A exposição “Edifício Planalto: 60 anos de cor em São Paulo“, com curadoria de Felipe Grifoni e produção de Mariana Nobre (Atelier do Futuro/ Espaço Cultural Porto Seguro), está aberta ao público desde o dia 3 de agosto, no térreo do edifício.

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

A mostra apresenta desde os desenhos iniciais do prédio e fotografias antigas, vindas do acervo da família de João Artacho Jurado, autor do projeto, incluindo imagens cedidas por moradores e colaboradores, até imagens de fotógrafos como Gal Oppido e Edu Leporo Fotografia. Também serão exibidos móveis cujo desenho é atribuído ao autor do prédio.

Anúncio na imprensa paulistana em 17/12/1950

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A exposição tem por objetivos explicitar a importância do edifício para a cidade de São Paulo, sendo um dos ícones que representam a expansão do centro antigo, e também evidenciar o projeto, que apresenta grande diversidade de formas, cores e materiais. Segundo Gian Carlo Gasperini, a mais “Wightiana” da carreira de Artacho.

Outros destaques da exposição:

Revirando memórias:

Além de fotografias, o público pode interagir com 3 instalações. Em pequenas malas antigas, é possível vasculhar monóculos com o histórico do prédio – desde lembranças de moradores, publicações em redes sociais até momentos importantes, como cenas de novelas, seriados, clipes e propagandas de grandes marcas.

Em outra instalação, foram impressas em pastilhas (elemento característico do autor) fotos de admiradores, que usaram a hashtag #EdificioPlanalto ou marcaram a obra como localização, orgulhosamente, em seus perfis do Instagram. E, na terceira mala, o público pode remexer tecidos, com imagens impressas em suas tramas.

Sobre o Edifício Planalto:

Depois de uma viagem ao Rio de Janeiro, logo apôs a construção do Edifício Viadutos, Artacho Jurado voltou à São Paulo com uma ideia na cabeça.

A arquitetura do Rio lhe parecia alegre, colorida e inspiradora, já a de São Paulo via como algo triste, cinza e monótona. Foi assim que Jurado comprou um terreno na Rua Maria Paula perto do “Viadutos” e decidiu seguir com seu plano de trazer para São Paulo uma arquitetura mais colorida e, como já dito,também mais alegre.

No centro da foto, o Edifício Planalto

No centro da foto, o Edifício Planalto

São plantas variadas, de 44 a 127 m, divididas no projeto de Jurado em blocos (algo bem comum em seus projetos) unidos por um corredor de serviço nos fundos do edifício (algo menos comum nos empreendimentos da construtora monções).

O Planalto tornou-se ícone paulistano e cada vez mais chama a atenção da mídia. Seu belo salão já foi cenário para novelas, filmes, inúmeras publicidades, show room da Nike, primeiro dos edifícios escolhidos para o Heineken up on the Roof, dentre outras inúmeras iniciativas.

Quem foi Artacho Jurado ?

João Artacho Jurado (1907-1983) foi um empresário paulista, proprietário da Construtora Monções.

Divulgação Responsável pela construção de diversos edifícios residenciais na cidade de São Paulo, principalmente na região de Higienópolis. Artacho começou a trabalhar na década de 1930 e sua produção se intensificou nas décadas de 40 e 50.

Apesar de não ser arquiteto era ele quem idealizava os prédios e pedia para algum engenheiro assinar as plantas. Não frequentou escolas pois seu pai, que era anarquista, recusava-se a deixar seu filho jurar a bandeira, cerimônia obrigatória nas escolas da época.

Saiba mais sobre a exposição:

https://www.facebook.com/events/799732540161702/

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • J.C.Cardoso 17/08/2016 at 15:57

    Caraca! O cara é a cara do Adhemar de Barros! (com todo o respeito).

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  • Celso P 17/08/2016 at 20:45

    Devemos destacar o primoroso desenho da perspectiva do prédio no cartaz. Foi feito a lápis e depois passado a nanquim, coisas que hoje não existem mais. Foram substituídas pela ‘maquete eletrônica’ que parece uma foto colorida mas na verdade é uma simulação feita em computador do que ainda não foi construído

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  • R 18/08/2016 at 16:13

    Passei hoje na exposição e confesso que fiquei decepcionado com a escassez de informações disponíveis aos visitantes.
    Os poucos dados existentes foram inteiramente reproduzidos nesta postagem, que me pareceu mais completa do que a própria exposição.
    Não sei se minhas expectativas eram altas ou se o trabalho foi simples demais.
    O prédio é fantástico e certamente tem uma história fascinante, mas ela não foi contada na mostra.

    Douglas, aproveitando o tema, você poderia fazer algumas postagens sobre as obras do Artacho Jurado (Bretagne, Planalto, Viadutos, dentre outros). Por serem da década de 50, não sei se eles se enquadram no conceito de São Paulo “antiga”, mas certamente é um tema de interesse dos seus leitores.
    Abraço

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  • Alziro de Paiva 22/08/2016 at 19:38

    Douglas meu amigo.
    Como vai?
    O Artacho também idealizou o edifício Bretagne na avenida Higienópolis?
    Por que o estilo lembra muito os de seus projetos.
    Abração

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    • Rui 11/03/2018 at 16:08

      Sim, é da mesma construtora

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  • Marco A Lima 26/08/2016 at 16:23

    Douglas, parabéns pelo lindo e importante trabalho. Quanto ao Artacho JUrado, o professor e arquiteto Ruy Debs publicou um livro denominado “Artacho Jurado, Arquitetura Proibida” que enfoca toda a carreira polêmica a respeito desse grande empreendedor.

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    • Douglas Nascimento 26/08/2016 at 21:49

      Olá Marco, como vai ? Tenho este livro aqui também! Abraços

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