Muitas das obras viárias paulistanas, focando especificamente o automóvel, serviram não só para desafogar o trânsito (ainda que por pouco tempo) mas também para destruir ruas ou ao menos torna-las menos atraentes, e isso aconteceu em diversos locais espalhados por São Paulo. Uma delas é a região onde foi construído o complexo viário das Avenidas Dr. Arnaldo – Rebouças – Paulista e Rua da Consolação.

A imagem abaixo mostra a região pouco tempo depois da obra concluída e várias de suas ruas arrasadas, em meados da década de 70.

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O enorme complexo viário parecia tranquilo há 4 décadas atrás, mas hoje é saturado e vive boa parte do dia congestionado. Vista do alto, sem as árvores de hoje, é possível notar o quão estranho foi desapropriar apenas o trecho final (ou quase final para ser mais exato) da Avenida Angélica. O resto, a pontinha da Angélica do outro lado das pistas que dão acesso a Avenida Dr Arnaldo virou a Rua Vinícius de Moraes, que na foto anterior (centro da imagem) aparece como um apanhado de prédios ilhados.

Isto também afetou o outro lado, mais a esquerda, onde existe a Rua Minas Gerais. O trecho final desta rua ficou um tanto estreito e estranho, já que todas as casas do lado ímpar foram demolidas. Quem passa por ali hoje não tem ideia de que os dois lados da via tinham residências.

Das casas, uma das poucas que ainda sobrevive, no lado par evidentemente, é esta no número 372.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Trata-se de atualmente a casa mais antiga remanescente neste trecho da rua. As demais ou foram demolidas para dar lugar a prédios ou foram completamente desfiguradas para abrigar estabelecimentos comerciais. Mesmo esta casa, apesar de não ter sido modificada, nos últimos anos vinha tendo utilização comercial.

No parte mais superior da fachada é possível observar as iniciais “AD ou DA” que possivelmente identificava os primeiros moradores da casa.

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Já tem alguns anos que esta casa encontra-se fechada, com placa de venda e apresentando-se neste triste estado de conservação, com a fachada repleta de pichações. A absurda poluição visual proporcionada pela fiação que infelizmente ainda não foi enterrada, deixa o aspecto ainda pior.

Nos preocupa muito o fato do antigo sobrado estar à venda. Será que uma vez vendido o imóvel não irá abaixo ? Podemos esperar um novo proprietário preocupado com sua restauração ? O fato é que a última sobrevivente deste trecho da Rua Minas Gerais serve como uma referência de como era a região antes da grande modificação viária e precisa permanecer por ali.

Veja mais fotos do imóvel (clique na miniatura para ampliar):

Veja no link abaixo como era a região antes de ser criado o complexo viário:

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • antonio carlos novelli 22/01/2014 at 18:31

    Eu morei na Rua Minas Gerais, 435, tenho doces a agradaveis lembranças daqueles tempos! 1955/56

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    • Douglas Nascimento 22/01/2014 at 18:32

      O Sr. não teria fotos que aparece a rua antes de serem demolidas as casas do lado ímpar ?

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      • Antonio Carlos Novelli 23/09/2014 at 11:21

        Desculpe a demora em responder, só agora que eu vi sua pergunta. Não, infelizmente não tenho nenhuma foto da casa e nem da rua! Abraço!!

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  • Alberto Milani 07/06/2014 at 18:19

    Oi Douglas! Você conseguiu fotos da antiga rua Minas Gerais? Até o momento não consegui uma foto da região antes da construção do complexo viário.

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  • DomingosPimentel3@gmail.como 11/06/2020 at 11:24

    Infelizmente foi invadida,nem tem placa de venda,ñ foi alugada,vejo galinhas no seu quintal.Poderia ser adquirida pelo poder público e servir para algum projeto social.Vi que tem um quintal enorme e logo será um desses prédios de Studio!

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