Na correria quase diária das demolições que atingem a capital paulista, quase ia passando despercebida, na vizinha São Caetano do Sul, a demolição de mais uma das umidades das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo

Foto 1: Fachada da fábrica

O núcleo de São Caetano era um conjunto de fábricas num só espaço, ideia do velho Conde que se tornou realidade em 1915 quando seu filho Ermelino implantou, a partir de uma fábrica de velas, uma série de unidades com a finalidade de produzirem através do processamento de gordura itens tais como óleos e sabões.

Com o tempo e a diversificação de suas atividades o complexo de São Caetano passou a trabalhar na produção química através da Química Matarazzo S/A sendo, a área de produtos gordurosos, transferida para o núcleo da Água Branca.

Foto 2- Vista da fábrica à distância (clique para ampliar)

Lá, até o encerramento de suas atividades, foram produzidos soda cáustica, cloro, ácido sulfúrico, acetileno e o conhecido BHC (hexaclorobenzeno), produto muito popular em sua época e que era largamente utilizado para combater as pragas da lavoura. Hoje parte daquele enorme terreno está comprometida, por contaminação do solo, afinal no passado as questões ambientais não eram levadas em conta como hoje.

Também outras atividades da Matarazzo foram exercidas na vizinhança tais como a Fábrica de Louças Cláudia que na década de 1940 chegou a empregar mais de mil operários, a Cerâmica Matarazzo e a IMÊ, Indústria Matarazzo de Energia e mais recentemente outras unidades menores do Grupo Matarazzo.

Foto 3 – Matarazzo – O Azulejo do artista

Todo o interior do complexo foi derrubado e apenas as paredes externas continuam em pé até dando, para o passante menos avisado, a impressão de que há uma fábrica ali.

O espaço teve várias utilizações esporádicas por conta da Festa Italiana de São Caetano do Sul e das atividades da igreja localizada no Largo Comendador Ermelino Matarazzo no bairro da Fundação.

Também não podemos nos esquecer do núcleo de casas construídas para os funcionários daquelas umidades e batizada de Vila Maria Pia em homenagem a filha caçula do Conde Chiquinho Matarazzo e que não só existe, mas que ainda é moradia de muitas famílias, algumas que moram lá desde sua construção.

Foto 4 – Interior da antiga fábrica durante uma visita (clique para ampliar)

Trata-se de uma área muito importante para a história industrial de São Caetano e do Brasil, afinal, juntamente com o complexo da Água Branca e do moinho do Brás representam o impulso empreendido pela Matarazzo para o desenvolvimento e a industrialização do país.

Veja mais fotos da antiga fábrica (clique na miniatura para ampliar):

Crédito das fotografias:
Foto 1 – Google Street View
Foto 2, 3 e 4 – Acervo de José Vignoli
Galeria – Foto 1 e 2 – Google Street View, demais Douglas Nascimento

ARTIGO ATUALIZADO EM 06/07/2020 : Adição de novas fotografias no corpo do artigo e revisão do texto, com inserção de novas informações por José Vignoli.

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Rodrigo Ruiz 04/01/2013 at 20:26

    Meu avô paterno, José Antonio Ruiz Velasco trabalhou nessa unidade fabril entre os anos 30 e 60. Morreu aos 87 anos em decorrência de uma doença provocada por anos e anos exposto à soda cáustica que abalou gravemente sua saúde.

    Reply
    • Viktor Juncker 11/12/2013 at 17:33

      Tem gente que passa a vida toda longe desses produtos e morre muito mais novo. Seu avô resistiu bem!

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    • Luciano F 20/09/2019 at 15:39

      Rodrigo Ruiz, Meu pai morreu aos 46 anos devido o mesmo problema em 1957. Grato por postar. Eles sempre negaram e nem pensao pagaram a viuva minha mae.

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  • eder 24/02/2013 at 00:08

    muito bom !!!

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  • eder 24/02/2013 at 00:10

    Passo todo dia por ali de trem e não sabia , que ali tinha pertencido aos Matarazzo.

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  • RODRIGO BLASSIOLI (@RODRIGOBLASIOLI) 12/03/2014 at 00:55

    Fiqueí triste com a demolição da Matarazzo. Em 2008, tive a felicidade de conhecer o prédio que abrigava a Cerâmica Matarazzo. Lá dentro havia até um trem de carga GE, uma ambulância, entre outras coisas. Lá era cuidado por um senhor que ainda era funcionário da Matarazzo. Tanto que quando ele nos recebeu, ele estava uniformizado com as roupas da Cerâmica. na outra parte aonde restou a fachada, ainda funcionava a estocagem daquele pano que envolvia o sabonete Francis e também deste mesmo material, produtos hospitalares.Lá haviam 3 pessoas trabalhando. Com a ferocidade do setor imobiliário, morreu um dos últimos marcos da industrialização Paulista. e a Prefeitura de São Caetano do Sul, nada fez para se evitar esse crime. ao contrário, como um de seus últimos atos em frente a Prefeitura, posou orgulhosamente ao Diário do Grande ABC, com uma ferramenta de demolição á mão.

