O trânsito das grandes cidades brasileiras já era um problema considerável no final da primeira metade do Século XX. Claro, levando-se em consideração os volumes de veículos de cada época, já naquele momento se discutia como estacionar um grande número de veículos no centro de São Paulo uma vez que quase a totalidade dos edifícios daquela região não possuía garagem em suas dependências.

Vale do Anhangabau em 1950, nada fácil de estacionar

A primeira solução veio em 1954 com a construção do primeiro edifício garagem de São Paulo, o Edifício Garagem América, na Rua Riachuelo e com saída também pela Avenida 23 de Maio.

Entretanto esta edificação – que inclusive é tombada como patrimônio histórico paulistano desde 2016 – não é automatizada, sendo que suas 500 vagas distribuídas em 15 andares são acessíveis com rampas duplas e o motorista – este sim – utiliza-se de elevadores.

Existia a ideia de implementar em São Paulo garagens automatizadas similares as que existiam nos Estados Unidos. Lá o conceito já era largamente utilizado em cidades como Nova York, Chicago etc. Faltava trazer o experimento para as terras brasileiras.

Garagem automática em Chicago em 1932

Isso aconteceria oficialmente em outubro de 1958, com a inauguração da primeira garagem automatizada do Brasil na Rua Araújo, nas proximidades da Praça da República. O anúncio abaixo, publicado nos principais jornais paulistanos mostrava a chegada da novidade:

Porem seria esse a primeira garagem automática de fato do Brasil ? Bem, a resposta é: não.

A primeira garagem automática de fato foi instalada no bairro do Cambuci nas próprias dependências da Elevadores Atlas, na número 202 da Rua Alexandre Levi:

O edifício garagem da Rua Alexandre Levi (clique para ampliar)

De acordo com nota divulgada na revista Automóveis e Acessórios a garagem automática da Rua Alexandre Levi foi construída a título experimental. O objetivo era testar a eficiência e a praticidade do sistema antes de ser colocado no mercado.

De acordo com o que foi possível averiguar mediante as escassas informações disponíveis, a estrutura permaneceu em funcionamento por aproximadamente um ano e os carros que eram estacionados eram de funcionários da empresa.

Com os testes finalizados e aprovados a estrutura foi desmontada. Atualmente não existe mais nada da Elevadores Atlas no local sendo a área ocupada por um condomínio chamado Reserva do Bosque.

Nota:
*1
– Revista Automóveis e Acessórios – Ano 11, Nº 132 pp 19

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Luís Marcelo Achite 14/10/2020 at 17:41

    Parece o Dean Martin na propaganda da garagem da rua araújo. Seria algum admirador secreto do astro que fez essa propaganda? Brincadeiras a parte, muito legal o artigo.

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    • Douglas Nascimento 14/10/2020 at 17:46

      De fato lembra muito ele!!

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    • JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA 14/10/2020 at 17:56

      De fato, é muito parecido !! KKKK.

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  • JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA 14/10/2020 at 17:54

    A Garagem das Américas, foi onde, por longos anos, guardávamos nosso carro. Duas coisas me lembro bem: uma era o café que serviam lá; era muito bom, outra era uma espécie de escova de sapatos “automática” que lá havia. Enfiava-se os sapatos numa espécie de nicho, apertava-se um botão e os ditos saiam brilhando.

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    • rosana godoy 15/10/2020 at 07:20

      A demolição do prédio da Delegacia Fiscal na foto grande foi chocante. Também triste foi a demolição do teatro na rua Araújo pra dar lugar à garagem automática. Não lembro o nome do teatro mas gostava muito dos degraus de mármore na entrada. Lá eu assisti à peça A Moreninha com Marília Pera e Zezé Motta

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  • dalva maria ferreira 15/10/2020 at 11:13

    Olha só! Desde sempre o automóvel foi um entulho na vida das pessoas.

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    • Anilton Moccio 15/10/2020 at 22:36

      ????????????

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  • ERVIN MORETTI 15/10/2020 at 12:31

    Ótima matéria, parabéns. A 1ª garagem automática de que me lembro, foi a do Viaduto Major Quedinho. Na retirada do carro, uma plataforma circular girava 180º e posicionava o carro para sair de frente. Eu achava fantástico. Creio que ainda existe.

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  • Luiz F.F. Costa 19/10/2020 at 21:54

    Parabéns pelo seu nobre trabalho, obrigado em nos proporciona sublimes informações.

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