No Brasil o calor é uma constante e para refrescar nada melhor que degustar um saboroso sorvete. Mas quando é que este iguaria chegou ao nosso país e em São Paulo ?

A origem do sorvete em terras brasileiras deu-se no já distante ano de 1834. Foi quando chegou ao porto do Rio de Janeiro, tendo partido de Boston, o navio norte-americano Madagascar. A bordo do navio vinha uma carga de 217 toneladas de gelo. O objetivo? Produzir sorvete no Brasil.

Para conservar o gelo por um bom período de tempo para que rendesse uma boa produção de sorvetes, os blocos de gelo eram armazenados em depósitos subterrâneos da então capital federal, protegido com serragem. Só eram retirados destes locais as quantidades certas para a produção e o gelo se conservava nestes ambientes por aproximadamente cinco meses.

Já em São Paulo não temos como precisar em que ano exatamente ele chegou, mas podemos afirmar que a primeira vez que o sorvete saiu na imprensa paulista foi neste anúncio abaixo, de 15 de fevereiro de 1859:

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Observe que o anúncio veiculado no jornal Correio Paulistano tem hora marcada para a degustação dos sorvetes. Na época não existiam métodos para conservar o sorvete depois de pronto, então os cafés e sorveterias anunciavam a hora certa de consumo, que era o momento imediatamente após o preparo.

Os sorvetes geralmente eram feitos com frutas nacionais e era comum a formação de filas nos estabelecimentos comerciais que ofereciam o produto para experimentarem a novidade.

Abaixo mais um anúncio de sorvetes publicado no jornal Correio Paulistano, esse de 1862:

QUAL FOI A SORVETERIA MAIS LONGEVA DE SÃO PAULO ?

Inaugurada em 1910, a sorveteria Alaska era localizada no bairro do Paraíso na Rua Dr. Rafael de Barros, a apenas um quarteirão da Avenida Paulista. A casa era conhecida pelos sorvetes servidos em porções generosas e também pelo seu irresistível marshmallow.

Na Alaska até pouco tempo era possível deliciar-se com os tipos mais tradicionais de sorvetes, como a taça simples, o sundae e os saborosos Vaca Preta (sorvete de chocolate servido com Coca-Cola) ou o Ice Cream Soda (sorvete de creme servido com refrigerante de limão). O carro chefe da casa era a Banana Split, que servia com folga a duas pessoas.

Entre os sorvetes que acompanham a tradição da casa neste mais de um século, estava a Cassata uma espécie de bolo de sorvete de um quilo e meio, acompanhado de creme chantilly e frutas em calda.

Nas últimas quatro décadas até encerrar suas atividades, em 2019, a casa esteve por mais de quatro décadas sob a mesma administração, mantendo aquele visual das tradicionais sorveterias do passado.

Alguns dos sorvetes que eram oferecidos pela Alaska (clique na foto para ampliar)

QUAL A SORVETERIA MAIS ANTIGA DE SÃO PAULO EM ATIVIDADE ?

Desde que a Alaska encerrou suas atividades, o título de sorveteria mais antiga de São Paulo em atividade passou do bairro paulistano do Paraíso para o Ipiranga. É lá que se encontra a DAMP.

DAMP Sorvetes / Foto: Divulgação (clique para ampliar)

Inaugurada em 1970 a DAMP Sorvetes é uma sorveteria no padrão tradicional que é bastante popular em seu bairro e atrai multidões de clientes de outras regiões da capital.

A casa é conhecida por oferecer os sabores tradicionais de sorvetes e também iguarias exóticas como os sabores de manjericão, queijo gorgonzola entre outros. Por estar no bairro do Ipiranga, berço da Independência do Brasil, a DAMP também oferece sabores com nomes que homenageiam D.Pedro I e a Marquesa de Santos.

Serviço:
DAMP Sorvetes
Rua Lino Coutinho, 983 – Ipiranga
Filiais em Alphaville, Perdizes e Tatuapé (consulte o site)

Artigo atualizado em 21/08/2020

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Gualberto Cappi 25/09/2017 at 16:56

    E olha que, como italiano, posso-te confirmar que a qualidade da Alaska è boa, viu! (alem de ter um visual “magico” que porta-me aos tempos da minha juventude …)

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  • Jorge Roberto Coelho Ferreira 25/09/2017 at 21:27

    Bem sei que é um pensamento meio besta: sempre associo sorvetes algo feliz. Talvez, seja porque quando eu tinha uns sete anos o freeser da padaria quebrou e o dono, para não desperdiçar, distribuiu os sorvetes para as crianças. Eu fui um dos primeiros, deram-me uns cinco chicabons e dois ou três “tijolos”. O dia feliz ! Por isso, até hoje, tenho aquela padaria e a Kibon na mais alta conta. rs rs rs

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  • Fernando Teixeira da Silva 27/09/2017 at 12:46

    Lembro-me quando eu era criança, o caminhão amarelo da Kibon vinha entregar sorvetes no bar perto de minha casa, ele despertava atenção de toda criançada, em contra partida, o caminhão do leite assustava por que tinha má fama pelos acidentes que causava porque empregavam muita velocidade.

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  • Daniel Pardo 28/10/2017 at 20:10

    Não sabia da existência de uma sorveteria de mais de um século aqui em São Paulo e olha que moro aqui desde que me entendo por gente.

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  • Luciano 25/11/2017 at 04:04

    Excelente, na minha próxima viagem a São Paulo, com certeza visitarei a sorveteria Alaska. Só acho que para o artigo ficar completo, faltou umas fotos do interior da sorveteria.

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