de algum fato específico para, posteriormente, chegar a eventos cuja veracidade poucas pessoas teriam a coragem de apurar. É assim que nascem as lendas urbanas. E, como seria de se esperar, a cidade de São Paulo também tem muitas dessas histórias para contar.

Por onde rondam os fantasmas da capital paulista

O primeiro lugar a ser destacado aqui é o Vale do Anhangabaú, no Centro da cidade. Na época do Brasil Colônia, ali passava um rio em que muitos índios e peixes teriam morrido, e isso deu origem ao nome do vale: em tupi, anhangabaú pode ser traduzido como “água venenosa”.

Na região do Anhangabaú está também o Theatro Municipal, onde dizem que às vezes é possível ouvir toques no piano sem que ninguém esteja por perto.

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Se tais toques vêm de alguma falecida lenda da música que se apresentou por lá – como Duke Ellington ou Arthur Rubinstein – poderíamos até mesmo considerar esse teatro um lugar “bem-assombrado”, por assim dizer.

Não muito longe do Municipal temos o Cemitério da Consolação, o mais antigo e célebre da cidade. Ali foram enterrados ícones como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, os quais volta e meia fariam algumas “aparições” para os visitantes de hoje em dia.

Também na região central paulistana está o prédio da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

É lá que enterrado o professor alemão Julius Frank. Por ter sido de origem protestante, não foi possível enterrá-lo em um cemitério e, por isso, até hoje sua alma rondaria a faculdade.

Na foto o túmulo de Júlio Frank

Já na região do Bixiga, podemos encontrar a famosa Casa de Dona Yayá. Herdeira de uma grande fortuna, dona Yayá era tida como louca e nunca podia pôr os pés para fora desse casarão, localizado na rua Major Diogo. Ainda há quem jure ouvir gritos que saem do lugar que hoje é o Centro de Preservação Cultural da USP.

O gosto dos paulistanos (e também dos brasileiros) pelo obscuro

Todas essas lendas urbanas têm sua razão de ser, mas não há dúvidas de que os paulistanos – e os brasileiros em geral – ficaram muito mais atentos para a existência de possíveis lugares macabros em determinadas regiões graças ao recentemente falecido José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão.

Nascido na Vila Mariana, José Mojica dirigiu vários filmes de terror marcantes, dos quais três foram incluídos na lista de 2015 dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, elaborada pela Abraccine: À meia-noite levarei sua alma (1964), Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967) e O despertar da besta (1969).

Nos últimos anos, quem vem se valendo do gosto dos paulistanos pelo terror é Rogério Cantoni, idealizador de um city tour chamado SP Haunted Tour. A bordo de um ônibus executivo, Cantoni – devidamente caracterizado como um fantasma – conta a história de alguns dos lugares da cidade tidos como mal-assombrados. Como pode ser visto em matéria do site Hello Moto, são visitados alguns dos lugares mencionadas no início deste texto e também outros, como o Edifício Martinelli.

Terror e suspense são ingredientes notáveis na cultura pop

Além de invadir São Paulo e antigos pontos da cidade, os gêneros de terror e suspense também estão bastante presentes em elementos da cultura pop, visto que as pessoas parecem gostar da sensação de sentir medo ou levar susto não apenas em terras paulistanas.

Quando se fala em cinema, por exemplo, filmes de suspense e terror têm sucesso de bilheteria praticamente garantido, em especial aqueles que têm como tema principal pessoas que moram ou se hospedam em uma casa mal-assombrada. Os exemplos que podem ser dados aqui são inúmeros, mas apenas para ilustrar, podemos mencionar Invocação do mal (2013) e os vários da série O grito.

Outros produtos da cultura pop também embarcam nessa mesma estética para atrair a atenção das pessoas. No mundo da música, por exemplo, é impossível deixar de mencionar o videoclipe de 12 minutos do clássico “Thriller”, de Michael Jackson.

No vídeo lançado em 1983, Michael interpreta um jovem que vai ao cinema com sua namorada para ver um filme de terror em que o ator principal (ele próprio) é um lobisomem. A coreografia dançada no clipe virou febre.

O ramo do entretenimento online é outro dos setores que se inspiram nesses gêneros para criar seus produtos. Basta checar, por exemplo, as opções disponíveis na plataforma da Betway caça-níqueis online para encontrar jogos como Immortal Romance, em que os gráficos e a trilha sonora garantem uma atmosfera muito semelhante à dos tipos de filme citados no parágrafo anterior.

Exemplos da literatura, como O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, que se tornou um musical de sucesso na Broadway e foi apresentado em São Paulo no ano passado, conforme demonstra matéria do portal Acesso Cultural, e das artes plásticas – como as “Pinturas negras” de Francisco de Goya, atualmente no Museu do Prado, em Madri – também têm como tema central elementos de suspense e terror.

Como se vê, o gosto pelo macabro faz parte do imaginário coletivo há séculos. E, como não há limites para o que a imaginação humana é capaz de conceber, é provável que continuem a surgir muitas outras manifestações culturais apoiadas no fascínio que o oculto exerce sobre nós, independentemente de quão céticos nos consideremos.

Entretanto, enquanto essas novas histórias não surgem, nós nos mantemos contando as antigas narrativas que envolvem a cidade de São Paulo e alguns de seus pontos mais icônicos.

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Comentarios

  • Luiz Henrique 07/04/2020 at 11:47

    Há também vários rumores de outros locais “assombrados” aqui em Sampa: o famoso Castelinho da Rua Apa, o belíssimo Palácio dos Campos Elíseos, na avenida Rio Branco e até na Assembléia Legislativa já li sobre supostas aparições (ou outros fenômenos) sobrenaturais.

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  • Marcos Gonzales 09/04/2020 at 00:14

    Faltou o mais assombrado de todos: Edificio Joelma

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    • Douglas Nascimento 09/04/2020 at 09:19

      Esse terá uma matéria só sobre ele em breve.

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