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  • Pardo 13/04/2014 at 21:00

    Apesar de morar em São Paulo desde que era um bebê, eu nasci em São Caetano do Sul e moro pertinho dessa indústria Matarazzo, da minha casa até ai de carro é menos de 5 minutos e apesar de o complexo ter sido desativado em 1987 eu não me lembro de tê-lo visto em atividade, apesar de nessa época eu ser uma criança.

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  • SavianoMarcio 03/10/2014 at 17:40

    Ouvi de alguns conhecidos que se escavar o solo da industria ele oxida e fica amarelado!

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  • Carlos Alberto Zapparoli 31/08/2015 at 15:59

    Eu Trabalhei Na Ceramica Matarazzo(Azulejos Claudia)Em 07/01/1977 Por 5 anos Entrei Como Portador,Depois Fui Trabalhar Na ContabilidaDe Lembro De Alguns Amigos De época (Hideo,Ivan,Zenaide,Berenice,Paulinho,Anderson,Penha,Gonçalo,Rute,Aurelio,(Compras)Caboquena,Ines,(Tesouraria),Ramalho,Guilherme
    Vanda Do Cpd
    Até Hoje Meu Pai Mora na casa Da Antiga Matarazzo

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    • marcomachadosp61marco machado 18/02/2020 at 17:51

      Olá Carlos, tudo bem.
      Estou montando um grande acervo de tijolos antigos e acho que vc poderia me ajudar, já
      a muito tempo procuro saber onde o Matarazzo fabricava tijolos, já sei que oficialmente ele nunca teve
      uma olaria, mas sei que ele fabricava tijolos, mas o problema é…onde ele tinha uma olaria…
      Desde de já fico grato pela atenção.

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    • marco machado 18/03/2020 at 10:07

      Olá Carlos, tudo bem. Você sabe de onde a Matarazzo tirava a argila para a cerâmica. Grato.

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  • Nilza Rodrigues 17/01/2017 at 23:37

    Até meus 7 anos morava na Rua Ibitirama a uns 500 metros dessa fábrica, cresci vendo-a e no período de natal falavam para as crianças que papai Noel saia por sua chaminé.
    Será que vc tem alguma foto do palacete dos Garone, ficava bem em frente de casa, Rua Ibitirama 1997, a casa onde nasci, tenho na memória a linda casa cor creme, cheia de janelas, rodeada por eucaliptos onde os pardais faziam a festa, passei mais de 20 anos fora de minha Sampa, em visita em 2010 já não mais encontrei a casa, apenas um muro e matagal.

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  • Edna dos Santos 31/10/2018 at 11:41

    Sou a Edna
    Trabalhei 1968 a 1872 na fábrica IRFM av.Celso Garcia Belem São Paulo .tem como eu conseguir o meu registro da epoca.preciso muito de alguma informação aonde encontrar.
    Obg

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  • MARCIA LOURENÇO 19/12/2018 at 16:34

    VIM FAZER UMA PESQUISA NO GOOGLE DESSA FABRICA MINHA MÃE ANALIA LOURENÇO TRABALHOU AI 9 ANOS SEMPRE FALAVA DESSA FIRMA COM SAUDADES DE TODOS CONTAVA HISTORIA ALI VIVIDAS DURANTES ESSES 9 ANOS PUXA ESTOU AQUI OLHANDO ESSA FABRICA TODA ABANDONADA TODA DESTRUIDA DOI CORAÇÃO INFELISMENTE ANO PASSADO MÃE FALECEU COM 82 ANOS ESTOU OLHANDO A RUA A ENTRADA E IMAGINAMDO MINHA MAEZINHA CAMINHANDO AI ENTRANDO POR ESSAS PORTAS INFELISMENTE TEMPO DESTROI TUDO AI A GENTE VE QUE TUDO EM CIMA DESTA VIDA E ILUSÃO E COMO SONHO NA REALIDADE E COMO SE NADA ESRTIVESSE EXISTIDO HOJE TAMOS AQUI E AOS POUCOS VAMOS PERDENDO TUDO TUDO VAI SUMINDO TUDO SE ACABANDO NADA E MEU NADA E SEU SOMOS APENAS VIAJANTES ESTAMOS DE PASSAGEM TUDO SE ACABA .

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  • Irineu Trentin Junior 23/02/2019 at 09:53

    Ocorre que para ser implantando um empreendimento ali, seja um condomínio ou mesmo um parque, o interessado precisa remover aproximadamente uma camada de seis metros da superfície, providenciar um aterro para esse material que será retirado, o que inviabiliza economicamente qualquer coisa. Hoje (fev 2019) continua como está e o que sobrou foi a chaminé e antiga Igreja, que pertencia à Fábrica.

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